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CORNELIO PIRES
Cornélio Pires, nascido em Tietê, São Paulo, em 1884, foi escritor, compositor, conferencista, jornalista, contador de causos, folclorista e poeta.
Porém, a importância maior deste tieteense, foi a dedicação de uma vida inteira à compilação e à divulgação da cultura sertaneja, através de livros, discos, filmes, conferências, artigos de jornais e composições musicais. Já existia evidentemente esta cultura, mas foi ele que, com o seu inestimável trabalho possibilitou que a música caipira fosse divulgada, inicialmente em discos, com selo próprio, e depois através das rádios AM de São Paulo. A nossa dupla Tonico e Tinoco deve muito a ele a abertura deste caminho e que depois também foi trilhado por inúmeras duplas e trios sertanejos de tão boa qualidade.
Biografia extraída de: http://www.widesoft.com.br/users/pcastro4/cornelio.htm
TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL
“A Origem do Homem”:
— O senhor por acaso não descende
dos bugres que moravam por aqui?
— Hom'eu num sei dizê, vancê compreende
que essa gente inté hoje nunca vi.
Mais porém o Bernado dis-que intende
que os moradô antigo do Brasi
gerava de macaco!... Inté me offende
vê um véio cumo elle, ansim, minti.
D'otra feita um cabocro - ai um caiçára -
dis-que nasci um de dois e inté de treis,
quano estralava um gommo de taquara!
Nois num temo parente purtugueis,
nem mico, nem cuaty, nem capivára...
Semo fio de Deus cumo vanceis!
“Ideal caboclo”:
Ai, seu moço, eu só quiria
P’ra minha filicidade
Um bão fandango por dia,
E um pala de qualidade.
Porva espingarda e cutia
Um facão fala verdade,
E u’a viola de harmonia
P’ra chorá minha sodade.
Um rancho na bêra d’água
Vara de anzó, pôca mángua,
Pinga boa e bão café...
Fumo forte de sobejo,
P’ra compretá meu desejo,
Cavalo bão – e muié...
TEXTOS EN ESPAÑOL
CORNELIO PIRES
N. en Tietê, Estado de San Pablo, en 1884. Poeta bohemio, de gran corazón, perfecto conocedor de la vida y de la socología rurales que dan temas inagotables para sus bellas poesias; alegre y feliz, holgazán y despreocupado. vive de su arte dando conferencias humoristicas con gran éxito en todo el Brasil.
Obra poética: Musa Caipira. - O Monturo. - En Scenas e Paizagens da minha Terra, 1921, están reedltados los dos libros anteriores.
CONFESION
Si tú supieras cuanto yo te estimo ...
La caipirita, lánguida y confusa,
roja al oir la confesión del primo,
el bobo muerde a la encarnada blusa,
bajos los ojos en velado arrimo,
sin decir si lo acepta o lo rehusa.
Y, humilde ante su bien, su dulce mimo,
cabizbajo el rapaz los brazos cruza.
Despídese despus, feliz y riente,
porque entre el pueblo alegre, en la floresta,
es costumbre: quien calla es que consiente.
Hablan los ojos en silencio; y resta
solo hallar de padrino algún pariente,
y soñar las arreglos de la fiesta.
EL PASTO
De la ventana del cuarto
diviso el pasto frontero
y el barranco eh que un lagarto
se calienta al sol de enero.
Veo arriba: ganado harto,
un desgajado piñero,
y del paisaje yo aparto
la higuera y el cocotero.
El sol ya va declinando
y las sombras alargando.
Oigo crujir la molienda,
Y buscando la tranquera
subiendo por la ribera,
marcha el ganado a la hacienda.
Página publicada em dezembro de 2011.
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