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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




MENEZES Y MORAIS

Menezes y Morais  é o pseudônimo de José Menezes de Morais, jornalista e professor. Nasceu e viveu a infância em Altos, Piauí. Está em Brasília desde 1980. Sua estréia literária foi em 1975 com Laranja partida ao meio. Já publicou nove livros de poesia (até 2005), sendo o último Na micropiscina da lágrima feliz (Brasília, 1999). É um promotor cultural, liderando o Coletivo de Poetas, movimento criado em 1992 que leva amantes da poesia e da música para encontros em bares da cidade.

 

INCÊNDIO

 

Como o sol fecunda o dia

tu estás em mim

eu estou em ti

 

                                     Neste transitório incêndio

                       água da certeza

                                     Feito um grito livre

                       na garganta presa

 

 

AMANHECER DA AMADA COM PÁSSAROS Y ESTRELA

 

Bom dia Amiga

lá fora

agora

os pássaros já trabalham suas cantigas

É hora de seguir a estrela

 

 

OFERENDA (SOL – ESTRELA)

 

Trago-te esta estrela da tarde

colhida no azul do mais puro céu

E a certeza da vida que se faz sentida

com a argila das mãos

e o barro dos pés

- o sonho concretizado –

Trago-te ainda os metais desses pássaros de ofício

nos tons jorrantes de suas cachoeiras

E a ternura dessa tarde

que escorre macia

entre o cio da paz

e o por de sol dos teu cabelos

 

A CONFISSÃO DO AMOR

 

Carrego comigo

        estas cicatrizes

             dos amores qu´eu tive

 

Eu

cúmplice

de mim

          na manhã do ser

          enquanto

          se

 

 

É FRIA

 

Cada momento tem sua carga

de plenitude

Não queira impedir o seu caminho

 

 

Extraídos de Outros cantares de igual teor. Brasília> Ed. Autor, s.d.

   

 

outra canção da lua

 

quantas luas

ainda verei?

 

espero tantas

quantas são

as fases tuas

 

na plenitude

das luas

que sempre amei

 

quantas luas

teremos de luz

 

ainda que os olhos

mergulhem nas trevas

 

nas terras

em que nunca andei

?

 

seres exalam amor

 

de concreto  a alma  o passa  a vulva  a fala

 

o arco-íris se esvai em gotas de colírio e de mormaço

na ternura de outra ilha

 

seres exalamar

 

a alegria geral completa personal bank do teu

pasto

 

tem cárie na virtualidade do sorriso?

 

o amor-massa palhaço dá o tom do qu´eu digo

e melodiza o qu´eu faço

 

a vida é enigma do homem?

o homem é inimigo da raça?

 

a morte é troféu da vida

ou a vida é a mais valia da praça?

 

 

na retina do tempo

 

quem cuida da saúde dos animais

                   quando eles estão doentes?

                             algumas espécies

          fazem o autocatamento de piolho

e os pássaros celebram o dia

na orquestra do canto

                 enquanto isso

o tempo escorre indiferente

          na retina do olho de Deus

 

 

primavera de si

 

a usina do tempo

turbina a aurora

no cio de si a felicidade se renova

 

 

Extraído de Na micropiscina da lágrima feliz.  Brasília: Ed. do Autor, 1999.


 


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