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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
PETRARCA MARANHÃO

 

PETRARCA MARANHÃO

 

 

Petrarca da Cunha Melo Maranhão (Manaus, 1913 — Petrópolis, 1985) foi um poeta brasileiro. Ainda jovem foi morar no Rio de Janeiro onde se diplomou em direito em 1935.

 

Desde 1936 dedicou-se à produção e publicação de trabalhos literários: "Turbilhão"(ensaios de crítica literária), "Miniaturas" (poemas e trovas), "Ronda de Estrelas" (poesia), "Ouro e Cinza"(trovas), "Os Advogados do Diabo" (crônicas) e em folhetos e na imprensa muitas crônicas e poesia.

 

DE

RONDA DE ESTRELAS
POESIA

Rio de Janeiro: Editora Vecchi, 1955

 

A Lei da Vida

 

Todos nós temos sempre em cada dia,

Uma ínfima dose de ventura:

Para cada minuto de alegria,

Outros tantos instantes de amargura . . .

 

Se, acaso, alguns momentos de euforia

Fazem da vida um sonho de ventura,

Logo uma sombra má nos angustia,

Nos  vem turbar aquela paz tão pura . . .

 

Afinal, não se sabe por que lei

E por que inexorável fatalismo

Hão de andar, lado a lado, riso e pranto!

 

Eu também – ai de mim! – de nada sei . . .

Sei que me curvo ao meu determinismo,

Vivendo entre a ilusão . . . e o desencanto!

 

 

A  Ela

 

                   (À Capitu do “D. Casmurro” de Machado de Assis.)

 

 

“O’ flor do céu, ó flor cândida e pura”

Em quem meu pensamento se resume!

Flor bendita de mágico perfume,

Que embevece minh’alma de ventura!

 

Da seta de Cupido o afiado gume

Em raios mil no teu olhar fulgura,

Representante ideal da formosura,

Mulher magnífica! Meu Celso nume!

 

No mundo, quando a mim mais nada valha,

Serás meu guia e único fanal!

Da vida em meio à luta intensa e forte,

 

Quando tu fores minha, à própria morte

Declararei, por fim, de vez, triunfal:

“Perde-se a vida, ganha-se a batalha”! . . .

 

 

Saudades do Amazonas

 

Desde que te deixei, ó terra minha,

Jamais pairou em mim consolação,

Porque, se eu longe tinha o coração,

Perto de ti minh’alma se mantinha.

 

Em êxtase minh’alma se avizinha

De ti, todos os dias, com emoção,

Vivendo apenas dentro da ilusão

De voltar, tal qual vive quando vinha.

 

Assim, minh’alma vive amargurada

Sem que eu a veja em ti bem restaurada

Das comoções que teve em outras zonas,

 

Mas para torná-las em felicidade,

É preciso matar toda a saudade,

Fazendo-me voltar ao Amazonas!

 

 

E S C O L H A

 

Neste dilema, o que é que tu preferes?

Sinceramente, amor, dize-me aqui:

Que eu ame em ti,  a todas as mulheres

Ou em todas as mulheres ame a ti? . . .

 

 

 

Claro Enigma

                                                        (Variação)

 

Eu quis fazer um poema todo esdrúxulo,

Um poema estratosférico e algo exótico,

Que fosse ao mesmo tempo heróico e másculo,

Ainda que sem rima, idéia e métrica.

Quis escrever um poema todo excêntrico,

Um tanto claro, um tanto enigmático,

Um “claro enigma” apático e esotérico,

Futurístico, místico e vesânico,

Um tanto parecido com os patéticos

Poemetos futuristas cabalísticos,

Escritos pelos gênios marinéticos . . .

Mas, se caso, estes versos melancólicos,

Que não são protestantes nem católicos,

Não agradarem meus leitores líricos,

Não me chamem de tolo nem lunático,

Nem me taxem, tampouco, em tons satíricos,

de trêfego, de frívolo ou de pérfido . . .

 

 

Página publicada em novembro de 2009 

 

 

 

 
 
 
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