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POESIA GOIANA

Coordenação de Salomão Sousa

 


CÉLIA SIQUEIRA ARANTES

Fonte: www.academiagoianiense.org.br/


CÉLIA SIQUEIRA ARANTES


Nasceu em Buriti Alegre, Goiás, a 8/12/1928 e reside em Goiânia desde 1935. Ocupa a cadeir 45 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás. Pertence à União Brasileira de Escritores – Seção Goiás, ao Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, à Associação Goiana de Imprensa, à Comissão Goiana de Folclore e ao Ceculco – Centro de Cultura do Centro Oeste.  Co-fundadora da Academia Anapolina de Letras e Artes.  Foi secretária de cultura de Anápolis, além de exercer outros cargos públicos.

Autora dos livros: Chão Livre (poesia) e Fios da Memória (Prêmio da UBE). Recebeu outros prêmios e reconhecimentos por sua obra literária e cultural, entre eles o de “Cidadã Goianense”.

 

SONHARES NOVOS

Viajo para rumos diversos, até para rumos de versos,
conduzida pela idéia. Transito pelo pensamento,
pelo sentimento. Planto palavras que germinam contos,
poemas, crônicas, confrontos. Nada de odisséia ou epopéia:
registros de um tempo de calma ou de contratempo.
Idéias resultantes do envolvimento , do momento
de outras épocas, lugares de folguedos:
riachos, arvoredos, pomares... Vez por outra,
tempo sem sol, de bruma revestido,
ou respingo de chuva em arco-íris refletido...
Conduzida pela vontade, embarco em novos sonhares
ou em outros luares. Rotas traçadas por instrumentos
cortam os ares, engolem mares, serpeiam terra,
contornam serra, cruzando cidade...

Esquecida a idade, travo conhecimento
com países, raízes de nossa História.
Vislumbro fatos mágicos, ou trágicos, de derrota ou vitória...
Paradas, encruzilhadas, mudanças de fusos horários,
novos itinerários sonhados e concretizados.
Afivelada a bagagem, o regresso à terra de origem.
Feliz o reencontro. E, no ponto de partida
da esperada viagem, abraços, sorrisos me acolhem...
Saudade vencida, beleza da vida!

 

TRANSFIGURAÇÃO

O escritor se solta e divide com o papel sua mágoa...
Derrama o conteúdo de seu potencial criativo
com ou sem motivo... Em lírica linguagem
assume a condição de poeta e interpreta seu pensamento
seu momento... Assume, com coragem, a temática social.
Recria situações de sua natural vivência
e a essência de suas emoções transfigura-o em solitário,
ao viajar no itinerário da idéia.
Registra epopéia, ou cenas banais em falas coloquiais...

Solta sua mensagem, desnuda sua angústia...
Na tentativa de solucionar conflitos
invade áreas não conhecidas das vidas,
plenas de alegria ou tormento
e se enleia em tramas emocionais,
em textos fictícios ou reais.
Apenas escreve à máquina
(digita, explicita)
ou a próprio punho,
para dar testemunho
da realidade de seu tempo...

 

Extraído de POETAS EM/CENA2:  Reunião de poemas de poetas brasileiros no I Belô Poético. Belo Horizonte: Belô Poético Produções Artísticas e Literárias, 2008. Editor: Rogério Salgado e Virgilene Araújo.

Página publcada em setembro de 2008



 

 

 
 
 
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