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MÁRIO FAUSTINO
Piauiense, de Teresina, iniciou-se como cronista n´A Província do Pará, aos 16 anos. Foi bolsista na Califórnia, de 1951 a 1952, estudando a literatura de língua inglesa. Trdutor da ONU, NY, 1959-1960. Autor de um só livro – O Homem e sua Hora (Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1955) e de poemas esparsos, publicados em revistas e jornais. Notabilizou-se como crítico literário no SDJB (Suplemento Dominical do Jornal do Brasil) com a seção Poesia-Experiência, no auge dos movimentos concretista e neoconcretista. Traduziu Ezra Pound ao nosso idioma. Faleceu vítima de um acidente aéreo nos Andes peruanos, em missão jornalística. A Global Editora, de São Paulo, publicou os seus “Melhores Poemas”, selecionados por Benedito Nunes, merecendo várias reimpressões.
O mundo que venci deu-me um amor
O mundo que eu venci deu-me um amor, Um troféu perigoso, este cavalo Carregado de infantes couraçados. O mundo que venci deu-me um amor Alado galopando em céus irados, Por cima de qualquer muro de credo. Por cima de qualquer fosso de sexo. O mundo que venci deu-me um amor Amor feito de insulto e pranto e riso, Amor que força as portas dos infernos, Amor que galga o cume ao paraíso. Amor que dorme e treme. Que desperta E torna contra mim, e me devora E me rumina em cantos de vitória...
Ego de Mona Kateudo
Dor, dor de minha alma, é madrugada E aportam-me lembranças de quem amo. E dobram sonhos na mal-estrelada Memória arfante donde alguém que chamo Para outros braços cardiais me nega Restos de rosa entre lençóis de olvido. Ao longe ladra um coração na cega Noite ambulante. E escuto-te o mugido, Oh vento que meu cérebro aleitaste, Tempo que meu destino ruminaste. Amor, amor, enquanto luzes, puro, Dormido e claro, eu velo em vasto escuro, Ouvindo as asas roucas de outro dia Cantar sem despertar minha alegria.
Carpe Diem
Que faço deste dia, que me adora? Pega-lo pela cauda, antes da hora Vermelha de furtar-se ao meu festim? Ou colocá-lo em música, em palavra, Ou grava-lo na pedra, que o sol lavra? Força é guarda-lo em mim, que um dia assim Tremenda noite deixa se ela ao leito Da noite precedente o leva, feito Escravo dessa fêmea a quem fugira Por mim, por minha voz e minha lira.
(Mas já se sombras vejo que se cobre Tão surdo ao sonho de ficar – tão nobre. Já nele a luz da lua – a morte – mora, De traição foi feito: vai-se embora.)
Divisamos assim o adolescente
Divisamos assim o adolescente, A rir, desnudo, em praias impolutas. Amado por um fauno sem presente E sem passado, eternas prostitutas Velam por seu sono. Assim, pendente O rosto sobre um ombro, pelas grutas Do tempo o contemplamos, refulgente Segredo de uma concha sem volutas. Infância e madureza o cortejavam, Velhice vigilante o protegia. E loucos e ladrões acalentavam Seu sonho suave, até que um deus fendia O céu, buscando arrebata-lo, enquanto Durasse ainda aquele breve encanto.
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