Nacido en Recife, estado de Pernambuco, murió en Rio de Janeiro, consagrado nacionalmente. Arquitecto frustrado por Ia turbeculosis, que le compensó con Ia amistad de Paul Eluard en eI sanatorio de ClavadeI, ejerció Ia ensenanza universitaria, plenamente dedicado a Ia literatura. Inicialmente parnasiano, ha sido entronizado por Mário de Andrade como "o São João Batista do Modernismo". En efecto, es una figura primordial, no sólo de Ia poesía moderna, sino también de Ia crítica y eI ensayo. La extensa correspondencia epistolar con Mário, publicada bajo los auspicios dei Instituto de Estudios Brasilenos de Ia Universidad de São Paulo (USP), prueba Ia certeza de esa afirmación y documenta e! primer momento heroico del movimiento.
Su obra poética atraviesa incólume Ia marana de modismos, incluso en los anos 60 cuando Ia vanguardia se expandía en ondas. Bandeira es e! interlocutor perfecto; su sencillez alcanza cuerpo, altura y profundidad, y tanto en 10 coloquial como en 10 cotidiano de su obra se impregna Ia dura realidad interna de Ia vida. Esencialmente poeta, pero también teórico, autor de memorias, crítico, traductor, conferencista y cronista, resulta gratamente recomendable Ia lectura de su Itinerário de Pasárgada (1954), verdadera trayectoria vital, un luminoso camino que fluye como río. Son marcos de su consistente poética, toda ella vibrante de unidad: A Cinza das Horas (1917), Carnaval (1919), Libertinagem (1930), Estrela da Manhã (1936), Opus 10 (1952), Estrela da Tarde (1963). Obra completa publicada por Editora Nova Aguilar, de Rio de Janeiro. JOSÉ SANTIAGO NAUD
Traducciones de José Jeronymo Rivera e Anderson Braga Horta
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
— O que eu vejo é o beco.
POEMA DO BECO
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
— O que eu vejo é o beco.
TERESA
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
(Libertinagem)
POEMA DE FINADOS
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
POÉTICA
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente de
protocolo e manifestações de apreço no ar, diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretario de amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneira
de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
DESENCANTO
Eu faço versos como quem chora
De desalento ... de desencanto ...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente ...
Tristeza esparsa ... remorso vão ...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
BODA ESPIRITUAL
Tu não estás comigo em momentos escassos:
No pensamento meu, amor, tu vives nua
- Toda nua, pudica e bela, nos meus braços.
O teu ombro no meu, ávido, se insinua.
Pende a tua cabeça. Eu amacio-a ... Afago-a ...
Ah, como a minha mão treme ... Como ela é tua ...
Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa.
O teu corpo crispado alucina. De escorço
O vejo estremecer como uma sombra n'água.
Gemes quase a chorar. Suplicas com esforço.
E para amortecer teu ardente desejo
Estendo longamente a mão pelo teu dorso ...
Tua boca sem voz implora em um arquejo.
Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto
A maravilha astral dessa nudez sem pejo ...
E te amo como se ama um passarinho morto.
(A Cinza das Horas,1917)
FELICIDADE
A doce tarde morre. E tão mansa
Ela esmorece
Tão lentamente no céu de prece,
Que assim parece, toda repouso,
Como um suspiro de extinto gozo
De uma profunda, longa esperança
Que, enfim, cumprida, morre, descansa ...
E enquanto a mansa tarde agoniza,
Por entre a névoa fria do mar
Toda a minhalma foge na brisa:
Tenho vontade de me matar!
Oh, ter vontade de se matar!
Bem sei é coisa que não se diz.
Que mais a vida me pode dar?
Sou tão feliz!
- Vem, noite mansa ...
(O Ritmo Dissoluto, in Poesias, 1924)
PROFUNDAMENTE
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosainente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde .
Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã
Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário
Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos
Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras
Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto
Depois comigo
Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei
[terra e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás
Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã.
MOMENTO NUM CAFÉ
Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.
(Estrela da AIanhã, 1936)
A ESTRELA
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?
E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
(Lira dos Cinqüent'Anos, in Poesias Completas, 1940)
SANATÓRIO
Em Clavadel
conversam três jovens tísicos:
Picker, Grindel e Manuel.
A tísica é um anel
que envolve três aspirantes
à saúde da poesia, mortal.
Nem tudo é neve em Clavadel.
A febre em fogo aquece insônias
e a morte instala seu motel.
Quem sobreviver fará o verso
mais agudo, terno e febril:
Mourir de ne pás mourir,
Cinza das Horas, Carnaval,
vida vibrando no papel.
MATINAL
Um dia como qualquer outro.
Um homem como qualquer outro,
silencioso criado de si mesmo,
às 7 da manhã vai comprar leite
e jornal.
Quem suspeita, na esplanada do Castelo,
do seu castelo interior?
Com ativa humildade
traz a garrafa branca e o diário.
PASÁRGADA
Não foste embora pra Pasárgada.
Não era teu destino.
Não te habituarias lá.
Em teu território próprio, intransferível,
nem rei nem amigo do rei,
és puramente aquele lúcido
e dolorido homem experiente
que subjugou seu desespero
a poder de renúncia, vigília e ritmo.
PROFESSOR
O professor disserta
sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudi-lo0?
Vai repreendê-lo?
Não.
O professou baixa a voz
com medo de acordá-lo.
ROTINAS
O poeta
sob o sol de chamas do meio-dia
na fila de pagamento do Tesouro;
o poeta
na fila reiteradíssima do Instituto Félix Pacheco
para obter autorização de viagem ao estrangeiro;
o poeta
na fila crepuscular do ônibus de Copacabana,
livro na mão esquerda, traduzindo
a tragédia alemã;
o poeta
cumprindo sem revolta
sem amargura
o estatuto civil da pobreza.
ESTRELA
Estrela da manhã,
estrela da tarde,
estrela da noite,
estrela do tempo inteiro,
da vida inteira,
Fixa, imutável
pairando sobre o poeta.
O ULTIMO POEMA
Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
ANTOLOGIA
A Vida
Não vale a pena e a dor de ser vivida.
Os corpos se entendem, mas as almas não.
A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Vou-me embora pra Pasárgada!
Aqui eu não sou feliz.
Quero esquecer tudo:
— A dor de ser homem . . .
Este anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.
Quero descansar
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei
Na vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Quero descansar.
Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
(Todas as manhãs o aeroporto em frente me da lições de partir.)
Quando a Indesejada das gentes chegar
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
Este poema é um centão. A palavra "centão" nada tem a ver com "cento"
e vem do latim "cento, centonis", que significa colcha de retalhos. . . . Tive
a idéia de construir um poema só com versos ou pedaços de versos meus
mais conhecidos ou mais marcados da minha sensibilidade, e que ao mesmo
tempo pudesse funcionar como poema para uma pessoa que nada conhecesse
da minha poesia. (De uma carta de Manuel Bandeira a Odylo Costa Filho)
TEXTOS EN ESPAÑOL (Traducciones de Anderson Braga Horta y José Jeronymo Rivera)
DESENCANTO
Yo hago versos como quien llora
De desaliento ... de desencanto ...
Cierra mi libro, si por ahora
Razón no tienes para tu llanto.
Mi verso es sangre. Lujuria ardiente ...
Tristeza suelta ... vana aflicción ...
Duele en las venas. Acre y caliente,
Cae, gota a gota, de! corazón.
Y en estos versos de angustia loca
Corre la vida, mis labios hiere,
Dejando acerbo gusto en la boca.
— Yo hago versos como quien muere.
JJR
BODA ESPIRITUAL
Tú no estás junto a mí en momentos escasos:
En mi imaginación, amor, vives desnuda,
Toda desnuda, bella y púdica, en mis brazos.
Tu hombro, ansiosamente, en e! mío se escuda.
Acaricio tu pelo. Y tu mirar se hace agua ...
iCómo tiembla esta mano! Es tuya ... Y quedas muda ...
Pone e! gozo en tu rostro algo entre angustia y fragua.
Tu cuerpo en crispación me alucina. De escorzo
Lo veo estremecer como sombra en e! agua.
Gimes casi llorando -¡oh, suplicante torso!
Y para amortiguar ese ardiente deseo,
La mano largamente extiendo por tu dorso ...
Tu boca ya sin voz implora en un jadeo.
Te estrecho más y más. Tu desnudez ... mi puerto ...
La maravilla astral de ese cuerpo que veo ...
Y te amo como se ama a un pajarillo muerto.
ABH
FELICIDAD
La dulce tarde muere. Y tan mansa
Como un bostezo,
Tan lentamente en cielo de rezo,
Que así parece, toda en reposo,
Como un suspiro de extinto gozo
De una profunda, larga esperanza
Que, al fin cumplida, muere, descansa ...
Mientras la mansa tarde agoniza,
Entre la niebla fría del mar
Mi alma toda huye en la brisa:
¡Y tengo ganas, ay, de matarme!
¡Oh, quitarse uno la propia raíz!..
Bien sé, no es cosa para desear.
¿Qué más la vida me puede dar?
¡Soy tan feliz!
-Ven, noche mansa ...
JJR
PROFUNDAMENTE
Cuando ayer yo me dormí
En la noche de San Juan
Había alegría y rumor
Estruendos de fuegos luces de Bengala
Voces canciones y risas
J unto a hogueras que ardían.
En medio de la noche me desperté
No oí más voces ni risas
Solamente globos
Pasaban errantes
Silenciosamente
Sólo de vez en cuando
El ruido de un tranvía
Cortaba el silencio
Como un túnel.
¿Dónde estaban los que ha poco
Bailaban
Cantaban
Reían
Junto a hogueras que ardían?
—Estaban todos dormidos
Estaban todos acostados
Dormidos
Profundamente
Cuando yo tenía seis anos
No pude ver el fin de la fiesta de San Juan
Porque me dormí
Hoy no oigo más las voces de aquel tiempo
Mi abuela
Mi abuelo
Totonio Rodrigues
Tomasia
Rosa
¿Dónde están todos ellos?
Están todos dormidos
Están todos acostados
Dormidos
JJR
ESTRELLA DE LA MAÑANA
Quiero la estrella de la mañana
¿Dónde está la estrella de la mañana?
Mis amigos mis enemigos
Busquen la estrella de la mañana
Ella desapareció iba desnuda
¿Desapareció con quién?
Busquen por todas partes
Digan que soy un hombre sin orgullo
Un hombre que acepta todo
(Qué me importa?
Quiero la estrella de la mañana
Tres días y tres noches
Fui asesino y suicida
Ladrón, bellaco, falsario
Virgen mal sexuada
Atribuladora de los tristes
Jirafa de dos cabezas
Pecad por todos pecad con todos
Pecad con los tunantes
Pecad con los sargentos
Pecad con los fusileros navales
Pecad de todas las maneras
Con los griegos y los troyanos
Con el cura y con el sacristán
Con el leproso de Pouso Alto
Después conmigo
Te esperaré con kermesses novenas cabalgadas comeré
[tierra y diré cosas de una ternura tan simple
Que tú desfallecerás
Busquen por todas partes
Pura o degradada hasta la última bajeza
Quiero la estrella de la mañana.
JJR
MOMENTO EN UN CAFÉ
Cuando el entierro pasó
Los hombres que estaban en el café
Quitáronse el sombrero maquinalmente
Saludaban al muerto distraídos
Estaban todos vueltos para la vida
Absortos en la vida
Confiantes en la vida.
Uno sin embargo se descubrió en un gesto amplio y lento
Mirando al ataúd largamente
Éste sabía que la vida es una agitación feroz y sin finalidad
Que la vida es traición
Y saludaba a la materia que pasaba
Liberada para siempre del alma extinta.
JJR
LA ESTRELLA
¡Vi una estrella tan alta,
Vi una estrella tan fría!
Vi una estrella luciendo
Sobre mi vida vacía.
¡Era una estrella tan alta!
¡Era una estrella tan fría!
Una estrella solitaria
Luciendo en e! fin de! día.
(Por qué de su gran distancia
Hasta la morada mía
No bajaba aquella estrella?
¿Por qué tan alta lucía?
Y la oí en la sombra honda
Responder que así lo hacía
Para dar una esperanza
Más triste al fin de mi día.
JJR
Extraídos de la antología POETAS PORTUGUESES Y BRASILEÑOS DE LOS SIMBOLISTAS A LOS MODERNISTAS. / Organización y estudio introductoria: José Augusto Seabra. Brasilia: Thesaurus, 2002. 472 p.
De Manuel Bandeira MOMENTO EN UN CAFE
y otros poemas. Buenos Aires: Calicanto, 1979 Edución con el apoyo de la Embajada del Brasil
Traducciones de Estela dos Santos
O SILÊNCIO
Na sombra cúmplice do quarto
Ao contacto das minhas mãos lentas,
A substância da tua carne
Era a mesma que a do silêncio.
Do silêncio musical, cheio
De sentido místico e grave,
Ferindo a alma de um enleio
Mortalmente agudo e suave.
Ah, tão suave e tão agudo!
Parecia que a morte vinha...
Era o silêncio que diz tudo
O que a intuição mal adivinha.
É o silêncio da tua carne,
Da tua carne de âmbar, nua,
Quase a espiritualizar-se
Na aspiração de mais ternura.
(De O Ritmo Dissoluto)
EL SILENCIO
En la sombra cómplice del cuarto,
Al contacto de mis manos lentas,
La sustancia de tu carne
Es igual a la del silencio.
Del silencio musical, lleno
De sentido místico y grave,
Hiriendo el alma con una turbación
Mortalmente aguda y suave.
!Ah tan suave y tan aguda!
Parecía que la muerte venía...
Era el silencio que dice todo
Lo que la intuición apenas adivina.
Es el silencio de tu carne.
De tu carne de ámbar, desnuda,
Casi espiritualizándose
En la aspiración de más ternura.
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PEREGRINAÇÃO
O córrego é o mesmo,
Mesma , aquela árvore,
A casa, o jardim.
Meus passos a esmo
(Os passos e o espírito)
Vão pelo passado,
Aí tão devastado,
Recolhendo triste
Tudo quanto existe
Ainda ali de mim
— Mim daqueles tempos!
(De Lira dos Cinquent´anos)
PEREGRINACIÓN
El arroyo es el mismo,
El mismo es aquel árbol,
La casa, el jardín.
(Los pasos y el espíritu)
Van por el pasado,
Ay, tan devastado,
Recogiendo triste
Todo cuanto existe
Aún allí de mí
— !Mi de aquellos tiempos!
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POÉTICA
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
expediente protocolo e manifestações de
apreço ao Sr. diretor.
Estou farto de lirismo que pára e vai averiguar no
dicionário o cunho vernáculo de um vocábulos
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de
cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
(De Libertinagem)
POÉTICA
Estoy harto del lirismo comedido
Del lirismo bien educado
Del lirismo funcionario público con libro de
asistencia expediente protocolo y
manifestaciones de aprecio al sr. director
Estoy harto del lirismo que se detiene para
averiguar en el diccionario el cuño vernáculo
de un vocablo.
Abajo los puristas
Todas las palabras sobre todo los barbarismos universales
Todas las construcciones sobre todo las sintaxis de excepción
Todos los ritmos sobre todo los innumerables
Estoy harto del lirismo sentimentaloide
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo obsecuente con todo menos consigo mismo
Además no es lirismo
Será contabilidad tabla de cosenos secretar del amante
ejemplar con cien modelos de cartas y las diferentes
maneras de gustar a las mujeres etc.
Prefiero el lirismo de los locos
El lirismo de los borrachos
El lirismo difícil y errante de los borrachosd
El lirismo de los clowns de Shakespeare
—No queiro saber nada más del lirismo que no es liberación.
Comentario: "El modernismo brasileño, al que Bandeira habría de incorporarse con entusiasmo, no basa sus propuestas en el desdén por lo intelectual sino en la lucha frontal con un intelectualismo amanerado y anacrónico. Sus ideas expresan la saturación de un tempramento que anhela conciliar el lenguaje y experiencia desde una perspectiva igualmente equidistane del alma romántica y del andamiaje verbal del parnasianismo. Así lo dirá Manuel Bandeira en su Poética."dice Santiago Kovadloff del poema transcito arriba). Un metapoema.
Página ampliada e republicada em junho 2008, idem novembro 2008.. ampliada e republicada em maio de 2010.
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