PAULO GUSTAVO
Paulo Gustavo de Oliveira [Recife, 1957- ] é mestre em teoria da literatura. Suas obras mais recentes são O que te trai, o que te cala (1992); Aleluia no caos (1995) e O poder da noite (2004)
Não te direi amanhã
Não te direi amanhã
O que hoje não te disse
E não te direi por alto
O que julgo ser planície.
Não te direi em voz baixa
A rouquidão dos desejos
Não te direi como água
O que é a sede dos beijos.
Não te direi algum dia
O que os dias me calaram
Nem as sombras da alegria
Que só em mim se exilaram.
Não te direi com palavras
O que com gestos existo.
Se tudo que falo é mágoa,
O amor é sol imprevisto.
Extraído da revista POESIA SEMPRE, Número 29, Ano 15, 2008, edição Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.
Página publicada em novembro de 2009
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