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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



EGBERTO PENIDO

 

 

 Egberto Penido nasceu em 1934, na cidade do Rio de Janeiro. Engenheiro pós-graduado em Engenharia Econômica , em 1967 mudou-se para São Paulo onde ocupou cargos de direção em empresas na área de crédito imobiliário e construção civil. Desde meados da década de 80 vem também se dedicando à poesia e atualmente vive num sítio no Município de Indaiatuba, região de Campinas, no interior do Estado de São Paulo. Até o momento, publicou  cinco livros de poesia: No giro dos ventos (1984 - Prêmio Revelação da APCA); Rosa de Sal (1986); Obscuro Olhar (1990); A noite também é um sol (1994); Sombras e Distâncias (2001). 

 

“ É poesia no duro, da maior sensibilidade, da melhor feitura, cheia daquele mistério, do reticente e do hermético que caracteriza a verdadeira obra poética”.              PEDRO NAVA

 

"Degustei os versos, apreciando o que há neles de individual, de marca registrada, e também de comunicativo e, por assim dizer, socializante, na medida em que eles alcançam uma linguagem de participação com as ânsias e os mistérios do leitor".

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE 

 

“Experiência poética que se quer son­dagem da condição humana, a de Egberto Penido sintoniza-se com as forças mais atuantes em nossa poesia destes últimos anos: a que é nova­mente atraída pelo Eterno ou pela Origem que nos poderiam dar as respostas tão longamente procuradas.”     NELLY NOVAES COELHO

  

.“A palavra poética de Egberto Pe­nido é real dentro do poema. Está no lugar certo, nada tem de gratuita. Muito forte a atmosfera que cerca essa poesia”.  ÁLVARO ALVES DE FARIA. 

 

“É uma poesia autêntica e nobre, que dispensaria qualquer apre­sentação, inclusive a da carta do nosso Nava insigne .      ABGAR RENAULT

 

Encontro

 

Os olhos eram elétricos e claros.

Subitamente atravessaram esta abstração

chamada espaço-tempo

tocaram hesitantes em minha solidão

e depois partiram, entre as folhas

que o vento rolava na noite.

 

(Transcrito de Obscuro Olhar)  

 

De
PENIDO, Egberto. 
No Giro dos Ventos.
Ilustrações de Mônica Almeida.
 Rio de Janeiro, 1984. s.p.  Layout de Hélcio Noguchi.   
formato 18,26,3 cm   Col. A.M. (EE)

 

 

Setas

 

Asas vacilam no meu quarto insone

onde desamparada

a alma solitária se debate

envolta pelas espirais rarefeitas das zonas de ruptura.

Aonde me esconder   que ritos evocar

como escapar do gume desta espada

que algum anjo errante trouxe consigo do espaço?

Deverei lutar ou me entregar?

Contra quem lutarei?

Qual a obscura profecia não sabida

a chave que se perdeu?

 

Sinto o tremor do anjo

e nada sei.

Quem fala com esta voz tão grave

quem canta ao longe

quem canta?

Alucinação?  Iluminação?

Serei eu ou

haverá outro alguém escondido .

na penumbra do meu rosto?

Não sei quem sou..

Talvez apenas um solitário instante.

a sombra de um sonho

que às vezes recebe na fronte o arrepio

de um sopro.

Talvez nem seja.

Meus só estes pulsos quebrados. Este espanto.

M as se não sou

quem o pássaro que me voa?

 

Foste tu anjo quem plantou - sem explicação -

­estas sementes de fósforo que queimam

noite e dia no meu peito?

Sou teu prisioneiro? És anjo de guarda?

Ou sou apenas a máscara que usas

para adivinhar tua rota

os pés que usurpas

para caminhar no barro?

Setas. Setas. Agudas setas.

Entretanto como responder ao insistente eco

eu sou?

Como aplacar este coração insano

que aguarda respostas nesta hora estrangeira? Apagada seta.

Como resistir assim desperto?

 

Sentinela    sentinela     responde sentinela alguma luz já se infiltra

pelos ramos exaustos desta noite?

 

(Transcrito de No giro dos ventos) 

 

 

Nada

 

Certa noite recebemos a visita

do Nada.                          .

Subitamente

sentimos sua garra

pousada sobre o peito.

O espaço se contrai    o ar falta

o pulso dispara..

Um vazio penetra

entre as dobras da alma

e a máscara se parte

inútil e falsa.

Toda a arrogância do aparato humano se esvai

enquanto a mão procura sob a coberta

as santas relíquias                   .

e antigas palavras mágicas brotam

do coração descontrolado.

De manhã

envoltos na irrealidade da luz

nos perguntamos

porque o pânico da madrugada.

Nada  apenas

o oblíquo encontro com a morte.

 

(Transcrito de No giro dos ventos)

  

 

Amanhecer

 

Agora é necessário acreditar

acreditar que a Escuridão e a Ausência potencializam

um novo amanhecer

acreditar na transformação

no reverso do tempo

no retorno natural do arquétipo banido

Agora é necessário acreditar

que gerânios de luz

ainda irão brotar

destes desertos

em forma de coração.

 

(Transcrito de No giro dos ventos)

 

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Febre

 

Seigneur, je suis tout seul et j´ai la fièvre.

                              Blaise Cendrars.

 

 

Pássaros desertam minha cabeça

o tempo nasce

entre minhas mãos.

Em meus olhos cresce um novo Olho.

Azul. Intenso.

O céu queima dentro dele.

Sua essência é o Movimento.

O vento a correnteza o caminho das estrelas

ainda não é o Movimento.

Movimento

é o cintilar

de meu novo Olho.

Nele o longínquo e o próximo cessam

a eternidade se parte

aquilo que era

não mais existe

nele

o desconhecido se abre

e surge a fenda o instante do instante

a linha de força

leve como um sopro

por onde entram e saem os mensageiros

que

com suas facas  com suas carícias

vão me separando da inércia

do habitual

vão cortando

minhas ligações com o antigo

com o sonho

da realidade.

Meu Olho é o 7. O Ritmo

que pulsa terrível

imóvel como um sol.

Suas ondas iluminam sobre o abismo

uma pequena ponte:

sou eu.

 

( Transcrito de Rosa de Sal



Canto andaluz

 

De repente o fio se rompe

e ficamos sozinhos

diante da violência do Real

de repente nossos olhos espantados

passam a se abrir

sobre um fim de viagem:

um imenso quadrado branco

onde jazem espalhados

patéticos fragmentos de cristal.

 

De repente vagas incandescentes de furor e revolta

de pesar e desencanto

explodem e se dissolvem

contra a opaca indiferença do que É

de repente não há mais nada a fazer

nada a dizer

cada novo instante dilacerando o próximo.

 

De repente os dias e as noites vão passando

enterrando as raízes da dor

depositando suavemente

nossas exaustas emoções

nas profundas cisuras da sombra.

 

De repente resta apenas nos lábios

o travo desta cinza

esta maré de pedra sobre o peito

resta esta incapacidade de aceitar

o latejar do acaso

resta somente esta mágoa

desesperada e triste

como um canto andaluz.

 

(Transcrito de No giro dos ventos )

 

 

PENIDO, Egberto. A noite também é um sol.  São Paulo, SP: Editora Giordano, 1994.  85 p.  12x18 cm.   “ Egberto Penido “ Ex. bibl. Antonio Miranda


 

 

Interrogação

 

Interrogo o sentido do vento, a distância

das árvores, a direção das ilhas,

interrogo as sombras

que flutuam a cada passo;

interrogo

a hora que aparece ao longe

o branco da poeira

os caminhos vazios até o céu.

Interrogo

meu coração parado em sobressalto

cativo neste estreito espaço,

me interrogo na noite de meu sonho

contra o parapeito

o caminho de volta esquecido

sem ousar gritar.

 

 

 

Sentado na varanda

 

Sentado na varanda

ouvindo o rumor do vento na noite

imerso

 

na sombra de caminhos perdidos

sente uma terna amargura

por esta vida

 

que é sempre a mesma

nunca a mesma.

 

 

Azul

 

Como um velho disco em rotação errada

esfrega os olhos, senta,

acende um cigarro.

Sente de novo o espasmo na garganta,

a garra sobre o peito.

Abre a janela: exausto,

a boca amarga de insônia,

totalmente vazio, fica olhando

o absurdo céu azul.

 

 

 

 


 


 

 

 
 
 
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