RAÚL HENAO
“Misteriosos y juguetones al mismo tiempo, los versos de “El doble” plantean un enigma que no tiene resolución, dejando espacio para que él mismo saque sus propias conclusiones, como un detective que es cita al texto para que descifre las pruebas en el lugar de los acontecimientos.” Robson Quintero Ossa
TEXTOS EN ESPAÑOL ! TEXTOS EM PORTUGUÊS
EL DOBLE
Hay un jugador de cartas sentado
al borde de mi lecho
Hasta que se me ocurre abrir la ventana
Con el aire frío de la noche desaparece
primero su sombrero, parte de su abrigo,
la camisa a rayas, los zapatos…
Completamente descamisado opta por retirarse
descendiendo furioso la escalera
Abajo todavía escucho el llavín dando vueltas
en la vieja cerradura del edificio
El perro ladra por un momento, un auto
parece detenerse y la puerta se cierra
con un golpe seco
Es en ese instante que recuerdo haber visto
al jugador de cartas en una ocasión anterior
Y apenas ajustando mi bata de noche desciendo
precipitadamente la escalera
La puerta de la calle permanece ligeramente
entornada y frente a ella el auto espera
en la oscuridad
Cuando asomo el rostro a la ventanilla
me veo en el asiento trasero del taxi
que emprende su desconocida carrera…
Extraídos de la revista LUNA DE LOCOS, n. 17, año 9, Pereira, Colombia, 2007, dirigida por Giovanny Gómez.
HENAO, Raúl. Sol negro. Bogotá: Universidad Nacional de Colombia, 2005. 114 p. (Colección de poesía)
SIEMPRE EL AMOR LA LIBERTAD
Me paseo en compañía de una nube
¡Qué encanto de peluquero es el amor!
En cada parada de buses me arrojas
La incendiaria granada de tus ojos.
La orquesta aparecida en mitad
De una fuente de agua
Guarda un ligero parecido con tu voz
Anidando en el arco iris de tus pechos.
La tempestad resulta menos ardiente
Que el carbón de tus labios
Conjugados en la baraja de tu sonrisa.
Mil perdigueros no bastan para elogiar
La antorcha luminosa de tu rostro
Que enciende el brazo armado de la libertad.
SOLITARIA PALABRA
En el pequeño valle escondido entre altas montañas
La lluvia teje la lana de la luna.
Abajo el torrente es un violinista de barba encrespada
Montando la cabalgadura del temporal.
El crepúsculo bailotea como una mariposa
En la solitaria llama de mis palabras.
CAFÉ LE GRIS
A mitad de ja tarde
En el café Le Gris
Frente al pulpo
De Apollinaire
Un cigarro encendido
En cada mano
El cielo
Como un tintero
Entre un público
De paraguas...
Me escuchaba hablar
Como si oyera llover
La soledad.
TEXTOS EM PORTUGUÊS
Tradução de Antonio Miranda
O DUBLÊ
Tem um jogador de cartas sentado
à beira de minha cama
Até que me ocorre abrir a janela
Desaparece com o ar frio da noite
primeiro seu chapéu, parte de seu abrigo,
a camisa listrada, os sapatos...
Completamente sem camisa opta por ir-se
descendo furiosamente as escada.
Ainda escuto, mais abaixo, a chave dando voltas
na velha fechadura do prédio
O cão ladra por um instante, um automóvel
parece frear e a porta se fecha
com um golpe seco
É neste momento que lembro ter visto
o jogador de cartas numa ocasião anterior
E ainda vestindo meu roupão noturno, descendo
precipitadamente as escadas
A porta da rua permanece ligeiramente
entreaberta e na frente dela o automóvel espera
na escuridão
Quando assomo o rosto pela janela
me vejo no banco de trás do taxi
que continua sua desconhecida carreira...
PALAVRA SOLITÁRIA
No pequeno vale escondido entre altas montanhas
A chuva tece a lã da lua.
De baixo a torrente é um violinista de barba crespa
Montando a cavalgada do temporal
O crepúsculo dança como uma mariposa
Na solitária chama de minhas palavras.
SEMPRE O AMOR A LIBERDADE
Passeio na companhia de uma nuvem
Que encanto de cabelereiro é o amor!
Em cada parada de ônibus me lanças
À incendiária granada de teus olhos.
A orquestra que surge na metade.
de uma fonte de água
Guarda ligeira semelhança com tua voz
Aninhando no arco-íris de teus seios.
A tempestade resulta menos ardente
Que o carvão de teus lábios
Conjugados no baralho de teu sorriso.
CAFÉ LE GRIS
No meio da tarde
No café Le Gris
Diante do polvo
de Apollinaire
Um cigarro aceso
Em cada mão
O céu
Como um tinteiro
Diante de um público
Com guarda-chuva...
Me escutava falar
Como se ouvisse chover
A solidão.
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TRADUÇÕES DE FLORIANO MARTINS
De
MARTINS, Floriano. O começo da busca; o Surrealismo na poesia da América Latina. São Paulo: Escrituras, 2001. 287 p. (Col. Ensaios Transversais, 13)
A contemplação
Ao anoitecer, a lua viaja por trás de uma ligeira
e luminosa cortina de névoa.
Por longo tempo vejo cair a cascata
no tanque:
Infinitas e regozijadas cordas
em um escuro violino.
Mais tarde durmo ao lado de uma amante
que às vezes se parece com uma flor do campo
de talho espigado e imensa coroa
de pétalas,
E em outras um diminuto fantasma de camisola
encolhido pelos cantos da casa.
Retorno de Nletzsche
Nem a queimadura da chama
aplaca minha sede
Nem a queimadura do sol.
Brincar com fogo! Meu coração
é um galpão de gasolina
Um paiol de fogos de artifício.
A chama é meu diretor
de orquestra
O relâmpago me persegue
Por todo o campo.
Sarça ardente é tudo
quanto amo
Carvões acesos, caminho
sobre brasas
Baile na fumarola
de um vulcão em erupção.
Ai, meu pensamento se consome
na fogueira da beleza
do mundo.
Página publicada em agosto 2007; ampliada e republicada em dezembro 2010
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