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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Imagem em: /futibabrasileiro.blogspot.com , mas retrabalhada por Nildo.

FUTEBOL E POESIA

coordenação de
MARCONI SCARINCI

 

Na oportunidade em que o Brasil foi escolhido para ser  a sede do Copa do Mundo de 2014 é a hora certa de revelar poemas de poetas brasileiros sobre o tema da paixão nacional. Página aberta para novos poemas e autores de qualidade em próximas atualizações....

ANIBAL BEÇA - FERREIRA GULLAR - GLAUCO MATTOSO - JOÃO BOSCO/ADIR BLANC - JOÃO CABRAL DE MELO NETO -JOSÉ VIRGILIO GONÇALVES - MARTINHO DA VILA - MIGUEL GUSTAVO - MILTON NASCIMENTO/FERNANDO BRANT - MORAES MOREIRA - NICOLAS BEHR - VINICIUS DE MORAES

 

Veja:  COPA DO MUNDO DE 2014 NO BRASIL >>>

 

Cartões-postais de época, da coleção A.M.

 

PURO GAMA

 

Poema de Giovani Iemini

 

Em meio às árvores retorcidas

Do planalto escarpado

No profundo púrpura do céu de Brasília

Vem o periquito do cerrado

Trazendo conquista e esperança

Voando alto, onde alcança a vista

Orgulhando meu peito

Em pujança

O Gama é o

nosso povo

teus torcedores em bando

tão fiel e forte como unido

seguiremos te cantando

nosso brado em alarido

O Gamão é o

Nosso amor

Brado é grito

Alarido é Algazarra

 


 

GARRINCHA, por Rubens Gerchman (gravura)

 

CELEBRANDO GARRINCHA

 

         Anibal Beça

 

Celebrando Garrincha,

o santo inventor da ginga

                          

                             Para Antonio Carlos Secchin 

 

 

Frente a frente

    4 colunas

de dois templos em ebulição:

raios arqueados

oscilam

             ossos

                        músculos

                                        nervos

                               pernas em balanço:

 

               arquitetura móvel

para o pêndulo da sur-

presa.

Não se sabe ao certo

- dono de um mundo em rotação

                   verde

rolado no plano pleno de desejos -

a direção

daquele equilibrando a esfera

a fera

         perseguida

Se para a direita

                       ou
para a esquerda

se para trás

                  ou pelo vão

                                     que se arre-

                                                     ganha

 

                                              à frente

(abóbada de igreja livre

para a passagem do andor

com seu santo rotundo)

No frêmito feroz

                      olhos vivos e

                                lentes onduladas

     se congelam no cristal

        da ânsia espectável

          Súbito

          pára

                 e

                    dispara

                        navegante da luz

                          em direção ao corpo

                                                         só-

lido

       num fio evanescente

     de malabarismo alumbrado

 o espectro do clown

                            Parte

com ela

             a esfera

                          a fera

 

aos olhos de espanto

de feras de outra esfera:

                                          Vai

                                     Não        Vai

                                          Foi

 

 

 

RIVELINO – por Aldemir Martins

 

UM CAMINHO PARA ONTEM
[ memórias do Copa de 1950 ]

 

Poema de Antonio Miranda

 

 

Um caminho para ontem, sem volta.

Amanhã é hoje, é nunca.

Uma vaca estacionada na avenida,

eu voando sobre os telhados, luzes,

estantes vazias, mamãe lamentando

aquela existência mínima, estancada.

Meu pai assistindo a luta de boxe

na TV em preto-e-branco.

 

Papai de pijama, o chinelo envergonhado,

havia mais anúncios que programas na TV!

Eu me refugiava no quarto e sonhava;

da janela avistava paredes, desconsolos,

o Maracanã, balões flutuando, chuva.

 

“Chuva me chama, o horizonte é uma

interrogante que ainda vou desvendar”.

Meu pai me levou, ainda adolescente,

ao Maracanã. O Brasil perdeu a Copa!

Meu pai chorou, eu torcia pelo Uruguai.

 

Não entendi porque trocaram de lado,

e continuaram o mesmo jogo, ao contrário.

Ao contrário era eu, ainda adolescente,

beijando-me no espelho, apaixonado.

 

Depois me dividi com os outros.

 

 

 

Cartão postal (Máximo postal filatélico) comemorativo da Copa do Mundo de 1958

                            

A SELEÇÃO

 

Poema de Carlos Drummond de Andrade


Vai Rildo, não vai Amarildo?

Vão Pelé e, que bom. Mané,

o menino gaúcho Alcino

e nosso veterano Dino,

Altair, rima de Oldair,

ecoando na ponta: Ivair,

e na quadra do gol: Valdir.

Fábio, o que não pode faltar,

e também não pode Gilmar,

como, entre os santos dos santos,

o patriarca Djalma Santos,

sem esquecer o Djalma Dias

e, entre mil e uma noites, Dias.

Mas se a Comissão não se zanga,

quero ver, em Everton, Manga.

É canhoto, e daí? Fefeu,

quando chuta, nunca perdeu.

A chance que lhe foi roubada,

desta vez a tenha Parada.

Paraná, invicto guerreiro

para guerrear como aqui, lá.

Olhando pró chão, Jairzinho

é como joga legalzinho.

Não abro mão de Nado e Zito,

nem fique o Brito por não dito.

Ditão, é claro, por que não?

e o mineiríssimo Tostão,

o grande Silva, corintiana

glória e mais o áspero Fontana,

Dudu, Edu... e vou juntando

bons nomes ao nome de Orlando,

para chegar até Bellini

em cujas mãos a taça tine.

Célio, Servílio: suaves eles

já completados por Fidélis.

Edson, Denilson e Murilo,

cada um com seu próprio estilo.

Um lugar para Paulo Henrique

enquanto digo a Flávio: fique!

Com Paulo Borges bem na ponta

eu conto, e sei que você conta.

Na lateral, Carlos Alberto

estou certo que vai dar certo.

Acham tampinha Ubirajara?

Valor não se mede por vara.

Até parece de encomenda:

Leônidas, nome que é legenda.

E se Gérson do Botafogo

entra no campo, ganha o jogo.

Não podia esquecer o Lima

e seu chute de muita estima.

Com tudo isso e mais Rinaldo

e o canarinho de Ziraldo,

quarenta e seis, se conto bem

— um time igual eu nunca vi

em Europa, França e Belém —

que barbada seria o Tri,

hein?

 

(Correio da Manhã, 03-04-1966)

 

Cartão-postal da coleção A.M.

 

INSTALAÇÃO NA SQS 408

 

Poema de Angélica Torres Lima

 

Enforcado um rato

num galho de ipê

com fita

verde-amarela:

 

era o dois

do sete

de dois mil

e seis:

 

Parreira de viúvas

do passo torto

(sem Garrincha perto)

agora rói do fracasso

o osso.

 

Pobre zagueiro

artilheiro

pobre goleiro...

todos te querem

golaço colosso!

 

02.07.2006

 

 

 

LEÔNIDAS, por Rubens Gerchman (gravura)

 

GOL

         Ferreira Gullar


A esfera desce
do espaço
         veloz
ele a apara
no peito
e a para
no ar
         depois
como o joelho
a dispõe à meia altura
onde
iluminada
a esfera
         espera
o chute que
         num relâmpago
a dispara
         na direção
         do nosso
         coração.  

 

7 POEMAS DE SÉRGIO DE CASTRO PINTO

 

PINTO, Sérgio de Castro.  A flor do gol.  São Paulo: Escrituras Editora, 2014. 96 p.  14x20,3 cm.    ISBN 978-85-7531-625-2  Capa: Milton Nóbrega “Sérgio de Castro Pinto”  Ex. na bibl. Antonio Miranda

 

DIDI               

 

       À memória de Elzo Franca, amigo e primo.

 

didi bate a falta com efeito.

o goleiro adversário é puro espanto:

 

vê a bola de couro

me-ta-mor-fo-se-ar-se

 

em uma folha seca

do mais triste outono.

 

a torcida faz a festa.

e a bola não é mais a bola,

a redonda, o balão, a esfera,

não é mais folha seca,

mas a semente, o goivo,

 

a flor do gol explodindo em primavera.

 

 

VAVÁ: O LEÃO DA COPA

 

"Parecia fácil para Schrojt, mas a boina não tapou o sol devida-

mente e, com isso, o goleiro soltou a bola no pé direito de Vavá, que saiu comemorando o ultimo gol no mundial do Chile contra a Checoslováquia".

(Da internet)

 

o sol puxou

os raios

da cabeça

descabelou-se

amarelou

perdeu a cor

ante o brilho

da fulva juba

e da garra afiada

do leão artilheiro

que encandeou

o arqueiro

da Checoslováquia

com fome

de... goooooooollllll!

 

 

 

JAIRZINHO:         

O FURACÃO DA COPA

 

furacão tornado brisa

estufando a rede

do adversário

 

e o peito pátrio da torcida

 

 

LEÔNIDAS

 

ciclista

da bicicleta

que és,

 

abola

pedalas

com os pés

e de ponta-

-cabeça

levitas:

 

beija-flor

que sorve

o néctar do gol

 

e embriaga a torcida.

 

 

GARRINCHA (l)

 

quando garrincha dribla, fica.

o adversário retém

na memória

a imagem da bola

entre os parênteses

das pernas tortas.

quando garrincha dribla, fica.

o adversário crava

na memória

a imagem da bola

qual uma seta

no retesado arco

das pernas tortas.

quando garrincha dribla, fica

o adversário

pra contar a história

de uma camisa

cujo sete às costas

conduzia a bola

qual uma seta

no retesado arco

das pernas tortas.

 

 

GARRINCHA (II)

 

se não driblas, o alajnbrado

é a tela de um viveiro

onde te fazes prisioneiro.

 

se driblas, és um mágico

a liberar os muitos pássaros

do teu nome

 

enquanto os cartolas dão tratos à bola

e te fintam fora do gramado.

 

hoje, onde o pássaro que foste?

 

no ar entre aéreo e sonado

 

com que desfilas as tuas penas

na alegoria de um carro?

 

0s dois poemas sobre Garrincha pertencem ao livro Domicílio em

trânsito e outros poemas. Editora Civilização Brasileira/INL, Rio de

Janeiro, 1983.

 

 

 


VITORIOSO FLAMENGO

         Moraes Moreira*


A gaitinha vai tocar
Como no tempo de Ari Barroso
Pra comemorar mais um gol
Desse meu vitorioso Flamengo
Esse Flamengo de agora
Faz lembrar aquele do tri
Quem conhece a sua história, diz
Assim eu nunca vi

Tem quem jogue com a cabeça
Usando a intuição
E é bom que sempre aconteça
Na hora da decisão
Tem quem tem raça e tem fé
Quem mantém a tradição
E acima de tudo
Rubro-negro de coração

E a galera cana
Flamengo eu sou te fã
Grito de gol levana
Sacode o Maracanã

* Música lançada em 1978 para comemorar a conquista do
campeonato carioca.

 

“OS GIGANTES DA COPA 7O: Rogério, Capitão Coutinho, Parreira, Félix, Joel, Leão, Fontana, Brito, Clodoaldo, Zagalo, Chirol, Mário Américo, Rivelino, Carlos Alberto, Baldocchi, Piazza, Everaldo, Paulo César, Tostão, Marco Antonio, Ado, Edu, Zé Maria, Dario, Gerson, Roberto, Jair, Pelé e Nocaute Jack.  Foto PLACAR. Cartão-postal da col. A.M.  

 

COM CAMISA, SEM CAMISA

 

(Fragmento de poema de
Carlos Drummond de Andrade_

 

 

Daqui por diante vou "sentir" a Copa.

Você, meu irmãozinho, topa? — Topo.

Desisto de ensinar a João Saldanha

o que ele sabe mais do que eu: a manha,

a experiência, a garra, o sentimento

do esporte, no macio e no violento,

enfim, tudo de bravo que lhe invejo.

Sem ele é que a vaca vai pró brejo.

Se todo torcedor se mete a técnico,

o futebol se vira em pirotécnico

show de bombinhas e de busca-pés

que não estouram. Quantos mil Peles

trago no bolso do colete (sem

colete, é claro). Aposto que ninguém

como o papai dirige em sonho, mas

vamos deixar time e Saldanha em paz.

Melhor ajuda quem não atrapalha

o lutador no campo de batalha.
Viva Tostão, Fontana e Rivelino,

viva esse escrete, e que ele jogue fino!

 

 

        (Jornal do Brasil, 14-03-1970)

 

 

PELÉ – por Rubens Gerchman (gravura)

 

COPA DO MUNDO DE 70

 

                    Carlos Drummond de Andrade


I - Meu coração no México

 

Meu coração não joga nem conhece

as artes de jogar. Bate distante

da bola nos estádios, que alucina

o torcedor, escravo de seu clube.

Vive comigo, e em mim, os meus cuidados.

Hoje, porém, acordo, e eis que me estranho:

que é de meu coração? Está no México,
voou certeiro, sem me consultar,

instalou-se, discreto, num cantinho

qualquer, entre bandeiras tremulantes,

microfones, charangas, ovações,

e de repente, sem que eu mesmo saiba

como ficou assim, ele se exalta

e vira coração de torcedor,

torce, retorce e se distorce todo,

grita: Brasil! Com fúria e com amor.

 

                              9 de maio de 1970

 

 

 

 

Cartão postal comemorativo.

 

 

II - Momento feliz

 

Com o arremesso das feras

e o cálculo das formigas

a seleção avança

negaceia

recua

envolve.

É longe e em mim.

Sou o estádio de Jalisco, triturado

de chuteiras, a grama sofredora

a bola mosqueada e caprichosa.

Assistir? Não assisto. Estou jogando.

 

No baralho de gestos, na maranha

na contusão da coxa

na dor do gol perdido

na volta do relógio e na linha de sombra

que vai crescendo e esse tento não vem

ou vem mas é contrário... e se renova

em lesta lesma de replay.

Eu não merecia ser varado

por esse tiro frouxo sem destino.

Meus 11 atletas

são 11 meninos fustigados

por um Deus fútil que comanda a sorte.

E preciso lutar contra o Deus fútil,

fazer tudo de novo: formiguinha

rasgando seu caminho na espessura

do cimento do muro.

 

Então crescem os homens. Cada um

é toda a luta, sério. E é todo arte.

Uma geometria astuciosa

aérea, musical, de corpos sábios

a se entenderem, membros polifônicos

de um corpo só, belo e suado. Rio,

rio de dor feliz, recompensada

com Tostão a criar e Jair terminando

a fecunda jogada.

 

E gooooooooool na garganta florida

rouca exausta, gol no peito meu aberto

gol na minha rua nos terraços

nos bares nas bandeiras nos morteiros

gol

na girandolarrugem das girândolas gol

na chuva de papeizinhos celebrando

por conta própria no ar: cada papel,

riso de dança distribuído

pelo país inteiro em festa de abraçar

e beijar e cantar

é gol legal é gol natal é gol de mel e sol.

 

Ninguém me prende mais, jogo por mil

jogo em Pele o sempre rei republicano

o povo feito atleta na poesia

do jogo mágico.

 

Sou Rivelino, a lâmina do nome

cobrando, fina, a falta.

Sou Clodoaldo rima de Everaldo.

Sou Brito e sua viva cabeçada,

com Gérson e Piazza me acrescento

de forças novas. Com orgulho certo

me faço capitão Carlos Alberto.

Félix, defendo e abarco

em meu abraço a bola e salvo o arco.

 

Como foi que esquentou assim o jogo?

Que energias dobradas afloraram

do banco de reservas interiores?

Um rio passa em mim ou sou o mar atlântico

Passando pela cancha e se espraiando

por toda a minha gente reunida

num só vídeo, infinito, num ser único?

 

De repente o Brasil ficou unido

contente de existir, trocando a morte

o ódio, a pobreza, a doença, o atraso triste

por um momento puro de grandeza

e afirmação no esporte.

Vencer com honra e graça

com beleza e humildade

é ser maduro e merecer a vida,

ato de criação, ato de amor.

A Zagalo, zagal prudente,

e a seus homens de campo e bastidor

fica devendo a minha gente

este minuto de felicidade.

 

                    20 de maio de 1970.

 

GERSON – por Rubens Gerchman (gravura)

BRASIL, ZIL, ZIL


         Moraes Moreira*

 

O povo é que tá dando olé

Bola de pé em pé

Onde ele tá eu tô

Na frente da TV se encanta

E na garganta

Um grito de gol,

A nossa equipe se completa

É campeã é tetra

É a seleção

Deus é um brasileiro nato

E o penta tá no papo

Tá na nossa mão

 

Basta a gente entrar em campo

Receber o santo

O santo de Mané

Reze pra que se revele

No pêlo e na pele

Um novo Pelé

 

Oh meu Brasil

Zil, zil, zil

Arrepia arrasa

Acende essa brasa

Brasil

 

Este samba, feito com Tavinho Paes para

embalar a vitória do Brasil na copa do Mundo

de 2002.

 

 

 

CERIMONIAL

 

          Poema de Luis Turiba

 

Coloquem Imagine na vitrola

retirem—lhe o coração em frangalhos

e enterrem—no enrolado

na bandeira do Flamengo

 

Quanto ao resto

corpo — subproduto da vida

qualquer cerimônia (simples) cabe


Afinal

a morte é sempre um gol de placa

aos 45 minutos

do segundo tempo da existência.

 

No mais: —foi bom ponta-de-lança

 

Comemorem pois

nada disso lhe pertence mais

 

 

TOSTÃO – por Rubens Gerchman (gravura)

 

IMPEDIMENTO

Poema de Eduardo Murta

Sonhei com a Mãe África
Visitei sue sbaús seculares
E lá inda repousavam
Fantasmas dos colonizadores
Ossos sem pelourinho
Bolas jogadas pra escanteio
E a paquidérmica incompreensão humana
Do qué é
Matar no peito

Só me despertem
Quando for
Momento de gol

Extraído de :  ADRIANO MENEZES et al... Belo Horizonte: Scriptum, 2010.

 

 

PELÉ
 
 Poema de José Virgílio Gonçalves


O moleque
dá um breque
e um salamaleque
de mestre-sala.
Mole, mole,
o moleque
desabala.
Ele é pé.
Ele é pele.
P.E.L.E. (soletrar)
O negro Pelé
.

 

no topo
para dj   rappa, Japão e rappin hood

auto-estima é a gente
gostar de gente
como a gente é

ter as pernas tortas do garrincha
ser o sol de bicicleta do Pelé

se olhar no espelho
transformar a dor do porão do navio negreiro
em samba, ragga, rap, dub

perceber que a alegria e a lágrima
de ser negro, mulato, ianomâmi, lusitano
me deixa mais belo, mais zumbi, mais guerreiro

sem auto-estima
não arrumo nem a rima

 

MONUMENTO AO PELÉ – Três Corações, MG
Cartão-postal da Casa José Condino, transformado em Máximo Postal com selo dos Correios de 1985 celebrando o XII Campeonato Mundial de Futebol – México 86. Col. A.M

 

 

 

Cartão postal comemorativo.

 

CANTIGA DO REI PELÉ

  Poema de Affonso Ávila

na era do rei que ainda o é
tudo ao redor dava pé
surfava-se alta maré
subia em bolsa o café
do bolso moeda ao sopé
bahia jorrava e-
tróleo água chovia até
no sertão do canindé
rodovias hidrelé-
tricas eram cré em cré
são bernadro santo andré
da indústria o melhor filé
erguiam em comtrape-
lo aos corvos e à mà fé
no cerrado a fincapé
um sorridente pajé
construía a nova sé
sem servidão ou galé
empregado qualquer zé
tinha onde pôr o boné
prosa de rosa poe-
sia bossa nova re-
finavam toque de axé
mas da galera o evoé
era a alegria do fute-
bol o gol de placa o olé
drible curto de mané
nos johns e o rei da sué-
cia aplaudindo o caburé
milico deu golpe eh eh
pau comeu com chipanzé
depois fodeu a ralé
falastrão com rapapé
ao dos banqueiros curé
fez a globo fricassé
da cultura e a marcha-à-ré
tomou conta do terre-
no traficante à libré
corrupção apagão atché!
agora é ir-se à galilé
da matriz de são josé
e rezar a deus maomé
a outros cultos de javé
ou mesmo no candomblé
que voltem sorriso e fé
ao reino do rei pelé

Extraído de :  ADRIANO MENEZES et al... Belo Horizonte: Scriptum, 2010.

 

          CARTÕES-POSTAIS DE RAÍ E DUNGA, 1994. 
Col. 1994


SONETO PARA O JOGO BRUTO

         Glauco Matttoso


Zagueiro violento, ele é batata:
carrinhos dá por trás, empurra, soca...
Feliz foi o cronista que o retrata:
"pega, em cada enxadada, uma minhoca".

Se falha a marcação com que combata
um ótimo atacante, ele já troca
o jogo limpo pelo pau da pata...
Quem é que, à sua frente, não pipoca?

Caído o centroavante, mete a chanca
na cara do coitado e, na retranca,
seu time vai mantendo o resultado...

Placar que não saiu do zero a zero
e, como falta um árbitro severo,
bem alto o zagueirão ergue o solado...

Cartão pos "inteiro postal" com selo comemorativo.

 

SONETO 50     FUTEBOLÍSTICO

 

         Glauco Mattoso

 

Machismo é futebol e amor aos pés.

São machos adorando pés de macho,

e nesse mundo mágico me acho

em meio aos fãs de algum camisa dez.

 

Invejo os massagistas dos Pelés

nos lúdicos momentos de relaxo,

servindo-lhes de chanca e de capacho,

levando a língua ali, do chão no rés.

 

É lógico que um cego como eu

não pode convocar o titular

dum time brasileiro ou europeu.

 

Contento-me em chupar o polegar

do pé de quem ainda não venceu

sequer a mais local preliminar.

 

 

 

Cartão-postal: Márcio Santos – Copa do Mundo 1994 USA

 

 

SONETO 231     MAJORITÁRIO

 

         Glauco Mattoso

 

 

Mengão ou Coringão, qual a torcida

mais roxa e numerosa do país?

Do verde o que seria, assim se diz,

se fosse do amarelo a preferida?

 

Governo, oposição, qual a medida

que vai quantificar tantos brasis?

A voz que vem das urnas contradiz

a popularidade reduzida.

 

Por mais que façam fé nos fãs ufanos,

o fato é que a torcida corintiana

não é maior que os anticorintianos.

 

Quanto ao poder, o povo não se engana.

Errado vota até por muitos anos.

Um dia, o saco cheio vence a grana.

 

 

 

 

CRUZEIRO : TETRA CAMPEÃO MINEIRO 65-66-67-68.
Cartão-postal da col. A.M.

 

SOLUÇÃO

 

Poema de Carlos Drummond de Andrade

 

 

O papagaio atleticano

não vai calar o gol do Galo,

e não é justo nenhum plano

que tenha em mira silenciá-lo.

 

Evitem, pois, brigas forenses.

Outro projeto, mais certeiro,

aqui proponho aos cruzeirenses:

 

É ensinar: "Gol do Cruzeiro"

 

a um papagaio de igual força.

Haja, entre os dois, uma peleja

em que cada mineiro torça,

e, entre foguetes e cerveja,

 

o papagaio vitorioso

proclamado seja campeão

desse grato esporte verboso

de que sente falta a nação.

 

(Jornal do Brasil, 23/09/1972) 

 

RONALDINHO, por Aldemir Martins

 

 

SONETO 239   CONCENTRADO

 

         Glauco Mattoso

 

 

Nas travas da chuteira já ralei

a língua torcedora e retorcida

depois duma dramática partida

de várzea, onde um Pelé pelejou rei.

 

Subúrbio é futebol de fútil lei:

"vantagem" é seu nome, e se apelida

"do cão", porque não late, e sua mordida

castiga o perdedor menos Dinei.

 

A bola antigamente era de meia,

mas hoje é uma cabeça decepada.

Capar, outra jogada que campeia.

 

Contudo, o estuprador não perde nada.

Aquele que escreveu, agora leia!

Na cela ganha e leva na pelada.

 

 

 

 

PALMEIRAS 1993 – CAMPEÃO PAULISTA
Em pé: Mazinho, Roberto Carlos, César Sampaio, Tonhão, Sérgio, Antonio Carlos. Agachados: Edmundo, Daniel, Evair, Edilson e Zinho. Cartão-postal col. A.M.

 

 

 

SONETO 844    DA PORCENTAGEM

 

         Glauco Mattoso

 

 

Agora todo craque tem "agente",

se não "procurador" ou "empresário",

que o passe lhe leiloa, seu salário

calcula e tira um tanto que o sustente.

 

Contratos têm, às vezes, tanta gente

metendo a mão, que cada proprietário

fraciona sua parte num Romário,

Garrincha ou Ronaldinho adolescente.

 

O pé que chuta mais pertence ao time.

A perna do outro pé fica emprestada

e vale mais se o cara faz regime.

 

A rola entre juízes foi rifada.

A bunda, acostumada a quem a mime,

dois donos tem: papai e a namorada.

 

 

 

Foto: Arquivo pessoal do Zixco

 

GOL ANULADO

         Letra e música: João Bosco / Aldir Blanc


Quando você gritou: Mengo!
No segundo gol do Zico
Tirei sem pensar o cinto
E bati até cansar.

Três anos vivendo juntos
E eu sempre disse contente:
Minha preta é uma rainha
Porque não teme o batente
Se garante na cozinha
E ainda é Vasco doente.

Daquele gol ate hoje
O meu rádio está desligado
Como se irradiasse
O silêncio do amor terminado.

Eu aprendi que a alegria
De quem está apaixonado
É como a falsa euforia
De um gol anulado.


SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE
CAMPEÃO MUNDIAL INTER-CLUBES 1992. BI-CAMPEÃO DA TAÇA LIBERTADORES DE AMÉRICA 92/93.
Cartão-postal. No reverso, reprodução dos autógrafos de todos os jogadores. Col. A.M.

 

UM DIA APÓS O OUTRO

Poema de Leonardo Araújo

Aos quarenta e cinco do segundo tempo
o goleiro vencido, a bola, sempre faceira,
resvala na trava e não entra (todos vêem),
e você diz: "porra, hoje não é meu dia!"
Mas, de repente, ela volta, amiga e redonda,
o goleiro ainda no chão, você bate de novo, altivo,
a bola vai, descreve um belo arco, a rede acolhe,
e você diz: "que gol lingo, porra, mereço!"

Fora do jogo, quando você menos esperqa,
um raio piedoso cai bem ao seu lado
e você, inerte, nada diz (ninguém vê).
Passado o susto, você cai em si e diz,
"esse bateu na trave, porra, que sorte!"
E você segue, nem alegre nem triste,
como se nada tivesse acontecido<
mas com um crto vazio (ou alívio) no peito.


Extraído de :  ADRIANO MENEZES et al... Belo Horizonte: Scriptum, 2010.

 

ZICO
poema visual de
al-chaer
(Goiânia – Goiás)

Fonte: http://portalsg.ne10.uol.com.br/

 

AOS ATLETAS

 

                    Carlos Drummond de Andrade

 

Os poetas haviam composto suas odes

para saudar atletas vencedores.

A conquista brilhava entre dois toques.

Era frágil e grácil

fazer da glória ancila de nós todos.

Hoje,

manuscritos picados em soluço

chovem do terraço chuva de irrisão.

Mas eu, poeta da derrota, me levanto

sem revolta e sem pranto

para saudar os atletas vencidos.

Que importa hajam perdido?

Que importa o não-ter-sido?

Que me importa uma taça por três vezes,

se duas a provei para sentir,

coleante, n.o fundo, o malicioso

Mercúrio de sua perda no futuro?

 

É preciso xingar o Gordo e o Magro?

E o médico e o treinador e o massagista?

Que vil tristeza, essa

a espalhar-se em rancor, e não em canto

ao capricho dos deuses e da bola

que brinca no gramado

em contínua promessa

e fez um anjo e faz um ogre de Feola?

 

Nem valia ter ganho

a esquiva copa

e dar a volta olímpica no estádio

se fosse para tê-la em nossa copa

ternamente prenda de família

a inscrever no inventário

na coluna de mitos e baixelas

que à vizinhança humilha,

quando a taça tem asas, e, voando,

no jogo livre e sempre novo que se aprende,

a este e aquele vai-se derramando.

 

Oi, meu flavo canarinho,

capricha nesse trilo

tanto mais doce quanto mais tranquilo

onde estiver Bellini ou Jairzinho,

o engenhoso Tostão, o sempre Djalma Santos,

e Pele e Gilmar,
qualquer dos que em Britânia conheceram

depois da hora radiosa

a hora dura do esporte,

sem a qual não há prémio que conforte,

pois perder é tocar alguma coisa

mais além da vitória, é encontrar-se

naquele ponto onde começa tudo

a nascer do perdido, lentamente.

 

Canta, canta, canarinho,

a sorte lançada entre

o laboratório de erros

e o labirinto de surpresas,

canta o conhecimento do limite,

a madura experiência a brotar da rota esperança.

 

Nem heróis argivos nem párias,

voltam os homens — estropiados

mas lúcidos, na justa dimensão.

Souvenirs na bagagem misturados:

o dia-sim, o dia-não.

O dia-nâo completa o dia-sim

na perfeita medalha. Hoje completos

sáo os atletas que saúdo:

nas mãos vazias eles trazem tudo

que dobra a fortaleza da alma forte.

 

                              24 de julho de 1966.

 

 



CALANGO VASCAINO


         Letra de Martínho da Vila
          

 

Eu quis namorar a pobre

Pobretão não quis deixar

Só queria moço rico

Pra com ela namorar

 

Eu quis namorar a rica

Henricão não quis deixar

Pois sonhou com moço nobre

Pra com ela se casar

 

Tentei namorar a preta

O negão não quis deixar

Tinha que ser moço louro

Pra eu poder chegar pra lá

 

Tentei namorar a loira

Seu loiro não quis deixar

Tinha que ser bem moreno

. Pra poder miscigenar

 

To sem consolo

Ninguém vem me consolar

Vou cantando meu calango

Que é pra vida melhorar

 

O meu calango

Que é pra vida melhorar

E minha única alegria

E ver meu vasco jogar

 

Minha alegria

É ver o vasco jogar

Eu to cansado de derrota

Mas não vou me entregar

 

É de derrota

Mas não vou me entregar

E se a morte é um descanso

                   Eu não quero descansar.

 

 

Poema visual de LUIS LIMA

 

 


Cartão-postal


O TORCEDOR DO AMÉRICA F. C.

         João Cabral de Melo Neto


O desábito de vencer
não cria o calo da vitória;
não dá à vitória o fio cego
nem lhe cansa as molas nervosas.

Guarda-a sem mofo: coisa fresca,
pele sensível, núbil, nova,
ácida à língua qual cajá,
salto do sol no Cais da Aurora.



ADEMIR DA GUIA

 

         João Cabral de Melo Neto

 

Ademir impõe com seu jogo

o ritmo do chumbo (e o peso),

da lesma, da câmara lenta,

do homem dentro do pesadelo.

 

Ritmo líquido se infiltrando

no adversário, grosso, de dentro,

impondo-lhe o que ele deseja,

mandando nele, apodrecendo-o

 

Ritmo morno, de andar na areia,

de água doente de alagados,

entorpecendo e então atando

o mais irrequieto adversário.

 

 

 

 

Cartão-postal: Branco – Copa do Mundo 1994 USA

 


DE UM JOGADOR BRASILEIRO
A UM TÉCNICO ESPANHOL

 

         João Cabral de Melo Neto

 

Não é a bola alguma carta

que se leva de casa em casa:

 

é antes telegrama que vai

de onde o atiram ao onde cai.

 

Parado, o brasileiro a faz

ir onde há-de, sem leva e traz;

 

com aritméticas de circo

ele a faz ir onde é preciso;

 

em telegrama, que é sem tempo

ele a faz ir ao mais extremo.

 

Não corre: ele sabe que a bola,

Telegrama, mais que corre voa.

 

 

 

Cartão-postal: Mauro Silva – Copa do Mundo 1994 USA

 


 


O FUTEBOL BRASILEIRO
EVOCADO DA EUROPA

 

         João Cabral de Melo Neto

 

A bola não é a inimiga

como o touro, numa corrida;

e, embora seja um utensílio

caseiro e que se usa sem risco,

não é o utensílio impessoal,

sempre manso, de gesto usual:

é um utensílio semivivo,

de reações próprias como bicho

e que, como bicho, é mister

(mais que bicho, como mulher)

 usar com malícia e atenção

 dando aos pés astúcias de mão.

 

 

Cartão-postal: Romário

( POEMA DE NICOLAS BEHR )

 

nem tudo

                                               que é torto

                                               é errado

                                               veja as pernas

                                               do garrincha

                                               e as árvores

                                               do cerrado

 


O ANJO DE PERNAS TORTAS

 

         Vinicius de Moraes

 

 

A um passe de Didi, Garrincha avança

Colado o couro aos pés, o olhar atento

Dribla um, dribla dois, depois descansa

Como a medir o lance do momento.

 

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança

Mais rápido que o próprio pensamento,

Dribla mais um, mais dois; a bola trança

Feliz, entre seus pés – um pé de vento!

 

Num só transporte, a multidão contrita

Em ato de morte se levanta e grita

Seu uníssono canto de esperança.

 

Garrincha, o anjo, escuta e atende: Gooooool!

É pura imagem: um G que chuta um O

Dentro da meta, um L. É pura dança!   

 

 

GARRINCHA x GARRANCHOS... por TT Catalão

 

Cartão Postal “Futebol”, com pintura de Carlito Menezes de Souza, da Terra Postcards, 1998.

EM PRETO E BRANCO

 

       Poema de Álvaro Marcos Teles

 

Não interessam roupas, livros e anseios;

Não quero conversar, ouvir e não leio.

Não importa degustar novos amores;

Nem reviver protagonismo ou rancores.

 

Desprezo ruas, automóveis, casas e casais;

Ignoro empregados, patrões, paletó e aventais.

Se é líquido, ao vivo, sólido ou gravado;

Real, sincero, criativo ou sugestionado.

 

Hoje, só hoje, tenho apenas um pensamento;

É vistoso, alegre, refrescante como o vento.

Hoje quero avistar torcida, saborear o jogo;

Hoje, minha gente, só quero saber do Botafogo.

 

 

 

Cartão-postal

 

ELEGIA PARA UM ANJO

 

       Poema de Pedro Tierra

 

dedicado a Manoel dos Santos

"Garrincha.",  o anjo de pernas tortas
 no dia de sua morte.

 

Alguns se puseram em cortejo

e foram lhe oferecer asas.

asas de múltiplas cores.

asas rubras, brancas,

                                      negras,

asas gris,

                   asas-delta voando

na asa do vídeo.

 

de nada lhe serviriam

asas, a você

que de anjo trabalhara

há tantos anos

— sob os olhos do povo —

no fulgor absoluto

das tardes de domingo

                                      e magia .

 

asas, você usava,

e claras e leves

como voo de garça e pluma,

asas de fogo,

                   aquela que salta na explosão marota

dos colibris.

asas moldadas com penas humildes

de aves domésticas,

                                      cera a carinho.

asas engomadas pela fantasia

de um carnaval pobre

                                      do interior

e coladas magicamente,

com a matéria intensa dos sonhos

sobre suas costas.

e você voou sob o sol dos estádios,

ribalta e labirinto de todos os enganos.

 

Outros lhe trouxeram flores.
pálidas flores formais,
tão distantes da viva invenção
das flores leves
rabiscadas entre as pernas dos laterais
e o delírio de seus irmãos
                                      das gerais.

esquecidos de tantas coisas,
esquecidos de você,

não lhe trouxeram passarinhos.
por isso aqui se vela.
e pesa esse silêncio contrafeito
ou insiste nas bocas
o cadáver de um idioma
que você recusou.
você preferiu o idioma dos canários,
curiós, pintassilgos, sabiás
e outros retalhos do arco-íris
que hoje voam sobre sua ausência.

mergulho
— menino descalço —
nos olhos de meu Povo
e te vejo,
contra a gramática,
como um espelho
agora partido em mil pedaços
que te dividem
                            e dividindo
te multiplicam nos olhos
e na angústia dos 90 minutos
de vida que sempre nos restarão.
90 minutos são o metro que mede a vida.
a tua,
                   a minha,
                                      a vida da multidão.

Nesse espelho humilde
de banheiro público
tua vida reflete a vida
de todos nós

 

                            os passarinhos, os poetas, os bê-
                            bados, vagabundos, inocentes, jo-
                            gadpres, virgens, putas ancestrais
                            — dessa que iniciaram pais e fi-
                            lhos nas artes infinitas de amar
                            e esquecer —, os desempregados<
                            marreteiros, malandros sem eira
                            nem beira, os infelizes.

metido na roupa dos anônimos
você quebrou a vidraça
da consciência dos que esqueceram
o inesquecível:
                            a caprichosa parábola do teu drible.

 

com o astuto nome de
MANOEL DA SILVA
você driblou a morte,
a hipocrisia
e mesmo o amor
dos que te amaram e desamaram
porque são exatamente teus irmãos<

na glória,
                   no inferno intraduzível
do álcool,
                   no esquecimento:
essa ferrugem que rói
noturnamente
nossa alegria e nossas misérias.

 

 

1/83    De Inventar o fogo

 

 

 


Foto: Seleção Brasileira de 1958

 

AQUI É O PAÍS DO FUTEBOL

         Letra e música de Milton Nascimento/ Fernando Bradt

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
Olha o sambão aqui e o país do futebol

O fundo deste país ao longo das avendias
Ambos de terra e grama, Brasil só é futebol
Noventa minutos de emoção e alegria
Esqueça a casa e o trabalho
A vida fica lá fora
E tudo? Fica lá fora
Inferno:? Fica lá fora
As dores? Ficam lá fora.

 

 

Clube Atlético Mineiro “GALO” em cartão postal da Mercator de 1977.

 

GALO

Poema de Adriana Versiani

No princípio era o colo e chorava no berço e tatuava na sombra e amava mais que
a mãe e sobre todas as coisas e antes de mais nada e com todas as palavras,

GALO

No princípio era o verbo e chorava no campo e tatuava nas costas e amava mais
que a Júlia e sobre todas as coisas e antes de mais nada e com todas as palavras.

GALO

No princípio era a bola e chorava na várzea e tatuava na grama e amava mais
que todas as coisas e antes de mais nada e apesar de todas as palavras.


Extraído de :  ADRIANO MENEZES et al... Belo Horizonte: Scriptum, 2010.

 


Foto: Seleção Brasileira de 1970

 

 PRÁ FRENTE BRASIL

          Letra de Miguel Gustavo


Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil
Do meu coração

Todos juntos, vamos
Pra frente Brasil
Salve a Seleção

De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo o Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração.

 



COPA DO MUNDO DE 70
I / MEU CORAÇÃO NO MÉXICO

                Poema de Carlos Drummond de Andrade

Meu coração não joga nem conhece

as artes de jogar. Bate distante

da bola nos estádios, que alucina

o torcedor, escravo de seu clube.

Vive comigo, e em mim, os meus cuidados.

Hoje, porém, acordo, e eis que me estranho:

Que é de meu coração? Está no México,

voou certeiro, sem me consultar,

instalou-se, discreto, num cantinho

qualquer, entre bandeiras tremulantes,

microfones, charangas, ovações,

e de repente, sem que eu mesmo saiba

como ficou assim, ele se exalta

e vira coração de torcedor,

torce, retorce e se distorce todo,

grita: Brasil! com fúria e com amor.

Jornal do Brasil, 09/06/70

 

 

VIOLA (cartão-postal de 1994) / JORGINHO  (cartão-postal de 1994)

 

 

FUTEBOL

         Poema de Carlos Drummond de Andrade


Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas-de-pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
 São vôos de estátuas súbitas,
 desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.

         In Poesia errante

 

JOSÉ SABÓIA, pintura a óleo (1983). Galeria de arte BANERJ.
Cartão-postal.

 

SOLUÇÃO

         Poema de Carlos Drummond de Andrade

O papagaio atleticano
não vai calar o gol do Galo,
e não é justo nenhum plano
que tenha em mira silenciá-lo.

Evitem, pois, brigas forenses.
Outro projeto, mais certeiro,
aqui proponho aos cruzeirenses:
É ensinar: "Gol do Cruzeiro"

a um papagaio de igual força.
Haja, entre os dois, uma peleja
 em que cada mineiro torça,
e, entre foguetes e cerveja,

o papagaio vitorioso
proclamado seja campeão
desse grato esporte verboso
de que sente falta a nação.

         Jornal do Brasil, 23/09/72

 

 

Tafarel. Fonte: http://magnomoreira.blogspot.com.br

GOLEIRO

 

                    Poema de Jorge Alberto Nabut

 

 

ave brava entre as traves

olhares rasgados

leme desatado

bate o goleiro os pés no chão

num impulso de voo

vibram as coxas seus músculos elásticos

rompem as chuteiras a parceria do solo

e no espaço a geometria dos traços

desenha a caligrafia dos braços

a resenha do corpo, seus cálculos

em direção ao voo, ao chute

 

luvas desatadas no azul

tocam a esfera-esfinge

(e a decifram na sua posse bacante)

rompem o risco atarefado da bola

o plano arriscado pelo atacante

 

o speaker tropeça nas palavras, nas surpresas

a torcida engasga o grito de gol

o marcador desativa sua numeração psicodélica

 

flash!

 

permanece o goleiro na foto

no itinerário amoroso

possuindo com fôlego a bola

homem-bola

estirado sobre a tarde amordaçada de domingo

até que sintam os torcedores o bocejo da noite

e calmamente se recolham

aliviada

a torcida abandona o estádio

 

 

 

Edinho, jogador do Fluminense. Fonte:
http://www.sidneyrezende.com



ÁLBUM DE FIGURINHAS

 

Poema de Jorge Alberto Nabut

 

 

I

um pássaro explode ao levantar voo

locutores se metralham com palavras ensurdecedoras

carcaças de chuteiras abrem os ossos à ferrugem

o sol urina urros de fogo

fogueiras ardem e devoram estampas dos jogadores

os vitrais da infância

 

no templo-estádio a violência

encalha o diálogo da bola

 

II

suores e cristais

 

Heleno de Freitas aplica pontapé na caveira/bola

                                                                     - Hamlet?-

 

                 um orixá dança nas pernas de Garrincha

                   na W-3 Bellini ergue o orgulho nacional

                   Zé Sérgio entorna cerveja - sacralidade

                                            ... disfarçado de Jesus

                            mudo Edmundo rima com mundo

                                                                  Edinho

                                                                 Perácio

                                                                  Nunes

                                                                    Viola

                                                                  Gilmar

                                                                      Ado

 

na trajetória do chute

decifro na escalação do time

a invenção do gol

 

 

PONTA DE LANÇA AFRICANO (Umbabarauma)

                                       

                              Jorge Ben Jor

 

Umbabarauma, homem gol

 

Joga bola, joga bola jogador

Joga bola, quero jogar bola, corocondô

Pula, cai, levanta, mete gol

Volta, cabeceia, chuta e agradece

Olha que a cidade toda ficou vazia

Nessa tarde de domingo

Só para lhe ver jogar

 

Umbabarauma, homem gol

 

Joga bola jogador

Joga bola corocondô

 

Rere, rere, rere, rere, jogador

Rere, rere, rere, corocondô

 

Tererê, tererê, tererê, tererê,

Homem gol

 

Umbabarauma,

Quero ver você jogar

Umbabarauma,

quero ver você marcar

 

A galera quer sorrir

A galera quer cantar

A galera tá feliz

Ela quer comemorar

 

Umbabarauma,

Umbabarauma.

 

Umbabarauma,

Quero ver você jogar

Umbabarauma,

Quero ver você marcar

 

Arerê, arerê, arerê babá

Arerê, arerê, arerê babá

 

Ponta de lança africano

Quero ver, quero ver

A rede balançar

 

A galera quer sorrir

A galera quer cantar

A galera tá feliz

Ela quer comemorar

 

Umbabarauma, homem gol

 

 

 

 

IIV CAMPEONATO MUNDIAL DE FUTEBOL
Taça Jules Rimet junho de 1950 Brasil
“Inteiro postal” com selo e carimbo da época
em cartão-postal – cortesia Laboratória]o Torlay. 

 

ODE AOS CAMPEÕES DO MUNDO

 

               Poema de Manoel Caetano de Mello

 

Maracanã em 50, anfiteatro da derrota de um povo,

que para ali acorrera a assistir ao embriago dos nossos,

enquanto ouviam no rádio os milhões o correr da[partida

Apoteose transferia nas lágrimas tristes e palmas

aos vencedores e bravos guerreiros da equipe uruguaia

 

58 de novo nos leva ao calor da disputa

agora em campos molhados da lousa Suécia que encanta

Primeiro a Áustria vencida, depois a Inglaterra não cede,

e o empate premia o poder das esquadras em luta

Foram baldados os esforços dos nossos, a rede está incólume,

porque MacDonald, o arqueiro, os potentes disparos apara

 

Mas o astucioso Feeola com a Rússia coloca Pelé,

cuja presença agressiva incentiva os dois goals de Vavá

e abre com génio o caminho das redes do arqueiro galês

 

Por esse tempo a fama dos nossos correra a Europa

e no Brasil outro vinho de vida reanima esta gente

(que não se deixa embriagar, com a lembrança das mágoas passadas

 

Para a partida com a França Gilmar que ainda era invencível

baqueia aos pés de Fontaine, porém os brasileiros respondem

e no final obtêm a vitória que os francos abate

 

Vem afinal a partida que o cetro do mundo dará

O adversário ainda invicto é a própria Suécia que encanta

que comparece com o Rei e incentiva os heróis da peleja

e mal começa a partida os- suecos conseguem o objetivo

roas sem desânimo os nossos se lançam à. dura batalha

as flechas correm no campo (em camisas de verde e amarelo

 

Este é Garrincha que dribla em tropel, o "Manoel Pernas Tortas",

e lança um tiro a Vavá que .acompanha o perfil do horizonte

logo em corrida o avante arremessa e é "gôôôôôl... de Vavá" !

(Ao pé do rádio estes olhos as lágrimas choram com honra

 

O mesmo lance se segue e outro goal o avante consegue

e os noventa minutos os atletas morenos consagram

O arauto Nelson sob a forma do velho Nesíor justifica

essa conquista dos louros mundiais: "De Didi não pendia

a camiseta dos outros, mas via-o vestido de manto

de imperador etíope de rancho em passeio triunfal".

 

Glória a Santos, o Nilton, o Djalma, e Orlando, e Zagalo,

Vavá, Garrincha, Gilmar, e Pele, o dos chutes alados,

Zito, Didi e Hideraldo Bellini, o domador de cavalos,

e aos outros todos que antes com alma também porfiaram
ou construíram o espetáculo com amor, pelos seus bastidores

 

São os heróis brasileiros que deram-nos esta vitória
que foi gerada entretanto nas dores do Maracanã

 

                                                                     Rio, 1958

 

 

RONALDO  (cartão-postal de 1994) Jogador do ano FIFA 1996

 

 

CORDEL DO FUTEBOL (Breve Introdução)
 

   GUSTAVO DOURADO
 
Pelé, Garrincha, Didi
São gênios do futebol
Ronaldo e Ronaldinho
São estrelas do arrebol
Futebol multipoesia:
Gira a bola como um sol...
 
Garrincha feito o Brasil
Com suas contradições
O craque de pernas tortas
Fez fluir mil emoções
Alegrou nosso Brasil
Balançou os corações...
 
Enciclopédia do Futebol
Nilton Santos genial
Heleno, Zagalo e Gérson
Jairzinho sem-igual...
A folha seca de Didi:
Foi lance fenomenal...
 
Friedenreich...Quarentinha
Vavá, Zico e Givanildo
Rivelino, Edu, Zizinho
Rivaldo, Tostão e Rildo
Bebeto, Pepe, Romário
Carlos Alberto...Amarildo
 
Zito, Roberto, Dario
Flávio, Dirceu e Reinaldo
Leônidas e Ademir
Manga, Dida e Everaldo
Roberto Carlos...Cafú:
E o mestre Clodoaldo...
 
Pelé Rei do Futebol
Não nascerá outro igual
Fez com a bola alquimia
Samba, tango e carnaval
Com Garrincha faz a dupla:
No Estádio Universal...


 www.gustavodourado.com.br

 

Cartão-postal "Brasil - Honuras", impresso em Madri pela Gráfica 3-O., década de 80 do século XX.

FUTEBOL, POIS É...

 

    Poema de Antonio Miranda

 

Lá vem a ala das baianas,

das sotainas,  pais-de-santo,

lá vem a comissão de frente,

bispos, ministros, parentes,

personagens sinistros,

crentes.

A pátria de chuteíras,

de cócoras,

descendo a ladeira,

dando rasteira, capoeira.

Nossa Senhora de Aparecida!

Padre Cícero!

Rei Pelé!

 

 

(fragmento do livro-poema Brasil, Brasis,
Brasília: Thesaurus, 1999.  p. 16)

 


Cartão-postal "Brasil - Chile", impresso em Madri pela Gráfica 3-O., década de 80 do século XX.

 

CÍRCULO VICIOSO

 

Bailando sem jogar, gemia o Macalé:

— Quem me dera que fosse o preto Moacir,

que vive no Flamengo, estrela a reluzir!

Mas a estrela, fitando em Santos o Pelé:

— Pudesse eu copiar o bom praça de pré,

um cobra que jamais encontrará faquir,

sempre a driblar, a ir e vir, chutando a rir!

Porém, Pelé, fitando o mar sem muita fé:

— Ah se eu tivesse aquela bossa de tourada

que faz de qualquer touro o joão de seu Mané!

Mas o Mané deixando, triste, uma pelada:

—Pois não troco Pau Grande por Madri, Pelé,

e mesmo o Botafogo muito já me enfada...

Por que não nasci eu um simples Macalé?

 

Paulo Mendes Campos

 

 

Cartão postal com imagem do Kaká
oficial d Realmadrid, edição Grupo ERIK.

 

É Uma Partida de Futebol

 

(Nando Reis / Samuel Rosa)

                

Bola na trave não altera o placar

Bola na área sem ninguém pra cabecear

Bola na rede pra fazer um gol

Quem não sonhou ser um jogador de futebol?

 

A bandeira no estádio é um estandarte

A flâmula pendurada na parede do quarto

O distintivo na camisa do uniforme

Que coisa linda, é uma partida de futebol

 

Posso morrer pelo meu time

Se ele perder, que dor, imenso crime

Posso chorar se ele não ganhar

Mas se ele ganha, não adianta

Não há garganta que não pare de berrar

 

A chuteira veste o pé descalço

O tapete da realeza é verde

Olhando para bola eu vejo o sol

Está rolando agora, é uma partida de futebol

 

O meio campo é o lugar dos craques

Que vão levando o time todo pró ataque

O centroavante, o mais importante

Que emocionante, é uma partida de futebol

 

O goleiro é um homem de elástico

Só os dois zagueiros tem a chave do cadeado

Os laterais fecham a defesa

Mas que beleza é uma partida de futebol

 

 

 

Cartão postal do BEBETO, caricatura

 

Voa Canarinho

 

          (Nono / Memeco)

 

Voa, canarinho voa

Mostra pra esse povo que és um rei

Voa, canarinho voa

Mostra lá na França o que eu já sei

Verde, amarelo, azul e branco

Forma o pavilhão do meu país

O verde toma conta do meu canto

Amarelo, azul e branco

Fazem meu povo feliz

E o meu povo toma conta do cenário

Faz vibrar o meu canário

Enaltece o que ele faz

Bola rolando e o mundo se encantando

Com a galera delirando

Toma aí e quero mais

 

 

Cartão postal do PELÉ, edição italiana da
La Gazzetta dello Sport, propaganda da MIM]TI DEL CALCIO


Pra Frente Brasil

(Miguel Gustavo)

 

Noventa milhões em ação

Pra frente Brasil

Do meu coração

 

Todos juntos, vamos

Pra frente Brasil

Salve a Seleção

 

De repente é aquela corrente pra frente

Parece que todo o Brasil deu a mão

Todos ligados na mesma emoção

Tudo é um só coração

 

 

Cartão postal com caricatura de MAURO SILVA

 

O Futebol

 

(Chico Buarque)

 

Para estufar esse filó

Como eu sonhei

Só se eu fosse o Rei

Para tirar efeito igual

Ao jogador

Qual compositor

Para aplicar uma firula exata

Que pintor

Para emplacar em que pinacoteca, nega

Pintura mais fundamental

Que um chute a gol

Com precisão

De flecha e folha seca

 

Parafusar algum João

Na lateral

Não, quando é fatal

Para avisar a fita enfim

Quando não é

Sim, no contrapé

Para avançar na vaga geometria

O corredor

Na paralela do impossível, minha nega

No sentimento diagonal

Do homem-gol

Rasgando o chão

E costurando a linha

 

Parábola do homem comum

Roçando o céu

Um senhor chapéu

Para delírio das gerais

No coliseu

Mas, que rei sou eu?

Para anular a natural catimba

Do cantor

Paralisando esta canção capenga, nega

Para captar o visual

De um chute a gol

E a emoção

Da ideia quando ginga

 

(Para Mane para Didi para Mane

Mane para Didi para Mane

para Didi para Pagão

para Pele e Canhoteiro)

 

 

Cartão postal do KAKÁ, propaganda do
Santander Banespa (Jokerman Postais Publicitários)

 

Um a Um

 

(Carlinhos Brown / Mansa Monte / Arnaldo Antunes)

 

Eu não quero ganhar

Eu quero chegar junto

Sem perder

Eu quero um a um

Com você

No fundo não vê

Que eu só quero dar prazer

 

Me ensina a fazer

Canção com você

Em dois

Corpo a corpo

Me perder
Ganhar você

 

Muito além do tempo regulamentar

 

Esse jogo não vai acabar

Ê bom de se jogar

Nós dois

Um a um

 

 

Cartão postal de RONALDINHO GAUCHO, propaganda do
Santander Banespa (Jokerman Postais Publicitários)

 

Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)

 

          (Jorge Benjor)

 

Umbabarauma

Homem gol

 

Joga bola, joga bola

Corocondô

Joga bola, joga bola

Jogador

 

Pula, pula

Cai, levanta

Sobe e desce

Corre, chuta, abre espaço

Vibra e agradece

 

Olha que a cidade

Toda ficou vazia

Nessa tarde bonita

Só pra te ver jogar

 

Joga bola

Jogador

Joga bola

Corocondô

Rere, rere, rere

Jogador

Rere, rere, rere

Corocondô

Tererê, tererê, tererê, tererê

Homem gol

 

Esta é a história de Umbabarauma

O ponta-de-lança africano

O ponta-de-lança decidido

Umbabarauma 

 

 

Estilingue Ronaldinho, de Rubens Gerchman. 

 

 

Cartão postal de RONALDO, propaganda do
Santander Banespa (Jokerman Postais Publicitários)

 

Aqui é o Pais do Futebol

 

          (Milton Nascimento / Fernando Brant)

 

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão aqui é o pais do futebol

 

O fundo deste país ao longo das avenidas

Ambos de terra e grama. Brasil só é futebol

Noventa minutos de emoção e alegria

Esqueça a casa e o trabalho

A vida fica lá fora

E tudo? Fica lá fora

Inferno? Fica lá fora

As dores? Ficam lá fora

 

 

Cartão postal homenagem ao estádio do Maracanã
da MARACANÃ FASHION DESIGN

 


Beto Bom de Bola

 

          (Sérgio Ricardo)

 

Como bate batucada

Beto bate bola

Beto é o bom da molecada

E vai fazendo escola

Tira de letra a pelada

Com bola de meia

Disse adeus a namorada

A lua é bola cheia

A cigana viu azar

E Beto não deu bola

E aceitou a proteção

Do primeiro cartola

Nas manchetes de jornal

Bebeto entrou de sola

Extra!

Um novo craque nacional

Bebeto, bom de bola

 

É, é, é ou não é?

Bebeto bom de bola

 

E foi pra Copa buscar a glória

E fez feliz a nação no maior lance da história

Atenção! Beto com a bola

Avança o furacão

Zero a zero no placar

E grande a confusão

Vai levando a Leonor

Rompendo a marcação

Driblou dois e agora invade

A zona do agrião-

Deu um chute na canela

E vai parar no chão

Se levanta inda com a bola

Domina o balão

Capengando dribla o beque

Que petardo, ..pimba

Gooooooool!

E foi beijar o véu da noiva

Brasil campeão!

 

É, é, é ou não ê?

Brasil, bi-campeão!

 

E foi-se a Copa e foi-se a glória

E a nação se esqueceu do maior craque da história
Quando bate a nostalgia

Bate noite escura

Mãos no bolso e a cabeça

Baixa, sem procura

Beto vai chutando pedra

Cheio de amargura

Num terreno tão baldio

Quanto a vida é dura

Onde outrora foi seu campo

De uma aurora pura

Chão batido, pé descalço

Mas sem desventura

Contusão, esquecimento

Glória não perdura

Se por um lado o bem se acaba

O mal também tem cura

 

É, é, é ou não é?

O mal também tem cura

 

Homem não chora por fim de glória

Dá seu recado enquanto durar sua história

 

 

Cartão postal de CAFÚ, propaganda do
Santander Banespa (Jokerman Postais Publicitários)

 

 

Samba e Futebol

 

          (Sérgio Santos / Paulo César Pinheiro)

 

Quem é bom de samba é que nem craque de futebol

Acaba com a marcação quando pega na bola

Balança que vai, mais não vai, dribla dois, dá lençol

E bota o parceiro na cara do gol

 

Um samba bem feito é que nem dar um show na final

Tocando com jeito entre as pernas de quem vem de sola

Mandando no peito de quem põe no chão, mete o pau

E faz gol de bico e sacode a geral

 

O samba tá nos pés de Zicos e Pelés

Virou camisa 10 da seleção    

E a ginga de Mane Garrincha, então?

É o samba mais puro que vem do coração

Quem é bom de bola e quem é bom de samba

Tem muito orgulho de ser campeão

 

Quem é bom de bola, também é bom de samba

Quem é bom de samba, também é bom de bola

Quem pega na bola e é bom já nasce bamba

E o craque no samba não aprendeu na escola

 

 

 

Cartão postal de ROBINHO, propaganda do
Santander Banespa (Jokerman Postais Publicitários)

 

Balé de Berlim

 

           (Gilberto Gil)

 

Nossa seleção chega a Berlim

Numa perna só

Moleque saci

Uma perna só jogando por tantos milhões

De corações de curumins

Uma perna só pra tantos olhos e pulmões

Tantos estômagos e rins

Tantos fígados

 

Nossa seleção chega a Berlim

Traz um protetor

Senhor do Bonfim

Traz um protetor no amor que integra essa nação

Amor de pai, de mãe, de irmão

Traz um protetor no amor ao mar, amor ao sol

Amor aos dias de verão

E o carnaval

 

O carnaval não mata a fome

Nem mata a sede o São João

Mas nem só de pão vive o homem

Por isso viva a seleção

 

Nossa seleção chega a Berlim

Perder ou ganhar

Será sempre assim

Será sempre a vibração no ar, no ar o ardor

Meu coração de torcedor

Guardará sempre a lembrança de uma ilusão

E o nome de um jogador

 

Beckenbauer

Bauer

Barbosa 

Bobo

Bobby Charlton

Puskas

Bellini

Eto'o

 

Viva Pele!

Viva Mane!

 

 

 

Cartão postal de ROBERTO CARLOS, propaganda do
Santander Banespa (Jokerman Postais Publicitários)

 

Eu Quero Ver Gol

 

(Falcão / Xandâo / O Rappa)

 

Batuque, balanço, swing, praia e carnaval

Hoje no pé do morro tem ensaio geral

Eu quero ver gol, eu quero ver gol

Não precisa ser de placa, eu quero ver gol

 

Dois dias sem dormir chega domingo de manhã

Fica difícil passar sem um banho de mar

Tem a distância, a lotação, tumulto e então

To no Favelinha, peguei fora da linha

Méier-Copacabana até o bonde real

No ponto final o rebu é total

Pular pela janela pró bonde é normal

Zuando no asfalto, zuando na areia

Quando chegar na agua vou me acabar

Quando chegar na água, jacaré o que vai dar

 

Porque eu quero ver gol, eu quero ver gol

Não precisa ser de placa, eu quero ver gol

 

Tem limão, tem mate, melancia fatiada

O Globo sal e doce. Dragão Chinês

To no rango desde das 2 e a lombra bateu

O jogo é às 5 e eu sou mais o meu

To com a geral no bolso e garanti o meu lugar

Vou torcer, vou xingar, pró meu time ganhar

 

 

 

Cartão Postal comemorativo do Bicampeão
PALMEIRAS 93 – 94

 

Reis da Bola

 

          (Pepeu / Morais / Galvâo)

 

Esses onze aí, esse onze aï

Esses onze aí, esse onze aí

 

Vem do jogo de rua, da bola de meia

É anos e anos de futebol

Correndo na veia, sabe o que é

Fazer que vai por aqui

Como uma flecha passou

 

É o drible, é Jair

É o drible, é Jair aí

E pulo, abraço e beijo

É todo mundo louco

 

É água, é água, é água

É água de coco

É fé, é raça, é crânio

É todo mundo louco

 

Brasil brincou, é bola no filó

Brasil brincou, é bola no filó

São os reis da bola

Garantindo alegria

O seu povo sabe o que é

Fazer que vai por aqui

Como uma flecha passou

 

Tudo isso por que

Somos da terra

Do Rei Pelé 

 

       

“Máximo-postal” (postal, selo comemorativo e carimbo dos Correios)
            de celebração do TETRACAMPEÃO DO MUNDO

 

Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora

 

          (Galvão / Moraes Moreira)

 

Desde lá

Quando me furaram a primeira bola no meio da rua

Na minha terra, quer dizer. Juazeiro

Onde se dá o mesmo, tem pituaçú

 

Ho ho ho

A vizinha tem vidraças?

Tem, sim sinhô

 

Aos meus olhos bola, rua, campo

Sigo jogando porque eu que sei o que sofro

E me rebolo para continuar menino

Como a rua que continua uma pelada

Que a vida que há do menino atrás da bola

 

Pára carro, pára tudo

Quando já não há tempo

Pára pito, pára grito

E o menino deixa a vida pela bola
Só se não for brasileiro nessa hora

 

 

 

Cartão-postal

 

Meio-de-Campo

 

                 (Gilberto Gil)

 

Prezado amigo Afonsinho

Eu contínuo aqui mesmo

Aperfeiçoando o imperfeito

Dando um tempo, dando um jeito

Desprezando a perfeição

Que a perfeição é uma meta

Defendida pelo goleiro

Que joga na seleção

E eu não sou Pele nem nada

Se muito for, eu sou um Tostão

Fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão

 

 

Texto bordado em torno da peça: ... Quando eu era pequeno meu pai me

levava sempre pra ver ele jogando no campinho. O sonho do meu pai era ser

jogador de futebol.. Ai ele morreu com um tiro da polícia, na guerra do morro.

— Tava vindo do trabalho... Nunca mais eu quis saber de futebol, de mais nada.

Cresci revoltado, sangue frio, entrei pró crime... Meu pai era tudo pra mini...

Baseado no depoimento de adolescente internado em instituição por infringir as leis (RJ)


Cartão-postal

 

 

E o Juiz Apitou

 

   (Wilson Baptista / António Almeida)

 

Eu tiro o domingo para descansar

Mas não descansei

Que louco fui eu

Regressei do futebol

Todo queimado de sol

O Flamengo perdeu

Pro Botafogo
Amanhã vou trabalhar

Meu patrão é Vascaíno

E de mim vai zombar

 

Foram noventa minutos

Que eu torci como louco

Até ficar rouco

Nandinho passa a Zizinho

Zizinho serve a Pirilo

Que preparou pra chutar

Aí o juiz apitou

O tempo regulamentar

Que azar!



Cartão-postal

 

Rei do Futebol

 

          (Wilson Baptista / J. de Castro)

 

Brasil, Brasil, terra do samba e do sol

Foi no peito e na raça

Tu és o rei do futebol: 5 a 2

Didi, Pele, Vavá

Garrincha, Zagallo e Gilmar

Onze professores

Souberam vencer com ardor.

Brasil chegou a hora de mostrar ao mundo seu valor



Cartão-postal

 

Fio Maravilha

 

          (Jorge Benjor)

 

Foi um gol de anjo

Um verdadeiro gol de placa

Que a magnética agradecida assim cantava

 

Fio maravilha nós gostamos de você

Fio maravilha faz mais um pra gente ver

 

E novamente ele chegou com inspiração

Com muito amor, com emoção, com explosão e gol

Sacudindo a torcida aos trinta e três minutos

Do segundo tempo

Depois de fazer uma jogada celestial em gol

Tabelou, driblou dois zagueiros

De um toque e driblou o goleiro

Só não entrou com bola e tudo

Porque teve humildade em gol

Foi um gol de classe

Onde ele mostrou sua malícia e sua raça

Foi um gol de anjo

Um verdadeiro gol de placa

Que a galera agradecida assim cantava

 

Fio maravilha nós gostamos de você

Fio maravilha faz mais um pra gente ver

 

 



Cartão-postal

 

 

Calango Vascaino

 

    (Martinho da Vila)

 

Eu quis namorar a pobre

Pobretão não quis deixar

Só queria moço rico

Pra com ela namorar

 

Eu quis namorar a rica

Henricão não quis deixar

Pois sonhou com moço nobre

Pra com ela se casar

 

Tentei namorar a preta

O negâo não quis deixar

Tinha que ser moço louro

Pra eu poder chegar pra lá

 

Tentei namorar a loira

Seu loiro não quis deixar

Tinha que ser bem moreno

Pra poder miscigenar

 

To sem consolo

Ninguém vem me consolar

Vou cantando meu calango

Que é pra vida melhorar

 

O meu calango

Que é pra vida melhorar

E minha única alegria

É ver meu vasco jogar

 

Minha alegria

É ver o vasco jogar

Eu to cansado de derrota

Mas não vou me entregar

 

É de derrota

Mas não vou me entregar

E se a morte é um descanso

Eu não quero descansar



Cartão-postal

 

Zagueiro

 

 (Jorge Benjor)

 

Arrepia zagueiro, zagueiro

Limpa a área zagueiro, zagueiro

Sai jogando zagueiro, zagueiro

 

Ele é um bom zagueiro

É o anjo da guarda da defesa

Mas para ser um bom zagueiro

Não pode ser muito sentimental

Tem que ser sutil e elegante

Ter sangue frio acreditar em si e ser leal

 

Zagueiro tem que ser malandro

Quando tiver perigo com a bola no chão

Pensar rápido e rasteiro

Ou sai jogando ou joga a bola pró mato

Pois o jogo é de campeonato

 

Tem que ser ciumento e ganhar todas a divididas

E não deixar sobras pra ninguém

Tem que ser o rei o dono da área

Nessa guerra maravilhosa de 90 minutos

De 90 minutos

Zagueiro



Cartão-postal

 

Brasil Campeão

 

        (Pepeu Gomes / Moraes Moreira)

 

Parece uma dança

Nos pés da esperança

Uma balão de couro

Baila, baila

 

Seleção de ouro

Nos campos da Itália

Vai lá, não vacila

Baila, baila, brilha

 

A dona da arte na competição

É moda chapa arte nossa seleçâo

Já dizem até que Deus é brasileiro

E torce pelo nosso time

Por isso é que o mundo inteiro

Treme, treme, treme

 

Em Roma vai dar Romano

Você precisa aprender

No ABC de Bebeto e Careca

Tem gol de letra, vem ver

O nosso time é completo

E haja coração

Anos noventa, dois mil

Eu quero ver Brasil

Brasil campeão

 

Deixa baixar o Nero

Vem pegar fogo, Nero

No jogo, na vida inteira

É fogo torcida brasileira

 

 

VEJAM TAMBÉM O CORDEL DO NANDO:

http://tributoaocordel.blogspot.com.br/2011/12/cordel-doutor-socrates-um-jogador.html
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/um-poema-para-o-dr-s-crates
http://velhaguardacarloskluwe.blogspot.com.br/2012/02/poesia-necessaria-xvi-socrates.html
http://carcara-ivab.blogspot.com.br/2011/12/um-poema-para-o-dr-socrates.htmlhttp://tributoaocordel.blogspot.com.br/2011/12/cordel-doutor-socrates-um-jogador.html
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http://velhaguardacarloskluwe.blogspot.com.br/2012/02/poesia-necessaria-xvi-socrates.html
http://carcara-ivab.blogspot.com.br/2011/12/um-poema-para-o-dr-socrates.html

 

 

“MOTIVOS DO RIO DE JANEIRO – FUTEBOL”
Óleo sobre tela 2,30x3,65 m . Autor: MERCIER, Acervo BANERJ. Cartão-postal col. A.M.

 

CÍRCULO VICIOSO

 

Vagando sem ganhar, dizia o vagabundo:

—“Quem me dera que eu fosse aquela loura Estela,

Que os homens pagam tanto para nua vê-la!”

Mas a Estela, mostrando um ciúme profundo:

—“Pudesse eu copiar o meu parente Edmundo,

Craque famoso, cobra que, a fazer tabela,

Contempla, suspiroso, a glória amada e bela!”

Mas Edmundo, fintando e indo à linha de fundo:

—“Mísero! tivesse eu uma verde-amarela

Faixa de Presidente: poder, mando, o mundo!!!...”

E o Presidente, com descrença e voz singela:

—“Pesa-me muito, muito, o cargo nauseabundo...

Enfara-me esta vida cheia de cautela...

Por que não nasci eu um simples vagabundo?”

 

Napoleão Valadares

 

 

COMETA

 

O mundo quis ver Halley desta vez.

Disseram tanto que era um esplendor

maior que a lua e que tinha a “tez”

brilhante e viva de astro encantador.

Mas ele, errante e zombeteiro, fez

dos homens bobos. Veio e foi-se, a pôr

olhos ansiosos numa luz sem cor,

frustrados com a sua pequenez.

É que Garrincha, lá no céu, feliz,

tendo saudade dos estádios, quis

vir no cometa. E o velho ponteiro,

olhando cá na terra a multidão,

fez que veio e voltou. “— É tudo joão.”

E driblou novamente o mundo inteiro.

 

Napoleão Valadares

 

 

Poema visual extraído de:

CUNHA, Leo.  XXII!!! 22 brincadeiras de linhas e letras.  Ilustrações Graça Lima, Bruno Gomes, Reinaldo Lee.  São Paulo: Paulinas, 2003.  s.p.   (Coleção livros divertidos)   17X16,5 cm.  ISBN 85-356-1037-5   Col. A.M. 

 

MÁRCIO SAMPAIO
POEMA PARA DARIO – 1972

(Dario, “peito-de-aço”, artilheiro, camisa 9 do Clube Atlético Mineiro). Futebol e Poesia

 

SONETO ESPORTIVO

 

        por  Charles Gentil

                

 

O jogo o tal juiz jura que apita

Palpita da torcida o coração

Persegue o jogador e assim irrita

Encena mesmo a dar até cartão

 

Isento da isenção ! Árbitro péssimo !                       

O jogo só no campo é bem jogado

Apela o tal juiz a cada décimo

De tempo que no tempo é renovado

 

A bola quando joga o tal juiz

É mero, meritíssimo, detalhe !.

Engana com apito e diz-que-diz

 

Tal árbitro tirano que só veta

No jogo ao jogador que quer que falhe

Mas, Gooool !!!, belo gingado, que poeta!

 

 

DE TRIVELA

    Poema de ANTONIO CARLOS LUCENA (TOUCHÊ
    Ilustração Flávio Del Carlo_

Linguiça
o craque do campinho
alisa a pelota
como sua vida
                com todo o cuidado.

Sempre gingando
no ass
édio dos beques
e driblando
a fome, o sufoco
e (sobre) vivendo
nos gols de placa.
 

COPA DO MUNDO DE 2014 NO BRASIL

 

Foto: http://www.arquivos.diariodeararuna.com.br/ . Fonte: http://noticias.bol.uol.com.br/

Neymar sem camisa.., vestir a camisa da Seleção.



Salvador – Belo Horizonte - Natal

 

A NÍVEL DE

 

          João Bosco e Aldir Blanc

 

Vanderley e Odilon

São muito unidos

E vão pró Maracanã

Todo domingo

Criticando o casamento

E o papo mostra

Que o casamento anda uma bosta...

 

Yolanda e Adelina

São muito unidas

E se fazem companhia

Todo domingo

Que os maridos vão pro jogo.

Yolanda aposta

Que assim a nível de proposta

O casamento anda uma bosta

E Adelina não discorda.

 

Estruturou-se um troca-troca

E os quatro: hum-hum... oquêi... tá bom... é...

Só que Odilon, não pegando bem a coisa,

Agarrou o Vanderley e a Yolanda ó na Adelina.

 

Vanderley e Odilon

Bem mais unidos

Empataram um capital

E estão montando

Restaurante natural

Cuja proposta

E cada um come o que gosta.

 

Yolanda e Adelina

Bem mais unidas

Acham viver um barato

E pra provar

Tão fazendo artesanato

E pela amostra

Yolanda aposta na resposta.

E Adelina não discorda

Que pinta e borda com o que gosta.

 

E positiva essa proposta

De quatro: hum-hum... oquêi... tá bom... é...

Só que Odilon

Ensopapa o Vanderley com ciúme

E Adelina dá na cara de Yoyô...

Vanderley e Odilon

Yolanda e Adelina
Cada um faz o que gosta

E o relacionamento... continua a mesma bosta!

 



Curitiba – Fortaleza - Cuiabá

 

GOLEIRO (EU VOU LHE AVISAR)

 

                    Jorge Ben Jor

 

Eu vou lhe avisar

Goleiro náo pode falhar

Não pode ficar com fome

Na hora de jogar

Senão, um frango aqui, um frango ali,

Um frango acolá

 

Já vai tarde mais um articulador respeitado

Com a autoridade baleada,

O peso do destino

Na mira da lei, na marca do penalty

O fim de um charm,

Discreto e nublado

Trivial

Alguém esqueceu a bola de cristal

 

Que delícia de malícia a espera da guerra

Ele sonha com o paraíso

E tenta a sorte nos números,

Pensando nela

Disposto a tudo, bate cabeça,

Bate tambor       

Numa trama milionária e perigosa

Ele quer o Jardim do Éden

Trivial

Novamente esqueceram a bola de cristal

 

Eu vou lhe avisar

Goleiro não pode falhar

Não pode ficar com fome

Na hora de jogar

Senão, um frango aqui, um frango ali,

Um frango acolá

 

 

 

Porto Alegre – São Paulo - Recife

GOL!

 

Armando Freitas Filho

 

Sol de um segundo

no último minuto

no alto do campo adverso

vaindo na grama do combate.

Mata, queima e fura

o alvo do dia inimigo

que não consegue nascer

sair do zero, da sombra

da nuvem que cobre

o centro, o contra-ataque

do coração contrário

agônico e calado

cercado de gritos.

 



Brasília – Manaus – Rio de Janeiro

MARACANÃ

 

                 Armando Freitas Filho

 

O círculo cinza

cinge o campo:

cinto de ferro

abraço de pedra.

Curvas calculadas

no cimento: cruas

marquises marcadas

as rampas se arrumam.

Rimas ritmos rumos

rodeiam o estádio

estático à escuta:

elipse sem lapso

degraus granulados

de concreto armado.

Plantadas a prumo

as multidões aturdidas

as torcidas em tumulto

no atordoante alvoroço

na balbúrdia de brados

na batalha de braços

bandeiras e bocas

desfraldadas, abertas.

O gramado se franze

inflama as arqui

bancadas balançam

as flâmulas ágeis

com a ginga do jogo

que gera um gesto

geral um grito — gol!

 

 

 

Detalhe do CARTAZ da exposição ENTRE COPAS ARTE BRASILEIRA 1950-2014, no Museu Nacional da República, curadoria de Wagner Barja, de 11 de junho a 27 de julho de 2014.



MAIS POEMAS DE

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

FUTEBOL

 

Futebol se joga no estádio?

Futebol se joga na praia,

futebol se joga na rua,

futebol se joga na alma.

A bola é a mesma: forma sacra

para craques e pernas de pau.

Mesma a volúpia de chutar

na delirante copa-mundo

ou no árido espaço do morro.

São voos de estátuas súbitas,

desenhos feéricos, bailados

de pés e troncos entrançados.

Instantes lúdicos: flutua

o jogador, gravado no ar

— afinal, o corpo triunfante

                         da triste lei da gravidade.

 

(De Poesia errante)

 

 

 

FOI-SE A COPA?

 

Foi-se a Copa? Não faz mal.

Adeus chutes e sistemas.

A gente pode, afinal,

cuidar de nossos problemas.

 

Faltou inflação de pontos?

Perdura inflação de fato.

Deixaremos de ser tontos

se chutarmos no alvo exato.

 

O povo, noutro torneio,

havendo tenacidade,

ganhará, rijo, e de cheio,

a Copa da Liberdade.

 

          (Jornal do Brasil, 24/06/1978)

 

 

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com/

 

FUTEBOL E CONTESTAÇÃO

Pois é, Copa do Mundo não é mais unanimidade. Uma pena. Desta vez, veio com protestos, passeatas em contra, e até violência e baderna. Triste! Mas, mais triste parece ser a realidade do país... Obras prometidas, mal acabadas ou adiadas, superfaturadas, enquanto o país continua padecendo suas mazelas. Nada que justifique vandalismo e repressão!!!

Não podemos deixar de registrar também a insatisfação, apesar da certeza de que o país vai vibrar e torcer pela Seleção, na hora do sufoco!!!

 

A COPA ESPOLIADA
(de Zeh Gustavo)
                               Copa do Mundo não se faz com hospitais.
                                                              Ronaldo Mafiômeno

I
Certo está o megalômano burguês-jogador, empresarião,
pseudo-herói de gana balofa, grana incontável no bolso-banco.
Danem-se o reclamante o vândalo a estudantada o manifestador 
– que lhes baixem o sarrafo! E deem também no trabalhador!
Que virem só carniças, brada o bufão.

Copa do Mundo se faz com Fifa, sem culpa,
país à rifa, povo na curra ou na cova
(aí depende do estrato social!).

Copa do Mundo se faz com upepê a prensar com os andrajos,
upa, neguinho! na malandragem, inferno aos enfermos e,
se necessário, porrada em quem educa, para que aprendam.

Ao museu com a ginga, a gira, a gíria, o xingo, o chute.
Copa do Mundo não é pra viração, é rolo sério!
Não mais Preguinhos, Garrinchas, Didis, Barbosas, derrotas.
Jamais Romários e suas romarias críticas 
por outros torneios.

Qualquer multa é a alma que paga.


II
Um sigladeio sem fim toma conta das cidades-sede. 
O asfalto cede a uma trama de bê-erres, trans, vê-eles,
um canteiro de obras, túneis, oba-obas, tanques. 
Pedestres não são bem-vindos. Nem pobres.
Que passeiem para lá!

A zanga, entretanto, chega às ruas principais.
Pedras, sprays, fumaça, bombas, greves mancham a bela paisagem
ofertada pela regra-venda que serve de tapa-olhos
mas não tampa o tanto de buracos que se podem cravar
num peito desamarrado.

Pernas que ainda driblam precisam ser urgentemente
ceifadas e os braços que carreguem bebês e foices, podados. 
Tem que botar ordem nesta casa!

Policiais desenvolvem uma tática apimentada,
organizam-se como uma boa zaga.
No treinamento avisaram: sem covardia!
Partam pra cima dos terroristas!
Pau nessa putada!

III
Somos neoíndios assaltados, removidos, descartáveis
em nossa aldeia periférica. Nossa várzea tornou-se
grama sintética. Nossos desejos foram pilhados.
Ora moramos em um território vago, que ocupamos.
Somos a bola fora da cena, anfitriões nômades do 
próprio espetáculo, espelhácido de nós mesmos.
 
Nossa vuvuzela não passa de uma corneta. 
A festa foi implantada, transe induzido por mutretralhas
contrabandeadas, num trânsito feroz de muambas e tretas.

IV
Por ofício do processo civilizatório, convém eliminar 
o perfume velho, o ranço do tempo, os templos de saudade oca,
as identidadezinhas desse pessoal sem vínculo com o 
progresso que vem com suas vidraças reluzentes,
sua ilha de calor que afaga, seu fogo para o consumo
que nos impulsiona.

Vai abaixo, Maraca! Desencarna. Descansa.
Em seu lugar reinará um arenão fake,
clone coxinha, padrão cópia.
Meninos antigos, barba grisalhada em sonhos
úmidos de lembranças inúteis, aproveitem
e se retirem também. O ingresso aqui vai ser caro.
Seu troco não dá nem pro lanche!

Os fantasmas que caminhem por seus corredores,
seus arredores. Memória, ao contrário da Naique,
não dá camisa a ninguém.

V
Gostamos de futebol. O futebol é que não gosta mais de nós.
Vivemos um Maracanazo particular, só nosso.
Este Maracanazo se iniciou com o fechamento da geral,
passou por reformas que diminuíram as arquibancadas
e culminou com a derrubada de tudo.
O elefantão é de elite, não de elos.
Ele exclui, não junta. 
 
Restamos, mudos. Depois mudados, também.
A poeira que subiu, depois desceu, 
agora grita, se agita, se espalha, age, briga. 
Nosso berrante farfalha o eco
do que fomos e precisamos voltar a ser.
Ou do que sequer tivemos a chance de nos tornar.
Oprimiram, bateram, suprimiram.
 
Temos – ou somos – as cartas.
Se no baralho mandam de cima, nos sobra o fazer barulho. 
Passou da hora de cortar o monte, 
pegar o morto e mostrar quem dispõe de melhor mão.
 
Pôr a mesa ao alto, por debaixo!
 
VI
Anônima a gente passa.
O show continua sendo transmitido pela telecisão.
O jogo não é jogado, o jugo é imposto,
pisa e massacra de modo silente cada rosto.

É gol! Vamos comemorar, com a pulga atrás
das orelhas. A malta, encolhida, pula no vazio.
só carcaça.

Com raça, o escrete luta, vibra. Quer a taça
da Copa espoliada pela banca rota, troféu de sabor perdido 
por conta do tino-monstro do tamanho do negócio.  

Tímido, o povo não se arreganha. Fresteja, 
num saber peculiar, até o que dá por desacontecido, 
essa tal de Copa que não teve. Seria pedir muito que calassem 
os sorrisos possíveis!

Perto deles, quase invisível, um grupo se prepara para outra peleja. 
Máscaras em prontidão, tecem na base do assim-seja
o trajeto da próxima contenda. 


Qual cabeças num circo trágico e íntimo,
a bola vai rolar pelos campos, em estádios amarelados.
Que se estendam os tapetes molhados
de suor, enfeitados de confete, sujos de sangue.
Voa, canarinho, voa!


Poema inédito de Zeh Gustavo. In: www.facebook.com/zehzeira

Fonte: esportes.r7.com

 

SELEÇÃO
(prognostico de final feliz)

Poema do Barão de Pindaré Jr., heterônimo...

 

 

O Felipão durante a concentração

separou os jogadores: seleção oficial

e seleção reserva foram ao treinamento.

 

Que constrangimento!

No primeiro tempo, o time reserva

derrotou o principal por 2x0...

Tudo bem. Muito bem bem bem....

Deu as instruções e voltaram ao confronto.

Desaponto e nhenhenhém..  Enfiaram

mais 3 g000ls de forma triunfal.

 

Perfeição, garantiu o Felipão

e trocou, para o enfrentamento seguinte,

os melhores da reserva para a seleção principal

e, garantiu, melhor assim: afinal

é assim que se escala uma equipe de resultados...

Que vexame!!!

A equipe de reserva enfiou 7 g0000000ls...

Fantástico, garantiu o Felipão. Então,

vamos trocar as camisas: reservas viram

seleção principal. Pragmatismo e realismo,

asseverou. Errou de novo.

O time reserva humilhou: 9 a 0...

Agora, sim, chegamos ao fim...

Vamos sortear e formar a seleção.

Ou não... melhor ainda:

a oficial vai para a competição

no primeiro tempo, a reserva no segundo.

É o fim do mundo!!!

Mas... com o jeitinho brasileiro,

ganharemos o HEXA, para o susto

da equipe adversária, perplexa.

 

26/05/2014

 

 

VITÓRIA!!! BOLA NA TRAVE

6 “HAI-QUÊ (S)” DE ANTONIO MIRANDA

 

PRA LÁ         PRA CÁ
o jogador tenta, mas
não dá

PASSO       CALÇO
neste jogar a esmo, só
percalço

COMEÇAR        CONCLUIR
até onde for
eu vou

FAVORECE    ESMORECE
até sem querer
acontece

A TEMPO     EM CAMPO
não tem mais jogador,
só tem bola

TENTA        TANTO
e com a ajuda da trave,
deu certo

28-06-2014

Artista: Marco Angeli, Neymar, 2014

 

CONTRASSENSO

Luiz Otávio Oliani

 

entre escanteios

tiros de meta

ataque 

e zaga

olhos vidrados

 

se a bola rola

no país das chuteiras

o povo grita

é gol

 

jogadores ensaiam o Hino

Nacional...

 

na torcida

(des)engravatados

só querem saber

da fome

de futebol

 

*poema escrito especialmente para a ANTOLOGIA BOA DE BOLA, Oficina, Rio de Janeiro, 2014, por ocasião da Copa do Mundo no Brasil.

        

 

 REMINISCÊNCIA DE UM TORCEDOR

 

João Carlos Taveira

  

Garrincha de pernas tortas

fazia certas jogadas...

Os dribles desconcertantes

eram valetes de espadas.

 

E a plateia embasbacada,

sem saber o que fazer,

se ria nervosamente

ou chorava de prazer.

 

O Brasil o viu sonhando

com pássaros nas estrelas.

O certo é que só brincava

quando teimava em não vê-las.

 

Um dia, o mundo inteiro

se curvou estupefato

ao conhecer o gigante

no início do campeonato.

 

Era a Copa de Pelé,

um menino de pé cheio,

que jogava pelo meio

e por isso virou rei...

 

Mas Garrincha também foi

majestade em seu ofício.

Não se duvide, que é lei

fazer gol como exercício

 

de um simples jogo de corpo.

Esse moço teve o nome

Manuel Francisco dos Santos

inscrito no que não some:

 

o chão dos astros de escol,

nossos reis do futebol.

 Brasília, 7 de julho de 2014.


Fotos: http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/

ISTO NÃO É FUTEBOL

Barão de Pindaré Jr.

A Colômbia vinha de uma campanha vitoriosa,
gloriosa, correta, surpreendente, quem desmente?
Jovens patriotas, alegres, entusiastas!

Quem orientou o de(s)feito do Zuñiga?!
Foi o técnico ou foi o instinto?
Desminto o mal feito:  satisfeito
com a celebração final:  Isto sim é  futebol!!
Mas haveremos de!!! Gol! Goooooooool!!!

Foto: http://veja.abril.com.br/

 

 

Foto: http://www.paixaocanarinha.com.br/

HEXAGERO, AFINAL

           Barão de Pindaré Jr.

O Brasil “ganhou”  7x1
da Alemanha:
vergonha, vertigem, voragem.
6 gols de diferença!!! O Brasil chegou
ao HEXA, pelo avesso.

 

 

Revés Inusitado

 

       Poema de  Jarbas Junior

 

Como culpar o sol

pela sombra da derrota?

Foi um eclipse total.

 

Enigma do futebol.

Surpresa que assombra.

Iceberg na nossa rota.

 

O moinho de vento

venceu quantos gigantes

quixotescos, Cervantes?

 

Consola que sentimento

sombrio de tristeza

compartilhado conosco

 

em semelhante proeza?

Espetáculo tosco:

perder humilhado!

 

Seguir logo para o outro

lado oposto da façanha

no triunfo da Alemanha!

 

 

“Vivemos uma crise no nosso esporte mais amado, chegamos ao auge dela. Acha que isso é problema só dos jogadores ou do Felipão? Nem de longe.

Nosso futebol vem se deteriorando há anos, sendo sugado por cartolas que não têm talento para fazer sequer uma embaixadinha. Ficam dos seus camarotes de luxo nos estádios brindando os milhões que entram em suas contas. Um bando de ladrões, corruptos e quadrilheiros!” Deputado Romário de Souza Faria

Fonte: Facebook do Romário

 

bola para quem te

tem medo

adentra excogitas e

vais

entrecortar sentenças

ao res do centro

que não é meio

mas sei da retangular

porta            seio

ubíquo ordenhando somas

sonhos         sumos

subterfúgios

a corte e explosão

se treme a rede

a grosso ataque

troque          truque

por combate

que cedo

é a província

cuja pátria

 

esquecimento

 

(Zenilton Gayoso, 09.07.014)

 

Fonte: http://www.vavel.com/pt

A TRAVE, AGAIN & AGAIN

          Barão de Pindaré Jr.

Argentina, enfrentando a Holanda
jogou com 12 jogadores!!!!!!!!!!!!
Passe pra lá, passe pra cá,
tango, valsa, rap... sem rapidez...

Na decisão por pênaltis
mas, porém... quem acertou,
finalmente,
depois da defesa do bravo holandês,
no rebote,
—com a ajuda do 12º jogador— foi A TRAVE!!!


 

 

Dois cartões postais da Copa do Mundo da FIFA de Brasil 2014, publicados pelo Itaú, o "Banco Oficial da Copa". 

Página publicada inicialmente em dezembro de 2010. Em construção e atualização: maio de 2014, junho 2014...JULHO....

 
 
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