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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Poemas

A BANDEIRA IMPERIAL
A MULHER DO BARÃO

A RAZÃO DA SEM-RAZÃO

A SENILIDADE DO BARÃO
AD NAUSEUM

AMOR DE QUALQUER JEITO
ANCESTRES
AO MEU ENTERRO
AO POETA NARCISISTA

ASSIM MESMO
AUTO-AJUDA PARA NADA
CAIXA DOIS E METÁSTASE
DASGAY
DASLU X DASPU
DEPUTADO CHICO FOSSA

DÍPTICOS
DISJUNTOS
ESTATISTICAMENTE EU JÁ MORRI

ESTOU LOGADO EM VOCÊS
EXCURSÃO AO LITORAL  

HAMBURGER ASSASSINO
INSTANTÂNEAS DA MORTE
INVADIRAM O CONGRESSO NACIONAL

IRRELIGIÃO

MANCHETES DE JORNAL E DERIVAÇÕES
MELHOR ASSIM QUE PASSADO
1808
MILAGRE DO BURACO DO METRÔ
O POETA ANTROPOFÁLICO
OLHO DE VIDRO
PAÍS INCONCLUSO
PARTIDOS-REPARTIDOS
PLANO PARA EVACUAR O SENADO FEDERAL
POR QUE ME UFANO

SER E ESTAR
STEVEN LEVITT E OS TRAVESTIS
SYLVA HORRIDA

TATUAGENS
VERDADES INVERÍDICAS (INCRÍVEIS?)
VERDADES OFICIAIS

 


MELHOR ASSIM QUE PASSADO

 

         Poema do Barão de Pindaré Júnior

 

Ser melhor que o próprio original:

mesmo desfibrado, ainda que senil!

Sobrevivente, hoje é melhor que ontem,

amanhã, se houver, haverá de ser melhor...

 

Certo que éramos hirtos e inteiros!

Músculos tesos, agora tensos, estriados

mas, melhor que mortos, tidos, idos...

Mesmo que não mais entumesçam...

 

Maracujá-de-gaveta, chinelo roto

é melhor que jovem morto e enterrado...

Melhor ser herói deposto que suicidado.

 

Melhor viúvo que saudade de viúva...

Livros lidos em vez de abandonados e sem

uso, membranas gastas em vez de virgens...



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IRRELIGIÃO

 

         Poema do Barão de Pindaré Júnior

 

         “Deus morreu” NIETZSCHE

         “Nietzische morreu”  DEUS

 

 

O ateísmo entrou na rota

de colisão, ganhando espaço

na bancarrota da religião.

Perdão: eu disse bancarrota

da religião, não da igreja,

senão vejamos: megatemplos,

megashows gospels, mega... nega...

 

Os anticristos do século 21

— cristãos convertidos

pela ciência positivista —

são os apóstolos inversos

John Allen Paulos, Richard Dawkins

e Christopher Hitchens:

bestseller, logicamente...

 

“Religião não se discute”???!!!

“É o ópio do povo” (diria Marx).

 

Contra as “provas da existência

de Deus” da tradição...

(cristianismo, islamismo...)

a negação de Deus pelas “provas lógicas”

do ateísmo.

 

Que confusão, entende o Barão!

e vaticina (nada a ver com Vaticano)

as duas provas não provam nada

se é para usar a lógica!

ou provam, se é questão de fé...

ou convicção matemática...

 

Se matemática resolvesse mesmo

os problemas estariam resolvidos

(cisma o cético Barão...)

Não, não e não! Ou não...

 

Penso como Barão:

em matéria de religião

— lógica ou fé —

sou como aquele político

de Minas: não sou a favor,

nem contra, alíás,

muito pelo contrário!



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VERDADES INVERÍDICAS (INCRÍVEIS?)

 

 

         “I do not believe in belief.”

         E. M. FOSTER

 

 

Algumas verdades são relativas,

mas eu não sou relativista.

É certo: o sol nasce todas as manhãs;

sempre há mais políticos do que estadistas;

a lei da gravidade é igual para todos

como a justiça oficial dos homens

mas os gordos caem mais depressa

e a justiça não chega para todos

— nem a divina, reza o incréu.


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SER E ESTAR

 

Ser e estar: ser uno e estar múltiplo,

ser indivisível e desfazer-se no ar.

 

Ser vapor, água, e ser cristal.

Estar morto, e reviver.

 

Ser muitos, e ser outros,

sem deixar de ser, renascer.

 

Ser abelha, ser areia, pó.

Estar no mundo, e ser.

 

(Agora traduzam ao inglês...

OK: ser e estar são a mesma coisa.)

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DÍPTICOS

 

 

I

saiba que nada sei,

sei que nada sabes

 

tem mesmo de tudo para

quem não é surdo e mudo

 

quando ele disser adeus

estará mais perto de deus?

 

quase tudo é, apenas,

pouco mais do que nada

 

e agora, José, como acabou

se, em verdade, nem começou?

 

 

II

 

ave maria, cheia de graça,

avestruz cheio de pena

 

do jeito que as coisas vão

é provável que nem voltem

 

as aves que aqui gorjeiam

(já) não gorjeiam como lá

 

o rio que passou por aqui

pode ser que chova amanhã

 

a estrada leva ao fim-do-mundo;

o fim-do-mundo de lá é aqui

 

 

III

 

aquela nuvem parece indiferente

mas, de repente, ela chora

 

o amor que jurou ser eterno,

em verdade, anunciava o inferno

 

hoje, quem diria, era ontem;

e ontem já foi amanhã

 

resumindo:

 

a literatura dele era tão avançada

que nem mesmo ele alcançava

 

finalizando:

 

tudo, nada, amanhã, adeus, pena

— apenas palavras recicladas

 

 

29.02.08

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INSTANTÂNEAS DA MORTE

 

            Poema do Barão de Pindaré Júnior*

 

 

Na ponte, vestido de anjo,

para o salto derradeiro

— com os aplausos de público.

 

A mãe, dolorosa, sobre o corpo

do filho abatido como ave

por uma bala perdida

— mil flashes de celulares.

 

Na cena do velório

visitas assistiam felizes

pensando nos comes e bebes.

 

O atleta excedeu-se no exercício

e despencou para a morte,

mas saiu na fotografia.

 

No enterro, o morto sorria

para os credores desesperados.

 

A viúva olhava o falecido

pensando no seguro de vida

— ele valia mais morto do que vivo.

 

 

*pseudônimo de Antonio Miranda para “cantigas de escárnio e maldizer”... Leia outros poemas do autor em WWW.antoniomiranda.com.br

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1808

       Poema do Barão de Pindaré Jr.*


Não tomava banho e fedia a alho
e cebola e as ceroulas ferviam
nas tardes tórridas
de sua Quinta,
sexta, sábado e domingo.

Era o VI,
o sétimo dia
sem banho,
meu nobre João,
rei expatriado,
sentado em seu trono
de vários continentes.

Entrementes,
ardia e todo mundo sabia
de suas manhas
para fugir dos asseios

quando então
construíram em São Cristóvão,
por artimanhas de médico
e curandeiro,
uma Casa de Banhos
- aromáticos, profiláticos -
em que metia suas banhas.

Dom João VI inaugurou
nosso primeiro spa,
entre outros incontestes
pioneirismos.


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ASSIM MESMO

         Poema do Barão de Pindaré Júnior*

 

eu já conheço você de algum lugar

esse seu sapato eu já vi em toda parte

você faz parte de um seriado que eu já assisti

 

esses casais passam todos pelo mesmo treinamento

rezam pelo mesmo catecismo até o casamento

só depois é que eles se desentendem

 

a única dialética que ele conhece

é de uma das torcidas de time de futebol:

a mesma coisa do outro lado

 

o presidente usa argumentos tão comezinhos

usa exemplos comuns tão exemplares

que a gente até já sabe o que vai ouvir

 

a frase dele era tão, mas tão original

que eu a coloquei no buscador do Google

e apareceram outros tantos originais

 

 

* pseudônimo de Antonio Miranda para cantigas de escárnio e maldizer. Se quiser ler outros poemas do Barão entre em ... http://www.antoniomiranda.com.br/poemas_barao/brao_poemas.html

(copie e leve para o buscador do Google...)

 

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PLANO PARA EVACUAR O SENADO FEDERAL

 

Poema do Barão de Pindaré Júnior*

 

 

Sair em massa evacuando

—evacuar é a palavra certa!—

o recinto, o plenário,

o mictório, o conciliábulo, a sinecura

 

pode também saltar de asa delta do trigésimo andar do anexo

e pousar no teto do Palácio do Planalto para um desagravo

— a gentalha dos assessores e cabos eleitorais aplaudindo

a performance ou

valer-se de um advogado de porta de presídio

e/ou um lobista de plantão para pagar as despesas da retirada

 

— porque sim, por que não?!—

 

com direito a recesso

remunerado e aposentadoria

— cuidado com os batedores de carteira pelo caminho!

 

todos são inocentes

mesmo depois de comprovadas as fraudes, falcatruas

 

salve-se quem puder!!!

 

os ratos saem livremente

pelos esgotos

meia dúzia de senadores

honestos

na cesta de ovos

estão contaminados

a imagem pública corroída

pela hantavirose

pela saliva de discursos e despistamentos

 

o romeu tuma garante

que nem pai-de-santo faz um descarrego

quem carregava tudo era mesmo o severino

agora é o renan

que só sai pela culatra

 

 

Pseudônimo de Antonio Miranda para cantigas de escárnio e mal dizer...

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ESTATISTICAMENTE EU JÁ MORRI

 

         Poema do Barão de Pindaré Júnior”

 

Depois dos sessenta anos de idade

ninguém se apresenta como aniversariante

mas como sobrevivente

— começa a contagem regressiva.

 

Aos sessenta é candidato...

aos setenta  é um defunto anunciado,

aos oitenta é um fenômeno,

aos noventa é um milagre!!!

 

Podem trazer teorias e prognósticos,

receitas gerontológicas e cirúrgicas...

Melhor idade, separar o corpo da mente...

 

Medito sobre personagens longevos

(convivo com um na intimidade...)

que contradizem a razão, contra-senso

— e às vezes até o bom senso...

 

Do alto de meus cem anos

(nasci no Império e ainda não entrei

na pós-modernidade...)

sou uma raridade! Que barbaridade!!!

 

Mas, confesso, já estou preparado:

o paletó de madeira na garagem

para aquela última viagem...

 

                 21.05.2007

* Perdoem a molecagem do Barão com seu amigo

poeta João Carlos Taveira às vésperas de completar

60 anos... (em setembro). O Barão não pretende —

aliás, muito pelo contrário... — estragar a festa, quer

apenas divertir, à sua maneira.

 

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OLHO DE VIDRO

 

Poema do Barão de Pindaré Júnior*