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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



ARNALDO ANTUNES

Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho nasce no dia 2 de setembro de 1960, em São Paulo, SP, Brasil. Estudou Letras na Universidade de São Paulo e na PUC-RJ. Poeta, músico e compositor, artista multifacético em todos os sentidos. Conferir na página do autor:

www.arnaldoantunes.com.br  

Participou da mostra e do catálogo da exposição de poesia visual OBRANOME 2, parte da programação da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.

 

 

De

as coisas

8ª. São Paulo: Iluminuras, 2002.

 

 

As coisas têm peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, destino, idade, sentido. As coisas não têm paz.

***

A vista daqui é linda. Ainda. Que não seja. Linda para outra.  Vista que a. Avista. Daqui é linda. Se não for vista a vista. Daqui ainda é. Linda. Ainda que não seja. Vista ainda. Que não se veja. Talvez assim seja. Mais linda. Ainda.

***

Eu coberto de pele coberta de pano coberto de ar e debaixo do cimento terra sob a terra petróleo correndo e o lento apagamento do sol por cima de tudo e depois do sol outras estrelas se apagando mais rapidamente que a chegada de sua luz até aqui.

***

Todas as coisas do mundo não cabem numa idéia. Mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra tudo.

***

Todos eles traziam sacolas, que pareciam muito pesadas. Amarraram bem seus cavalos e um deles adiantou-se em direção a uma rocha e gritou: “Abre-te, cérebro!

Foto dos poetas Arnaldo Antunes e Antonio Miranda em Brasilia, janeiro 2008.

 

De

TUDOS

São Paulo: Iluminuras, 1993

 

 

 

Estou cego a todas as músicas

Não ouvi mais o cantar da musa.

A dúvida cobriu a minha vida

Como o eito que me cobre a blusa.

Já a mim nenhuma cena soa

Nem o céu se me desabotoa.

A dúvida cobriu a minha vida

Como a língua cobre de saliva

Cada dente que sai da gengiva.

A dúvida cobriu a minha vida

Como o sangue cobre a carne crua,

Como a pele cobre a carne viva,

Como a roupa cobre a pele nua.

Estou cego a todas as músicas.

E se eu canto é como um som que sua.

 

 

 

 

Página publicada em fevereiro de 2008, com a devida autorização do autor.

 

 


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