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AFFONSO SCHMIDT
Afonso Frederico Schmidt (Cubatão, 29 de junho de 1890 — 3 de abril de 1964), mais conhecido como Afonso Schmidt, foi um jornalista, contista, romancista, dramaturgo e ativista anarquista brasileiro.
Em Cubatão fundou o jornal Vésper, e na cidade de São Paulo fez parte da redação dos importantes periódicos libertários, A Plebe e A Lanterna, ao lado de figuras lendárias do movimento anarquista brasileiro como Edgard Leuenroth e Oreste Ristori. Ocupou ainda posições na redação dos jornais Folha e O Estado de São Paulo. Na cidade do Rio de Janeiro, fundou o jornal Voz do Povo, que a seu tempo tornou-se o órgão de imprensa da Federação Operária.
Foi diversas vezes preso por expressar o que pensava. Ganhou destaque também pelas diversas campanhas que realizou contra o fascismo e o clericalismo, através de panfletos ou de livros, peças teatrais e artigos de jornais. Escrevendo intensamente por toda sua vida, foi autor de uma vasta obra poética e literária reunida em mais de quarenta livros. Envereda por crônicas históricas, e fantasia, sendo também um pioneiro da ficção científica no Brasil.
Obra poética: Lírios Roxos (1907); Miniaturas; Janelas Abertas (1911); Mocidade (1921); Garoa (1932); Lusitania; Poesias (1934); Poesia (1945)
De
Affonso Schmidt
JANELLAS ABERTAS
edição augmentada
São Paulo: Edição de "A Fornalha", 1923
(Com a ortografia atualizada:)
CARAS SUJAS
Ao longo destas avenidas,
Recordação de velhas lendas,
Cantam as chácaras floridas
Com suas líricas vivendas.
Lá dentro, há risos, jogos, danças,
Crastinas, módulas fanfarras,
Um pandemônio de crianças,
Um zagarreio de cigarras.
Fora, penduram-se na grade
Os pobre, como gafanhotos;
Têm dos outros a mesma idade,
Mas estão pálidos e rotos.
Chora a injustiça da cidade
Na cara suja dos garotos.
OS VAGABUNDOS
Perdidos pela estepe enegrecida e rasa,
Nessa planície igual que a distância arredonda,
Que o inverno enregela e que o verão abrasa,
Dos vagabundos passa a maltrapilha ronda.
As miragens do céu são como pétrea onda...
E o vento forasteiro essa visão arrasa,
Quebrando torreões de arquitetura hedionda,
Catedrais de marfim e florestas de brasa!
Eles passam cantando uma canção dolente,
E vão deixando atrás, por sobre a terra ardente,
Dos seus inchados pés os passageiros rastros...
E quando a noite desce aos desertos medonhos,
Deitam-se sobre a terra e sonham lindos sonhos<
Na solidão da estepe e na mudez dos astros!
Página publicada em maio de 2010.
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