ARNALDO ANTUNES
Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho nasce no dia 2 de setembro de 1960, em São Paulo, SP, Brasil. Estudou Letras na Universidade de São Paulo e na PUC-RJ. Poeta, músico e compositor, artista multifacético em todos os sentidos. Conferir na página do autor:
www.arnaldoantunes.com.br
Participou da mostra e do catálogo da exposição de poesia visual OBRANOME 2, parte da programação da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília.
De
as coisas
8ª. São Paulo: Iluminuras, 2002.
As coisas têm peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, destino, idade, sentido. As coisas não têm paz.
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A vista daqui é linda. Ainda. Que não seja. Linda para outra. Vista que a. Avista. Daqui é linda. Se não for vista a vista. Daqui ainda é. Linda. Ainda que não seja. Vista ainda. Que não se veja. Talvez assim seja. Mais linda. Ainda.
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Eu coberto de pele coberta de pano coberto de ar e debaixo do cimento terra sob a terra petróleo correndo e o lento apagamento do sol por cima de tudo e depois do sol outras estrelas se apagando mais rapidamente que a chegada de sua luz até aqui.
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Todas as coisas do mundo não cabem numa idéia. Mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra tudo.
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Todos eles traziam sacolas, que pareciam muito pesadas. Amarraram bem seus cavalos e um deles adiantou-se em direção a uma rocha e gritou: “Abre-te, cérebro!