Coordination de ARICY CURVELLO
GILBERTO MENDONÇA TELES
A ARTE DE AMAR
Abro o espaço da fome e me abasteço
das coisas mais comuns.
Sou trivial e sóbrio, mas faminto.
Amo o jogo das tripas e dos tropos
e todo dia exercito a competência
da língua retorcida como um búzio
nas vésperas da posse.
E sete vezes sete ( e mais a conta
dos números do mito ) arremeti
meus dardos contra os muros
dessa tebas morena de mil olhos.
E sete vezes sete ( e mais o fôlego
dos gatos guturais ) recomecei
o gesto natural da minha flauta
que a chuva modulava no alicerce,
como a canção de amor que principiava
pelas curvas do ventre nos espelhos.
L’ ART D’ AIMER
J’ ouvre l’ espace de la faim et je m’ en approvisionne
des choses les plus communes.
Je suis trivial e sobre, mais affamé.
J’ aime le jeu des tripes et des tropes
et tous les jours j’ excite ma compétence
la langue tordue comme un buccin
à la veille de la possession.
Et sept fois sept (et plus le compte
des numéros du mythe) j’ ai lancé
mes dards contre les murs
de cette Thèbes brune de mille yeux.
Et sept fois sept ( et plus l’ haleine
des chats gutturaux) j’ ai recommencé
le geste natural de ma flûte
que la pluie modulait dans le fondement,
comme la chanson de l’ amour qui commençait
par les courbes du ventre dans les miroirs.
Ø Đ Φ
( Da antologia bilingüe “Poésie du Brésil”, seleção de Lourdes Sarmento, edição Vericuetos, como nº 13 da revista literária francesa “Chemins Scabreux”, Paris, setembro de 1997. Traduções de Lucilo Varejão, Maria Nilda Miranda Pessoa e outros.O poema acima foi compilado por Olga Savary.)
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