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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESÍA ESPAÑOLA / POESIA ESPANHOLA

Coordinación/coordenação de AURORA CUEVAS CERVERÓ

 

VANESSA PÉREZ-SAUQUILLO

VANESSA PÉREZ-SAUQUILLO

 

 

Nació en Madrid en 1978. Ha realizado estudios de doctorado en Filología Hispánica. Tiene publicados los libros de poemas: Estrellas por la Alfombra (Hiperión, 2001), premio de Poesía Joven Antonio Carvajal; Vocación de Rabia (Universidad de Granada, 2002), accésit del Premio de Poesía Federico García Lorca; La lluvia equivocada (Hiperión, 2006), premio de Poesía Arte Joven e Invención de gato (Calambur, 2006). Ha traducido a Dylan Thomas (Muertes y entradas 1934-1953).

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL  / TEXTOS EM PORTUGUÊS

 

 

POÉTICA                                                 

 

Escucho los ladridos, distintamente,

pero nada sé de ese perro que arde

ni del dibujo de su huella por la tierra abrasada.

 

Reconozco a los que lo han mirado

frente a frente. Escucho sus historias.

He pasado varias veces la mano

ante sus ojos blancos desde entonces

y he sentido uma llama calentarme los dedos.

 

Pero yo sólo escucho los ladridos.

Incluso cuando salen de mi boca.

Nada sé de poesia.

 

            (Bajo la lluvia equivocada, 2006)

        

 

En el cuarto amarillo

los amantes encienden las palabras.

Qué importa lo que duren, si prenden rápido,

si se tiñe la cama de reflejos de plata, azul, rojo,

naranja, si no suena otra cosa, si los miedos

se escapan y florecen

las quemaduras de la sábana.

Las palabras se afilan

Com fuego de palabras.

Los amantes ensayan.

 

 

EPÍLOGO

 

desde entonces, el dia que descubrí

el secreto de los vasos canopos

y fui vaso canopo para ti

y carne de gata disparada contra mujeres

con las que tu duermes y yo sueño

(amor, me confieso una rabia

de XIX dinastia. He masticado pelos

yo que fui flor de loto), dirás,

mucho ha llovido desde entonces,

pájaro de tormenta.

Y sin embargo no hay cobijo interior,

estoy mojada todavia

de aquel tiempo de furia extraordinária,

de amor imperdonable,

bajo la lluvia equivocada.

 

                      (Bajo la lluvia equivocada, 2006)

 

A Niall Binns

Es el brillo del sol
em las pestañas
lo que me impide verte.
Nunca un otoño igual.

Guiada por los mirlos
hacia la arboladura
de una tarde en común
sé que toco el sentido
de un animal inquieto,
mi planeta, mis dioses
que han cambiado de signo.

Sé que al cerrar los ojos
un abanico nuevo
quedará tatuado
en cada pômulo
y el aire de tu voz
elevará las alas de sus hojas.

Nunca um otoño igual
y de tu mano.

Ataría mis manos
a tu tobillo
hasta que me dijeras,
harto,
de una vez quién soy,
de donde he sacado
las cuerdas
y de qué libro robé
el tú com que te hablo,
el tú que amo
y su pierna.

 

PASIÓN A RAS DE SUELO
                   para Mago
 
Y si se aleja
de tus ojos de circo,
olvida que es lamerte
y hasta pierde las ganas
de perseguir contigo
la rueda de las tardes:
túmbate panza arriba,
rinde el olfato de filo
de la tierra
                   y deja
que la baldosa duerma entre sus manchas
el amargo contorno de um ladrido,
los pasos blandos, tu fúria,
medio metro,
y el tan apaleado amor de perros.

 

 

  

TEXTOS EM PORTUGUÊS

Tradução de Antonio Miranda

 

 

POÉTICA

 

Escuto os latidos, diferenciadamente,

mas nada sei deste cão que arde

nem do traço de seu vestígio na terra abrasada.

 

Reconheço os que o hajam visto

frente a frente. Escuto suas histórias.

Passei várias vezes a mão

diante de seus olhos brancos desde então

e senti uma chama esquentando-me os dedos.

 

Mas eu tão somente escuto os latidos.

Mesmo quando saem de minha boca.

Nada entendo de poesia.

 

(Bajo la lluvia equivocada, 2006)

        

 

No quarto amarelo

os amantes acendem as palavras.

Que importa quanto durem, se acendem rápido,

se a cama de tinge de reflexos de prata, azul, rubro,

laranja, se não soa outra coisa, se os medos

escapam e florescem

nas queimaduras do lençol.

As palavras se afiam

com fogo de palavras .

Os amantes ensaiam.

 

 

EPÍLOGO

 

desde então, o dia que descobri

o segredo dos vasos canopos

e fui vaso canopo para ti

e carne de gata disparada contra mulheres

com as quais tu dormes e eu sonho

(amor, confesso uma raiva

de dinastia XIX.  Mastiguei pelos

eu que fui flor de lótus), dirás,

muito já choveu desde então,

pássaro de tormenta.

E no entanto não há cabida interior,

estou molhada ainda

daquele tempo de fúria extraordinária,

de amor imperdoável,

na chuva equivocada.

 

 

                      (Bajo la lluvia equivocada, 2006)

 

 

A Niall Binns

É o luzir do sol
nas pestanas
que me impede ver-te.
Jamais outro outono como esse.

Guiada pelos melros
até o arvoredo
de uma tarde em comum
sei que toco o sentido
de um animal inquieto,
meu planeta, meus deuses
que trocaram de signo.

Sei que ao fechar os olhos
um leque novinho
ficará tatuado
em minha face
e o ar de tua voz
elevará as asas de suas folhas.

Jamais um outono como esse
e de tua mão.

Ataria as mãos
ao teu joelho
até me dizeres,
farto,
de uma vez quem sou,
de onde tirei
as cordas
e de que livro roubei
o tu com que te falo,
o tu que eu amo
e sua perna.

PAIXÃO NO NÍVEL DO CHÃO
              para Mago

E se se vai
de teus olhos de circo,
esqueça o que é lembrar-te
e até perdes a vontade
de perseguir comigo
a ronda das tardes:
volteia barriga para cima,
rende o olfato ao nível
do chão
              e deixa
que o ladrilho durma entre suas manchas
o amargo contorno de um ladrido
ou passos lentos, tua fúria,
meio metro,
e o tão golpeado amor dos cães.


Página ampliada e republicada em janeiro de 2020



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