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Um dos primeiríssimos nomes da poesia de Goiás. Há tempos tento comunicar-me com ele, além das leituras de sua fértil poesia... Ambos temos residência temporária em Pirenópolis, mas a sorte ainda não nos colocou um diante do outro. Certamente já cruzamos pelas ruas empedradas da mágica cidade colonial de Goiás que nós tanto amamos... Gilberto é um grande poeta, um grande ensaísta. Hoje começo com uns poucos de seus versos, da obra notável que é Plural de nuvens (Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1990). Em outra oportunidade, depois de um encontro que vai acontecer em algum momento, publicaremos outros poemas e a foto do autor... Antonio Miranda Convidado oficial da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, participa da antologia POEMÁRIO da I BIP. Veja também: GILBERTO MENDONÇA TELES - EN ITALIANO / EN FRANÇAIS
De Um novo livro de Gilberto Mendonça Telles é sempre um acontecimento literário. Com o propósito de celebrar e divulgar, nos limites estreitos de nossa lei do direito autoral (que está para ser reformada e tomara que adote o sentido do “fair use” para os efeitos da educação e da cultura, quando sem fins lucrativos), segue um dos poemas do livro:
PAIXÃO — Quanto dura uma paixão? ***************************************************************************************
De ARTE DE AMAR
RECEITA
Tome a palavra suja, "cabeluda" e com c'aspas, essa que tem açúcar no sangue, e sobretaxa.
Tome a que, sendo escrava da tribo e do tributo, mostra no corpo as marcas de lacre, logro e lucro.
Pode ser a de baixo calão, a manteúda, como opção, como cágado, essa que se disputa
nas feiras, que é falada, que é falida e que gruda, tome a palavra chata, tome a palavra chula
e bote tudo às claras e gema e até misture coisas de corpo e alma, de vida e de cultura
e leve ao forno e passe a forma na gordura, depois coma e disfarce os bigodes da gula.
ANULAÇÃO
Ocupar o espaço contido na sombra, ser o pó do espesso, o vão da penumbra,
o dó sem começo, o nó sem vislumbre, o invisível traço do não-ser: escombro.
Ser zero, ou nem isso:
letra morta, timbre do vazio no osso.
Ser aquém do nome — o só do soluço de coisa nenhuma.
De
FALAVRA I
De
LIÇÃO DE MÚSICA
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