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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

GREGORIO DE MATTOS

(1623-1696)

 

Nació em Salvador, Bahia. Há vivido por treinta años en Portugal y um período de destierro em Angola por sus actitudes y escritos considerados infames para la Iglesia y el Estado. Influencia de la poesía quinientista portuguesa y del barroco español. Gran lírico amoroso, religioso y satírico. Describe con gran acuidad las costumbres de Bahia. Considerado poeta maldito.

 

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

 

SONETO

 

                            Meu Deus, que estais pendente de um madeiro,

                            Em cuja lei protesto de viver,

                            Em cuja santa lei hei de morrer

                            Animoso, constante, firme, e inteiro.

 

                            Neste lance, por ser o derradeiro,

                            Pois vejo a minha vida anoitecer,

                            É, meu Jesus, a hora de se ver

                            A brandura de um Pai, manso Cordeiro.

 

                            Mui grande é vosso amor, e meu delito,

                            Porém pode ter fim todo o pecar,

                            E não o vosso amor, que é infinito.

 

                            Esta razão me obriga a confiar,

                            Que mais que pequei, neste conflito

                            Espero em vosso amor de me salvar.

 

 

A JESUS CRISTO NOSSO SENHOR

 

Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,

Da vossa alta clemência me despido;

Porque quanto mais tenho delinqüido,

Vos tenho a perdoar mais empenhado.

 

Se basta a vos irar tanto pecado,

A abrandar-vos sobeja um só gemido;

Que a mesma culpa, que vos há ofendido,

Vos tem para o perdão .lisonjeado.

 

Se uma ovelha perdida e já cobrada

Glória tal e prazer tão repentino

Vos deu, como afirmais na sacra história,

 

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,

Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,

Perder na vossa ovelha a vossa glória. 

 



Aos afetos e lágrimas derramadas na ausência

da Dama a quem queria bem

 

Ardor em firme coração nascido;

Pranto por belos olhos derramado;

Incêndio em mares de água disfarçado;

Rio de neve em fogo convertidos:

 

Tu, que em um peito abrasas escondido;

Tu, que em um rosto corres desatado;

Quando fogo, em cristais aprisionado;

Quando. cristal, em chamas derretido:

 

Se és fogo, como passas brandamente?

Se és neve, como queimas com porfia?

Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

 

Pois para temperar a tirania,

Como quis que aqui fosse a neve ardente,

Permitiu parecesse a chama fria.

 



Ao Governador Antônio de Sousa de Meneses,

chamado vulgarmente o "Braço de Prata"

 

Sôr Antônio. de Sousa de Meneses,

Quem sobe ao alta lugar, que não merece,

Homem sobe, asno vai, burro parece,

Que a subir é desgraça muitas vezes.

 

A fortunilha, autora de entremezes,

Transpõe em burro herói que indigno cresce;

Desanda a roda, e logo homem parece,

Que é discreta a fortuna em seus reveses.

 

Homem sei eu que foi Vossenhoria

Quando o pisava da fortuna arada;

Burra foi ao. subir tão alto clima.

 

Pais, alto! Vá descenda ande jazia,

Verá quanto melhor se lhe acomoda

Ser homem em baixo do que burro em cima

 

 


AOS VÍCIOS

 

Eu sou aquele que os passados anos

Cantei na minha lira maldizente

Torpezas do Brasil, vícios e enganos.

 

E bem que os descantei bastantemente,

Canto segunda vez na mesma lira

O mesmo assunto em plectro diferente.

 

Já sinto que me inflama e que me inspira

Tália, que anjo é da minha guarda

Des que Apolo mandou que se assistira.

 

Arda Baiona, e todo o mundo arda,

Que, a quem de profissão falta à verdade,

Nunca a dominga das verdades tarda.

 

Nenhum tempo excetua a cristandade

Ao pobre pegureiro de Parnaso

Para falar em sua liberdade.

 

A narração há de igualar ao caso,

E, se talvez ao caso não iguala,

Não tenho por poeta o que é Pegaso.

 

De que pode servir calar quem cala?

Nunca se há de falar o que se sente?

Sempre se há de sentir o que se fala.

 

Qual homem pode haver tão paciente,

Que, vendo o triste estado da Bahia,

Não chore, não suspire e não lamente?

 

Isto faz a discreta fantasia:

Discorre em um e outra desconcerto,

Condena o roubo, increpa a hipocrisia.

 

o néscio, o ignorante, o inexperto,

Que não elege o bom, nem mau reprova,

Por tudo passa deslumbrada e incerto.

 

E, quando vê talvez na doce trova

Louvado o bem, e o mal vituperado,

A tudo faz facinho, e nada aprova.

 

Diz lago, prudentaço e repousada:

—Fulano é um satírico, é um louco,

De língua má, de coração danado.

 

Néscio, se disso entendes nada ou pouco,

Como mofas com riso e algazarras

Musas, que estimo ter, quando as invoca?

 

Se souberas falar, também falaras,

Também satirizaras, se souberas

E se foras poeta, poetizaras.

 

A ignorância dos homens destas eras,

Sisudos faz ser uns, outros prudentes,

Que a mudez canoniza bestas-feras.

 

Há bons por não poder ser insolentes,

Outros há comedidos de medrosos,

Não mordem outros não - por não ter dentes.

 

Quantos há que as telhados têm vidrosos,

E deixam de atirar sua pedrada,

De sua mesma telha receiosos?

 

Uma só natureza nos foi dada;

Não criou Deus os naturais diversos;

Um só Adão criou, e esse de nada.

 

Todos somas ruins, todas perversos,

Só nos "distingue o vício e a virtude,

De que uns são comensais, outros adversos.

 

Quem maior a tiver, do que eu ter pude,

Esse'só me censure, esse me note,

Calem-se as mais, chitão e haja saúde!

 

(De Obras)

 

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL 

 

SONETO

 

Traducción de FRANCISCO VILLAESPESA

 

 

Mi Dios, que estais pendiente en un madero,

en cuya fe protesto de vivir,

y en cuya santa ley he de morir

animoso, constante, firme, entero.

 

En ese lance, que será el postrero,

pues miro ya mi vida sucumbir,

para alentarme, padre mío, oír

vuestras palabras de perdón espero.

 

Muy grande es vuestro amor y mi delito;

mas puede tener fin todo pecado

y nunca vuestro amor, que es infinito.

 

Y esta razón me obliga a confiar

que por más que pequé, en este estado

vuestro paterno amor me ha de salvar!

 

 

 

     Traducciones de Ricardo Silva-Santisteban

 

 

 

A JESUCRISTO NUESTRO SEÑOR

 

Pequé, Señor, mas no porque he pecado,

de tu grande clemencia me despido;

porque cuanto más tengo delinquido,

te tengo en perdonar más empeñado.

 

Si para airarte basta gran pecado,

para ablandarte bástate un gemido;

pues el pecado aquel que te ha ofendido

para el perdón te tiene lisonjeado.

 

Si una oveja perdida y recobrada

gloria y placer te día tan repentino,

como se afirma en la sagrada historia,

 

yo soy, Señor, la oveja descarriada:

tómame; y no quieras, pastor divino,

perder en esta oveja tu alta gloria.

 

 

A los afectos y lágrimas derramadas

en ausencia de la dama a quien quería bien

 

Ardor en firme corazón nacido;

planto por bellos ajas derramado;

incendio en mares de agua disfrazado;

ríos de nieve en fuego convertido:

 

tú, que en un pecho abrasas escondido;

tú, que en un rastro corres desatado;

cuando fuego, en cristal aprisionado;

cuando cristal, en llamas derretido.

 

Si fuego, ¿cómo pasas suavemente?

Si nieve, ¿cómo quemas con porfía?

¡Mas, ay, que anduvo Amor en ti prudente!

 

Pues que para templar la tiranía,

como quiso que fuese nieve ardiente,

permiti6 parecerse a llama fría.

 

 

AI Gobernador Antonio de Sousa de Meneses

llamado vulgarmente el "Brazo de Prata"

 

Seor Antonio de Sousa de Meneses,

quien asciende al lugar que no merece,

hombre asciende, asno va, burro parece,

que ascender es desgracia muchas veces.

 

La fortunilla, autora de entremeses,

vuelve asno al héroe que indigno crece:

al desandar la rueda, hombre parece,

que fortuna es discreta en sus reveses.

 

Yo sé que un hombre fue su Señoría

al ascender Ia rueda del destino;

mas burro fue al subir tan alto clima.

 

Pero ¡alto! que al bajar de do yacía,

ya verá que no es grande desatino

hombre ser aquí abajo no asno encima.

 

 

A LOS VÍCIOS

 

Yo soy aquel que en los pasados años

cantaba con mi lira maldiciente

torpezas del Brasil, vicios y engaños.

 

Y bien que os descanté tan largamente,

canto de nuevo con la misma lira,

el mismo asunto en plectro diferente.

 

Y siento que me inflama y que me inspira

Talía, que es ángel de mi guarda

desque a Febo mandó que me asistiera.

 

Arda Bayona y todo el mundo que arda

que, quien por profesión calla verdad,

nunca el domingo de verdades tarda.

 

Ningún tiempo exceptuó la cristiandad

al pobre zagalillo del Parnaso

para hablar en completa libertad.

 

La narración ha de igualar el caso,

y, si tal vez al caso no detalla,

no tengo por poeta al que es Pegaso.

 

¿De qué sirve callar a quien se calla?

¿Nunca se ha de decir lo que se siente?

Siempre se ha de sentir lo que se falla.

 

¿Puedeexistir un hombre tan paciente

que, viendo el triste estado de Bahía,

no llore, no suspire, no lamente?

 

Esto hace la diversa fantasía:

discurre en uno u otro desconcierto,

condena el robo, increpa la falsía.

 

El necio, el ignorante, el inexperto,

que no prefiere el bien ni el mal reprueba,

por todo pasa ciego, pasa incierto.

 

Y, al ver tal vez que en dulce trova lleva

loado el bien y el mal vituperado,

a todo muestra enojo y nada aprueba.

 

Dice luego, prudente y reposado:

"fulano es un satírico y un loco,

de lengua mala y corazón airado".

 

Necio, si es que no entiendes nada opaco,

¿qué te burlas, con risas y algazaras,

de Musas que ardo as ir si las invoco?

 

Si supieras hablar, también hablaras,

también satirizaras, si supieras,

y si fueras poeta, poetizaras

.

Lo torpe de los hombres destas eras,

a unos sabios hace, a otros prudentes:

la mudez canoniza bestias-fieras.

 

Buenos, por no poder ser insolentes,

otros hay comedidos por medrosos,

no muerden otros pues les faltan dientes.

 

Con tejado de vidrio, los furiosos

se abstienen de arrojar una pedrada,

de su insegura teja recelosos.

 

Una sola natura nos fue dada;

no creó Dios otros seres diversos;

un solo Adán creó, y de la nada.

 

Todos somos muy ruínes y perversos,

nos distinguen el vicio y la virtud,

hay quienes les son fieles; hay adversos.

 

Sólo el que tenga gran excelsitud,

solo ése me censure, ése me note,

y los demás, chitón ¡y haya salud!



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