CYRO PIMENTEL
(1926-2008)
“Cyro Pimentel, de alma por demais obsidiada de sombrias preocupações, para poder entreter-se a convertê-las em adivinhas”. Hernani Cidade
“A nobre poesia de Cyro Pimentel (renovada em cinco livros) e “esse mistério de unidade e pacto lírico, que nos leva à visão do azul”. O poeta tem “sede de ser fonte”. Ele próprio se capta perfeitamente, ao escrever com a maturidade plena que já agora o caracteriza (...)” Antônio Carlos Villaça, 1978
DESTINO
O frio que devassa
O impossível
Protege o inexprimível deus.
As mãos que se oferecem
Puras,
São invisíveis gestos ressentidos.
Vessar o deserto de ventos...ç
PAISAGEM
Ùltimo sol de outubro.
Lembranas antigas crestam o pensamento.
Infância, olhares, alegrias
Dançam a auréola submissa.
A linguagem inexiste na
Réstia do último sol de outubro.
LUTA
Fujo do poema,
Cansado como se estivesse
Revolvido as palavras do caos.
Mas foi a luta dos momentos não-vividos,
As tristezas interiores, a fuga da vida,
O pavor do fantasmagórico,
O deve e o haver,
Da Razão,
Da existência.
Foi suportar a insensibilidade humana
E a degenerescência da poesia.
(De POEMAS ATONAIS. São Paulo: Clube de Poesia, 1979)
Página publicada em fevereiro de 2009.
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