Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





NAURO MACHADO

 

“É difícil qualificar esses poemas escritos, por assim dizer, no avesso da linguagem. Não é pela compreensão lógica que eles nos atingem mas pelo sortilégio de um falar desconcertante e único.” FERREIRA GULLAR

 

Nauro Machado é uma oportuna indicação de seu amigo Fernando Mendes Vianna, que escolheu os sonetos que incluímos aqui, extraídos de sua máxima antologia: Nau de Urano, edição do Governo do Maranhão, em 2002.   A.M.

  

TEXTOS EM PORTUGUÊS   /    TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

CALENDÁRIO

 

Tomaste parte em nenhuma outra guerra.

Não perdeste pés ou mãos dentro desta.

Não abriste túmulo em nenhum lugar.

Nada quiseste além dos teus haveres.

Teu país de bois na aurora plantados,

levou-o o tempo na usura do ocaso.

Fizeste nada sábado, domingo,

segunda, terça, quarta, quinta e sexta.

Igual a todos, somaste semanas,

Unindo a noite ao dia e o dia às noites.

Escuta: o tempo passa! E o teu passou.

Passou o bonde, o colégio, a criança.

Já o adulto vai-se: está chegando ao fim

como um ronco doído em cosa podre,

como um enlatado para ninguém.

Made in Brazil. Tonel à água lançado

No porto noite. Minha família! Ó alma.

 

         Masmorra Didática, 1979

 

 

FILA INDIANA

 

Um atrás do outro, atrás um do outro,

ano após ano, ano após outros,

minuto após minuto, século

após séculos, continuam

 

(a conduzir seus madeiros

na perícia dos próprios dramas).

 

um após do outro, atrás um do outro,

anos após ano, ano após outros,

minuto após minuto, século

após séculos, e de novo

 

um atrás do outro, atrás um do outro,

até a surdez final do pó.

 

 

AS PRAGAS

 

Porque não estive às portas de Madri,

de onde escuto, ainda, o “no pasarán”.

Te abjuro, Senhor, enfim, e a Ti,

a quem, outrora, chamei de pai e bom.

 

Porque não estive às portas de Madri,

lutando, às claras, com porcos-burgueses,

luto e lutarei, em trevas, por aqui,

Te abjurando, Pai, por milhões de vezes.

 

Entanto, saibam-no todos, e ouvi

que aos homens-bestas, com meus punhos, sorvo-os

enquanto, ao longe, às portas de Madri,

se erguer, incólume, o sangue dos povos!

 

         Décimo Divisor Comum, 1972

 

 

CAXANGÁ

 

Há um desespero real na palavra,

um desespero contra o desespero,

enlouquecido em tudo que é palavra

incapaz de dizer o real nela,

e um desespero dentro, um desespero

da palavra assentada na palavra,

de palavra assentada nela mesma,

canal e boca de uma angústia virgem,

de um dia novo contra a noite fora

envolvendo de luto os nomes todos:

Antônio, tênis, sonho, árvores, morte.

Sombra dentro de sombra, mas girando

em rodopio eterno, o pião da sombra,

o que fazer da voz, senão clamar

em uivos de absurda sombra, à noite

geradora de braços e destroços

vagando intérminos no extinto brado?


91

Por que me bates com teus sinos, plágios

de uma humana cruz, calvário torto,

tu, coração vazio de apanágios,

sem esperança de nenhum conforto?

(Meu coração é gaveta de naufrágios,

de esperanças puídas no alto porto,

onde singro, sagrando em meus sufrágios

de vertigens, um mar que é natimorto.)

Porque me falas e escrutar não posso

teu nome, grito que laboro e roço

na plantação maldita que me bate,

pudesse eu, pária do meu próprio mundo,

arrancar de mim teu ser, qual imundo

dente, coração, à ponta de alicate!

 

 

92

Meu aniversário!: dá-me, Goethe, o fogo

que vi queimando nos lábios do teu ontem,

pura energia, livrando-me do logro

de existir para onde os deuses apontem.

Sarça ardente, crepúsculo que rogo,

regresse eu à terra, e que as trevas me montem

no tempo morto de um eterno logo,

eterno aberto ao pronto desmonte em

matéria e ruga, de olhar no meu rosto.

e ao achar-me inteiro – e à Tua partilha exposto,

elucida-me, Goethe, o em mim por quê:

se não sei o vento, verbo do arvoredo,

balbucio o tempo e nele retrocedo

ao não ser próximo do estar no Ser.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

------------------------------------------------------------------------

TEXTOS EN ESPAÑOL

Extraídos de la
ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA
Org. Trad. de Xosé Lois García
Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 2001.

 

 

 

CALENDARIO

 

En ninguna otra guerra participaste.

No perdiste pies ni manos en esta.

No abriste sepulcro en ningún lugar.

Nada quisiste más que tus bienes.

Tu país de bueyes en la aurora plantados,

lo llevó el tiempo en la usura del ocaso.

Nada hiciste el sábado, domingo,

lunes, mares, miércoles, jueves y viernes.

Igual a todos, sumaste semanas,

uniendo la noche al día y el día a las noches.

ίEscucha: el tiempo pasa!  Y el tuyo pasó.

Pasó el tranvía, el colegio, el niño.

Ya se va el adulto: estás llegando al fin

Como un quejido ronco cosa podrida,

Como un enlatado para nadie.

Made in Brazil.  Tonel al agua lanzado

En el Puerto en la noche. ίMi familia! Oh alma.

 

         Masmorra Didática, 1979

 

 

FILA INDIA

 

Uno tras otro, tras de uno otro,

año tras año, uno tras otros,

minuto tras minuto, siglo

tras siglos, continuan

 

(conduciendo sus cruces

con la pericia de los propios dramas)

 

uno tras otro, atrás uno del outro,

año tras año, año tras de otros,

minutos tras minutos, siglo

tras siglos, y de nuevo

 

uno tras del outro, atrás uno del otro,

hasta la sordidez final del polvo.

 

 

LAS PLAGAS

 

Porque no estuve a las puertas de Madrid,

desde donde escucho, aun, el “no pasarán”.

Te adjuro, Señor, enfín, y a Tí,

a quien, antes, llamé padre y bueno.

 

Porque no estuve a las puertas de Madrid,

luchando claramente, com cerdos burgueses,

lucho y lucharé, en tinieblas, por aquí,

Te adjuro, Padre, millones de veces.

 

ίMientras tanto, sépanlo todos, escuchen

que a los hombres bestias, con mis puños, los aplasto

hasta que, a lo lejos, a las pueras de Madrid,

se levante, incólume, la sangre de los pueblos!

 

 

         Décimo Divisor Comum, 1972

 

 

CAXANGÁ

 

Hay un desespero real en la palabra,

un desespero contra el desespero

enloquecido en todo lo que es palabra

incapaz de decir lo real en ella,

y un despero dentro, um desespero

de la palabra asentada en la palabra,

de la palabra asenta en ella misma,

canal y boca de una angustia virgen,

de un día nuevo contra la noche afuera

envolviendo de luto todos los nombres:

Antonio, tênis, sueño, árbol, muerte.

Sombra dentro de sombra, pero girando

en eterno remolino, la peonza de la sombra,

¿en qué hacer con la voz, sino clamar

con aullidos de absurda sombra, a la noche

generadora de brazos y destrozos

vagando interminables em el extinto grito?

 

         O Calcanhar do Humano, 1981

 

 

 

Página ampliada e republicada em dezembro de 2007.

 

Voltar a página do Maranhão Voltar ao topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música