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MANUEL BANDEIRA

(1886-1968)

 

Nacido en Recife, estado de Pernambuco, murió en Rio de Janeiro, consagrado nacionalmente. Arquitecto frustrado por Ia turbeculosis, que le compensó con Ia amistad de Paul Eluard en eI sanatorio de ClavadeI, ejerció Ia ensenanza universitaria, plenamente dedicado a Ia literatura. Inicialmente parnasiano, ha sido entronizado por Mário de Andrade como "o São João Batista do Modernismo". En efecto, es una figura primordial, no sólo de Ia poesía moderna, sino también de Ia crítica y eI ensayo. La extensa correspondencia epistolar con Mário, publicada bajo los auspicios dei Instituto de Estudios Brasilenos de Ia Universidad de São Paulo (USP), prueba Ia certeza de esa afirmación y documenta e! primer momento heroico del movimiento.

Su obra poética atraviesa incólume Ia marana de modismos, incluso en los anos 60 cuando Ia vanguardia se expandía en ondas. Bandeira es e! interlocutor perfecto; su sencillez alcanza cuerpo, altura y profundidad, y tanto en 10 coloquial como en 10 cotidiano de su obra se impregna Ia dura realidad interna de Ia vida. Esencialmente poeta, pero también teórico, autor de memorias, crítico, traductor, conferencista y cronista, resulta gratamente recomendable Ia lectura de su Itinerário de Pasárgada (1954), verdadera trayectoria vital, un luminoso camino que fluye como río. Son marcos de su consistente poética, toda ella vibrante de unidad: A Cinza das Horas (1917), Carnaval (1919), Libertinagem (1930), Estrela da Manhã (1936), Opus 10 (1952), Estrela da Tarde (1963).
Obra completa publicada por Editora Nova Aguilar, de Rio de Janeiro.                JOSÉ SANTIAGO NAUD

 

 

Traducciones de José Jeronymo Rivera  e  Anderson Braga Horta

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  TEXTOS EN ESPAÑOL

POÉSIE EN FRANÇAIS

TEXTS IN ENGLISH

 

POESIA INFANTIL

 



                                                                                          

POEMA DO BECO

TERESAPOEMA DE FINADOS

POÉTICA

DESENCANTO

BODA ESPIRITUAL

FELICIDADE

PROFUNDAMENTE

MOMENTO NUM CAFÉ

A ESTRELA

SANTÓRIO

MATINAL

PASÁRGADA

PROFESSOR

ROTINAS

ESTRELA

 

 

POEMA DO BECO

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
— O que eu vejo é o beco.

 

 POEMA DO BECO

                  Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
                  — O que eu vejo é o beco.

 

TERESA

         A primeira vez que vi Teresa

Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

                            (Libertinagem)


POEMA DE FINADOS

Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.

Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.

O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.

 

POÉTICA

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente de
protocolo e manifestações de apreço no ar, diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
                   o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretario de amante
         exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneira
                            de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

DESENCANTO

 

Eu faço versos como quem chora

De desalento ... de desencanto ...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.

 

Meu verso é sangue. Volúpia ardente ...

Tristeza esparsa ... remorso vão ...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.

 

E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.

 

- Eu faço versos como quem morre.

 

 

BODA ESPIRITUAL

 

Tu não estás comigo em momentos escassos:

No pensamento meu, amor, tu vives nua

- Toda nua, pudica e bela, nos meus braços.

 

O teu ombro no meu, ávido, se insinua.

Pende a tua cabeça. Eu amacio-a ... Afago-a ...

Ah, como a minha mão treme ... Como ela é tua ...

 

Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa.

O teu corpo crispado alucina. De escorço

O vejo estremecer como uma sombra n'água.

 

Gemes quase a chorar. Suplicas com esforço.

E para amortecer teu ardente desejo

Estendo longamente a mão pelo teu dorso ...

 

Tua boca sem voz implora em um arquejo.

Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto

A maravilha astral dessa nudez sem pejo ...

 

E te amo como se ama um passarinho morto.

 

(A Cinza das Horas,1917)  

FELICIDADE

 

A doce tarde morre. E tão mansa

Ela esmorece

Tão lentamente no céu de prece,

Que assim parece, toda repouso,

Como um suspiro de extinto gozo

De uma profunda, longa esperança

Que, enfim, cumprida, morre, descansa ...

 

E enquanto a mansa tarde agoniza,

Por entre a névoa fria do mar

Toda a minhalma foge na brisa:

Tenho vontade de me matar!

 

Oh, ter vontade de se matar!

Bem sei é coisa que não se diz.

Que mais a vida me pode dar?

Sou tão feliz!

 

- Vem, noite mansa ...

 

(O Ritmo Dissoluto, in Poesias, 1924) 

PROFUNDAMENTE

 

Quando ontem adormeci

Na noite de São João

Havia alegria e rumor

Estrondos de bombas luzes de Bengala

Vozes cantigas e risos

Ao pé das fogueiras acesas.

 

No meio da noite despertei

Não ouvi mais vozes nem risos

Apenas balões

Passavam errantes

Silenciosainente

Apenas de vez em quando

O ruído de um bonde .  

                                                                                                    

Digam que sou um homem sem orgulho

Um homem que aceita tudo

Que me importa?

Eu quero a estrela da manhã

 

Três dias e três noites

Fui assassino e suicida

Ladrão, pulha, falsário

 

Virgem mal-sexuada

Atribuladora dos aflitos

Girafa de duas cabeças

Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros

Pecai com os sargentos

Pecai com os fuzileiros navais

Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos

Com o padre e com o sacristão

Com o leproso de Pouso Alto

 

Depois comigo

 

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei

             [terra e direi coisas de uma ternura tão simples

Que tu desfalecerás

 

Procurem por toda parte

Pura ou degradada até a última baixeza

Eu quero a estrela da manhã.

 

MOMENTO NUM CAFÉ

 

Quando o enterro passou

Os homens que se achavam no café

Tiraram o chapéu maquinalmente

Saudavam o morto distraídos

Estavam todos voltados para a vida

Absortos na vida

Confiantes na vida.

 

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado

Olhando o esquife longamente

Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade

Que a vida é traição

E saudava a matéria que passava

 Liberta para sempre da alma extinta.

 

(Estrela da AIanhã, 1936)

 

A ESTRELA

 

Vi uma estrela tão alta,

Vi uma estrela tão fria!

Vi uma estrela luzindo

Na minha vida vazia.

 

Era uma estrela tão alta!

Era uma estrela tão fria!

Era uma estrela sozinha

Luzindo no fim do dia.

 

Por que da sua distância

Para a minha companhia

Não baixava aquela estrela?

Por que tão alta luzia?

 

E ouvi-a na sombra funda

Responder que assim fazia

Para dar uma esperança

Mais triste ao fim do meu dia.

 

 

(Lira dos Cinqüent'Anos, in Poesias Completas, 1940)

SANATÓRIO

Em Clavadel
conversam três jovens tísicos:
Picker, Grindel e Manuel.

A tísica é um anel
que envolve três aspirantes
à saúde da poesia, mortal.

Nem tudo é neve em Clavadel.
A febre em fogo aquece insônias
e a morte instala seu motel.

Quem sobreviver fará o verso
mais agudo, terno e febril:
Mourir de ne pás mourir,
Cinza das Horas, Carnaval,
vida vibrando no papel.


MATINAL

Um dia como qualquer outro.
Um homem como qualquer outro,
silencioso criado de si mesmo,
às 7 da manhã vai comprar leite
e jornal.
Quem suspeita, na esplanada do Castelo,
do seu castelo interior?
Com ativa humildade
traz a garrafa branca e o diário.


PASÁRGADA

Não foste embora pra Pasárgada.
Não era teu destino.
Não te habituarias lá.
Em teu território próprio, intransferível,
nem rei nem amigo do rei,
és puramente aquele lúcido
e dolorido homem experiente
que subjugou seu desespero
a poder de renúncia, vigília e ritmo.


PROFESSOR

O professor disserta
sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo0?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professou baixa a voz
com medo de acordá-lo.


ROTINAS

O poeta
sob o sol de chamas do meio-dia
na fila de pagamento do Tesouro;
o poeta
na fila reiteradíssima do Instituto Félix Pacheco
para obter autorização de viagem ao estrangeiro;
o poeta
na fila crepuscular do ônibus de Copacabana,
livro na mão esquerda, traduzindo
a tragédia alemã;
o poeta
cumprindo sem revolta
sem amargura
o estatuto civil da pobreza.


ESTRELA

Estrela da manhã,
estrela da tarde,
estrela da noite,
estrela do tempo inteiro,
da vida inteira,
Fixa, imutável
pairando sobre o poeta.

 

O ULTIMO POEMA

 

Assim eu quereria o meu último poema

 

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

 

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

 

 

ANTOLOGIA

 

A Vida

Não vale a pena e a dor de ser vivida.

Os corpos se entendem, mas as almas não.

A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Vou-me embora pra Pasárgada!

Aqui eu não sou feliz.

Quero esquecer tudo:

— A dor de ser homem . . .

Este anseio infinito e vão

De possuir o que me possui.

 

Quero descansar

Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei

Na vida inteira que podia ter sido e que não foi.

 

Quero descansar.

Morrer.

Morrer de corpo e de alma.

Completamente.

 

(Todas as manhãs o aeroporto em frente me da lições de partir.)

 

Quando a Indesejada das gentes chegar

Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,

A mesa posta,

Com cada coisa em seu lugar.

 

 

Este poema é um centão. A palavra "centão" nada tem a ver com "cento"

e vem do latim "cento, centonis", que significa colcha de retalhos. . . . Tive

a idéia de construir um poema só com versos ou pedaços de versos meus

mais conhecidos ou mais marcados da minha sensibilidade, e que ao mesmo

tempo pudesse funcionar como poema para uma pessoa que nada conhecesse

da minha poesia. (De uma carta de Manuel Bandeira a Odylo Costa Filho)

 

 

RONDÓ DOS CAVALINHOS

 

Os cavalinhos correndo,

E nos, cavalões, comendo . . .

Tua beleza, Esmeralda,

Acabou me enlouquecendo.

 

Os cavalinhos correndo,

E nós, cavalões, comendo . . .

O sol tão claro lá fora,

E em minhalma — anoitecendo!

 

Os cavalinhos correndo,

E nós, cavalões, comendo . . .

Alfonso Reyes partindo,

E tanta gente ficando . . .

 

Os cavalinhos correndo,

E nos, cavaloes, comendo . . .

Á Itália falando grosso,

A Europa se avacalhando . . .

 

Os cavalinhos correndo,

E nós, cavalões, comendo ...

O Brasil politicando,

Nossa! A poesia morrendo . . .

O sol tão claro lá fora,

O sol tão claro, Esmeralda,

E em minhalma — anoitecendo!

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"NA BOCA" -  POEMA DE MANUEL BANDEIRA NA VOZ DE EDSON NERY DA FONSECA

                (Olinda, Pernambuco, 16/11/2010)

Videomaker: Nildo Barbosa Moreira para o Portal de Poesia Iberoamericana

 

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"ARTE DE AMAR" -  POEMA DE MANUEL BANDEIRA NA VOZ DE EDSON NERY DA FONSECA

                (Olinda, Pernambuco, 16/11/2010)

Videomaker: Nildo Barbosa Moreira para o Portal de Poesia Iberoamericana

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Manuel Bandeira, Óleo de Portinari



TEXTOS EN ESPAÑOL
(Traducciones de Anderson Braga Horta y José Jeronymo Rivera)

 

DESENCANTO

 

Yo hago versos como quien llora

De desaliento ... de desencanto ...

Cierra mi libro, si por ahora

Razón no tienes para tu llanto.

 

Mi verso es sangre. Lujuria ardiente ...

Tristeza suelta ... vana aflicción ...

Duele en las venas. Acre y caliente,

Cae, gota a gota, de! corazón.

 

Y en estos versos de angustia loca

Corre la vida, mis labios hiere,

Dejando acerbo gusto en la boca.

— Yo hago versos como quien muere.

                                                                      JJR

 

BODA ESPIRITUAL

 

Tú no estás junto a mí en momentos escasos:

En mi imaginación, amor, vives desnuda,

Toda desnuda, bella y púdica, en mis brazos.

 

Tu hombro, ansiosamente, en e! mío se escuda.

Acaricio tu pelo. Y tu mirar se hace agua ...

iCómo tiembla esta mano! Es tuya ... Y quedas muda ...

 

Pone e! gozo en tu rostro algo entre angustia y fragua.

Tu cuerpo en crispación me alucina. De escorzo

Lo veo estremecer como sombra en e! agua.

 

Gimes casi llorando -¡oh, suplicante torso!­

Y para amortiguar ese ardiente deseo,

La mano largamente extiendo por tu dorso ...

 

Tu boca ya sin voz implora en un jadeo.

Te estrecho más y más. Tu desnudez ... mi puerto ...

La maravilla astral de ese cuerpo que veo ...

 

Y te amo como se ama a un pajarillo muerto.

                                                                      ABH

 

 FELICIDAD

 

La dulce tarde muere. Y tan mansa

Como un bostezo,

Tan lentamente en cielo de rezo,

Que así parece, toda en reposo,

Como un suspiro de extinto gozo

De una profunda, larga esperanza

Que, al fin cumplida, muere, descansa ...

 

Mientras la mansa tarde agoniza,

Entre la niebla fría del mar

Mi alma toda huye en la brisa:

¡Y tengo ganas, ay, de matarme!

 

¡Oh, quitarse uno la propia raíz!..

Bien sé, no es cosa para desear.

¿Qué más la vida me puede dar?

¡Soy tan feliz!

 

-Ven, noche mansa ...

 

                                                     JJR

 

PROFUNDAMENTE

 

Cuando ayer yo me dormí

En la noche de San Juan

Había alegría y rumor

Estruendos de fuegos luces de Bengala

Voces canciones y risas

J unto a hogueras que ardían.

 

En medio de la noche me desperté

No oí más voces ni risas

Solamente globos

Pasaban errantes

Silenciosamente

Sólo de vez en cuando

El ruido de un tranvía

 

Cortaba el silencio

Como un túnel.

¿Dónde estaban los que ha poco

Bailaban

Cantaban

Reían

Junto a hogueras que ardían?

 

—Estaban todos dormidos

Estaban todos acostados

Dormidos

Profundamente

 

Cuando yo tenía seis anos

No pude ver el fin de la fiesta de San Juan

Porque me dormí

 

Hoy no oigo más las voces de aquel tiempo

Mi abuela

Mi abuelo

Totonio Rodrigues

Tomasia

Rosa

¿Dónde están todos ellos?

 

Están todos dormidos

Están todos acostados

Dormidos

                                                      JJR

 

ESTRELLA DE LA MAÑANA

 

Quiero la estrella de la mañana

¿Dónde está la estrella de la mañana?

Mis amigos mis enemigos

Busquen la estrella de la mañana

Ella desapareció iba desnuda

¿Desapareció con quién?

Busquen por todas partes

 

Digan que soy un hombre sin orgullo

Un hombre que acepta todo

(Qué me importa?

Quiero la estrella de la mañana

 

Tres días y tres noches

Fui asesino y suicida

Ladrón, bellaco, falsario

 

Virgen mal sexuada

Atribuladora de los tristes

Jirafa de dos cabezas

Pecad por todos pecad con todos

Pecad con los tunantes

Pecad con los sargentos

Pecad con los fusileros navales

Pecad de todas las maneras

Con los griegos y los troyanos

Con el cura y con el sacristán

Con el leproso de Pouso Alto

 

Después conmigo

Te esperaré con kermesses novenas cabalgadas comeré

          [tierra y diré cosas de una ternura tan simple

Que tú desfallecerás

 

Busquen por todas partes

Pura o degradada hasta la última bajeza

Quiero la estrella de la mañana.

                                                                    JJR

 

MOMENTO EN UN CAFÉ

 

Cuando el entierro pasó

Los hombres que estaban en el café

Quitáronse el sombrero maquinalmente

Saludaban al muerto distraídos

Estaban todos vueltos para la vida

Absortos en la vida

Confiantes en la vida.

 

Uno sin embargo se descubrió en un gesto amplio y lento

Mirando al ataúd largamente

Éste sabía que la vida es una agitación feroz y sin finalidad

Que la vida es traición

Y saludaba a la materia que pasaba

                                                                 Liberada para siempre del alma extinta.

 

                                                                 JJR

 

LA ESTRELLA

 

¡Vi una estrella tan alta,

Vi una estrella tan fría!

Vi una estrella luciendo

Sobre mi vida vacía.

 

¡Era una estrella tan alta!

¡Era una estrella tan fría!

Una estrella solitaria

Luciendo en e! fin de! día.

 

(Por qué de su gran distancia

Hasta la morada mía

No bajaba aquella estrella?

¿Por qué tan alta lucía?

 

Y la oí en la sombra honda

Responder que así lo hacía

Para dar una esperanza

Más triste al fin de mi día.

 

                                                                        JJR

 

Extraídos de la antología POETAS PORTUGUESES Y BRASILEÑOS DE LOS SIMBOLISTAS A LOS MODERNISTAS. / Organización y estudio introductoria: José Augusto Seabra.  Brasilia: Thesaurus, 2002.  472 p.

==============================================================

De
Manuel Bandeira
MOMENTO EN UN CAFE
y otros poemas.

Buenos Aires: Calicanto, 1979
Edución con el apoyo de la Embajada del Brasil



Traducciones de Estela dos Santos

 

O SILÊNCIO

Na sombra cúmplice do quarto
Ao contacto das minhas mãos lentas,
A substância da tua carne
Era a mesma que a do silêncio.

Do silêncio musical, cheio
De sentido místico e grave,
Ferindo a alma de um enleio
Mortalmente agudo e suave.

Ah, tão suave e tão agudo!
Parecia que a morte vinha...
Era o silêncio que diz tudo
O que a intuição mal adivinha.

É o silêncio da tua carne,
Da tua carne de âmbar, nua,
Quase a espiritualizar-se
Na aspiração de mais ternura.

         (De  O Ritmo Dissoluto)

 

EL SILENCIO

En la sombra cómplice del cuarto,
Al contacto de mis manos lentas,
La sustancia de tu carne
Es igual a la del silencio.

Del silencio musical, lleno
De sentido místico y grave,
Hiriendo el alma  con una turbación
Mortalmente aguda y suave.

!Ah tan suave y tan aguda!
Parecía que la muerte venía...
Era el silencio que dice todo
Lo que la intuición apenas adivina.

Es el silencio de tu carne.
De tu carne de ámbar, desnuda,
Casi espiritualizándose
En la aspiración de más ternura.



==========================================


PEREGRINAÇÃO

O córrego é o mesmo,
Mesma , aquela árvore,
A casa, o jardim.
Meus passos a esmo
(Os passos e o espírito)
Vão pelo passado,
Aí tão devastado,
Recolhendo triste
Tudo quanto existe
Ainda ali de mim
— Mim daqueles tempos!

         (De Lira dos Cinquent´anos)

 

PEREGRINACIÓN

 El arroyo es el mismo,
El mismo es aquel árbol,
La casa, el jardín.
(Los pasos y el espíritu)
Van por el pasado,
Ay, tan devastado,
Recogiendo triste
Todo cuanto existe
Aún allí de mí
— !Mi de aquellos tiempos!

 

=================================================

 

POÉTICA

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
         expediente protocolo e manifestações de
         apreço ao Sr. diretor.
Estou farto de lirismo que pára e vai averiguar no
         dicionário o cunho vernáculo de um vocábulos

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
         do amante exemplar com cem modelos de
         cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

                   (De Libertinagem)

 



POÉTICA

Estoy harto del lirismo comedido
Del lirismo bien educado
Del lirismo funcionario público con libro de
         asistencia  expediente  protocolo y
         manifestaciones de aprecio al sr. director
Estoy harto del lirismo que se detiene para
         averiguar en el diccionario el cuño vernáculo
         de un vocablo.

Abajo los puristas

Todas las palabras sobre todo los barbarismos universales
Todas las construcciones sobre todo las sintaxis de excepción
Todos los ritmos sobre todo los innumerables

Estoy harto del lirismo sentimentaloide
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo obsecuente con todo menos consigo mismo

Además no es lirismo
Será contabilidad tabla de cosenos secretar del amante
         ejemplar con cien modelos de cartas y las diferentes
         maneras de gustar a las mujeres etc.

Prefiero el lirismo de los locos
El lirismo de los borrachos
El lirismo difícil y errante de los borrachosd
El lirismo de los clowns de Shakespeare

                   —No queiro saber nada más del lirismo que no es liberación.

 

Comentario: "El modernismo brasileño, al que Bandeira habría de incorporarse con entusiasmo, no basa sus propuestas en el desdén por lo intelectual sino en la lucha frontal con un intelectualismo amanerado y anacrónico. Sus ideas expresan la saturación de un tempramento que anhela conciliar el lenguaje y experiencia desde una perspectiva igualmente equidistane del alma romántica y del andamiaje verbal del parnasianismo. Así lo dirá Manuel Bandeira en su Poética."dice Santiago Kovadloff del poema transcito arriba).  Un metapoema.

 

 

Página ampliada e republicada em junho 2008, idem novembro 2008.. ampliada e republicada em maio de 2010.

 

 Metadados:Poesia do Modernismo - Metapoesia - Metapoema

 

 

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