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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIA GOIANA

Coordenação de SALOMÃO SOUSA

 

ERICO CURADO
(1880 — 1961)

 

 

Nasceu em Pirenópolis (GO), em 18 de maio de 1880; e faleceu em Goiânia, em 11 de janeiro de 1961. Comerciante, mas nunca deixou os estudos. Formou-se em Direito e foi eleito para a Academia Goiana de Letras. Andrade Muricy estuda a obra de Erico Curado em seu grande afresco sobre o Simbolismo. Bernardo Élis, em entrevista ao Jornal Opção, relembra: Nasci numa família abastada. Morávamos numa casa antiga. Meu pai, Erico Curado, era poeta e assinava os mais importantes jornais da época, comprava todos os bons livros que eram anunciados nos jornais. Líamos bastante. A vida era muito pasmada, mas era agradável. (...) Aprendi a ler com minha mãe. Meu pai tentou me ensinar, mas não tinha paciência, nem método. Queria que progredíssemos rapidamente e ficava irritado com qualquer falha. (...) Meu avô, por parte de pai, foi casado duas vezes. Na primeira vez, com uma parente dos Bulhões. Na segunda, com uma mulher da família Lobo, filha de Bernardo Lobo, um homem rico, que tinha uma fazenda em Pirenópolis. Meu pai foi criado lá. O nome Bernardo vem daí.

 

Bibliografia: Illuminuras. 1. ed. São Paulo: Duprat & Comp., 1913; Poesia. 1. ed. Goiânia: Bolsa de Publicações “Hugo de Carvalho Ramos, 1956.

 

 

SONETO,

          de Iluminuras

  

 

Gusla maviosa — ou trêmulos violinos…

Luas de Maio, ó brisas vesperais,

Olhos que exalam sonhos levantinos,

Linhas quebrando em formas imortais!

 

Sinfonias da Luz, nênias dos sinos,

Lendas e sagas, noites medievais,

Lírios e rosas, níveos, purpurinos,

Fazei meus versos vagos, musicais!…  

 

Fazei meus versos de um lavor sutil…

Rimas brilhando em cadencioso aceno,

— Murmúrio esparso de um rosal de Abril!

 

Fazei meus versos leves, como um trilo,

Como o sorrir de um bandolim sereno:

— Salmos de amor, — em blandioso estilo!…


 

Soneto VI, de Iluminuras

 

Quando tu cantas nessa voz dolente,

Queixosa e amarga, — voz das elegias...

Quando tu cantas, minha alma de crente,

Benta na unção das velhas liturgias,

 

Parece que se evola brandamente,

Para as regiões da luz, das harmonias;

E, comovida e terna e reverente,

Fica absorta n’um sonho de magias...

 

Tarde. — Angelizam-se do poente as cores,       

Sobe da Terra um salmo de amargores

E a noite cai povoada de fatigas...

 

Ah! Canta nessa voz abemolada,

— De dores, de saudades repassadas,

Cheia das mágoas das canções.

 

 

À tarde, nuvens de rosas

 

À tarde, nuvens de rosas

Franjam de sangue o horizonte,

Um monte além outro monte,

Entre sombras misteriosas.

 

As águas cantam ruidosas,

Luzindo à sombra da ponte.

São frescas águas da fonte,

Que vão cantando saudosas...

 

Em bandos passam morcegos,

As rãs coaxam nos regos

Geme o vento em disparada...

 

E entre as estrelas, no poente,

O arco-de-ouro do Crescente

É uma foice ensangüentada! 

 

SONETO I, de Iluminuras

 

Ao esplendor das manhãs, silencioso e contrito,

Como é belo e sublime — olhar-se a natureza:

Sentir-se dentro dalma esse afago bendito

Que em perfume conduz de devesa em devesa.

 

Ver-se um céu sempre azul perder-se no infinito,

E das aves ouvir-se um hino de pureza,

E o rumor da floresta e dos montes o grito,

Num concerto divino à suprema beleza...

 

E, além, o vale imenso e o rio que, disforme,

Das brumas vai seguindo o branco vulto enorme!

Desatam-se em perfume os brancos laranjais...

 

E o gado vem descendo em procura de aprisco,

Abre-se então o sol, em fogo, o flavo disco,

E, aqui e ali, se exalça a alvura dos casais...

 

 

Papá Noel e Vovô Índio

 

Já chegou Papá Noel,

De barba branca nevada:

Trouxe um mundo de cocada,

Chocolate e cocktail.

Guisos, gaitas e assobios,

Caramelos e bombons,

Para os guris que são bons

E a taca para os vadios.

 

Progressista, como é,

Trouxe também novidade:

Um saco de picolé

E sorvete. Que bondade?

 

Só Mãe Preta que era assim!

Tive a minha, a boa Rita,

Que era a bondade infinita,

Velando sempre por mim...

Papá Noel entretanto

Chegou agora tristonho,

E quem o faz sofrer tanto

É vovô Índio, o medonho!

 

Papá Noel tem razão!

Vovô Índio, ano passado,

Devorou de um só bocado

Dez criancinhas de mão!...

 

Tem feito cousas tamanhas,

Que aos meninos, de presente,

Mandou vivas três piranhas

Além de enorme serpente,

 

Para provar quanto é mau,

Basta o que fez a Mimi:

Montou-a num sucuri

Que a devorou num peráu.

 

Vovô Índio, o bicho feio,

Sempre andando em brocotós,

Só nos trouxe, quando veio,

Carrapatos e corós!

Vovô Índio é assassino,

Fora, fora seu cruel!...

Roguemos ao Deus Menino

Que nos dê Papá Noel.

 

 

Página ampliada e republiada em agosto de 2008

 



 

 

 
 
 
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