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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


MARIA HELENA DE MORAIS SATO 


Poeta brasileira nascida em Cabo Verde, África Ocidental. Vive em São Paulo, é casada e tem dois filhos. Formada em Letras pela PUC, tem  pós-graduação em Comunicação Social e MBA em Gestão Empresarial. É tradutora juramentada para os idiomas Espanhol, Francês e Inglês.
 

De

Caminho Orvalhado

São Paulo: 2004

ISBN 85-86793-25-6

 

Viver

como horas

repetidas —

Sempre iguais?

Sempre desiguais?

 

Amar

como tempo

sempre novo

— e em seu

olhar

o mesmo sonho,

envelhecido,

quase eterno!

 

 

Navegarei

sem palavras,

sem piloto,

sem explicações,

sobre naus

afundadas

ou cabos

atormentados!

 

Dispenso vozes,

quando me chega

límpido

o ressoar

do seu instrumento,

emoldurando

qualquer estação!

 

 

Empresto horas

ao livro.

Depois,

Nua,

contemplo palavras

que não me pertencem.

 

 

De

CAMALEOA

POESIA NA CIDADE

SÃO PAULO 450 ANOS

São Paulo: Arx, 2004.

ISBN 85-7581-218-1

 

 

Viaduto

 

Sobre

o viaduto

tudo se desenrola

inevitavelmente

rumo ao porvir.

Já sob o viaduto,

colunas pichadas,

uma vida

não resolvida

já,

ofuscante...

 

 

Praça da Sé

Haicai noturno

 

Paisagem noturna.

Os gatos são todos pardos.

Os caminhos, tortos.

 

 

Orquestra sinfônica

 

A cidade

dispersa.

Também recolhe

destinos

despedaçados.

Amor

não tem hora.

 

 

Fila de espera

 

O mistério

de um olhar

imprevisto,

nunca reencontrado!

Qual a charada

das esperas?

Que meta seguem

os desencontros? 

 

De

Cristais

Campinas: Editora Komedi, 2005

ISBN 85-7582-251-9

 

 

Paciente

 

Mãos invisíveis,

brandas,

correm

para nos conter...

 

Eterna

serenidade,

suavizando

nosso impulso

de

ter!

 

 

Intervalo

 

O nada ilumina

o que palavras

obscurecem.

Sou

minha própria

nudez.

 

 

Peixe Vidro

 

Percorro sutilmente

águas,

entre algas, moréias e

raias...

Em mim refulge apenas

liberdade:

poder tatuar teu nome

ou não. 

 

De

AREIAS E RAMAS

São Paulo: Edições Subiaco, 2006

ISBN85-86793-38-8

 

 

Bússola

 

Chego

a um mapa

perdido.

Nem mesmo

um vento leste!

Mapa sem dono,

sem nome,

sem porta para

bater.

Ergo uma

tenda

e me estendo

entre dois pontos

cardeais.

 

 

Arquipélago

 

Dez lágrimas,

únicas,

transbordam.

As demais

Cabem nos mapas.

 

 

Álbum de fotografias

 

Fotos,

costuro umas às

outras.

De memória

remendo o filme.

Somos

nós,

compactados no olhar

de agora.

 

 

 

Página publicada em junho de 2006



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