MARCOS PEDROSO
Poeta atuante em Minas Gerais, Marcos Pedroso havia publicado dois livros até 1991: Recorte dos Olhos e Estivais, este último pela Mazza Edições, de Belo Horizonte, de onde extraímos os poemas a seguir. Não sabemos de sua produção poética posterior.
Estivais
Viés do tempo. Cinza em profusão.
Tranças ao céu que não pertence a meu Deus nem
ao seu.
Tranças às traças.
O amolador de facas na esquina,
o atol perdido na infância,
o destino bastardo da palavra proa.
Oh céus! viés do tempo vadio,
deserto encapuzado de ninguém.
Tardes de verão. Estivais.
concha
um objeto pequeno
que não faça barulho
encha o bolso de tostões
se perca facilmente
se deixe levar por um grito de mar
role por ruas vazias de outubro
procure o colo materno de u'a estátua qualquer
traga um grande amor para a paixão
se emocione com um tropel de burros
roube as pérolas da palavra estalactite
tenha mais o que fazer no domingo
e não faça marulho
um objeto pequeno
u'a concha
a dor de viver numa concha
a dor de viver
Marcos Pedroso - Brasil - Poesia dos Brasis - Minas Gerais
intimidade
movimento na porta,
parte proibida do teu ser
provando o quase-sonho
no colo da tua luz.
Silêncio, teu corpo instante
Página publicada em agosto de 2010 |