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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIA PERNAMBUCANA

Coordenação de  Lourdes Sarmento

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JOSÉ ALMINO

 

José Almino de Alencar e Silva Neto é sociólogo e escritor nascido em Pernambujco em 1946, graduado (license e maitrise) pela Faculté des Lettres et Siences Humaines de Nanterre, Université de Paris, França, Master of Arts em Economia pela Vanderbilt University e Ph.D em Sociologia, pela University of Chicago.

 

De volta ao Brasil, ocupou, de 1985 a 1989, cargo de Secretário-Geral Adjunto do Ministério de Ciência e Tecnologia e de Secretário de Assistência Social do Ministério da Previdência e Assistência Social. Integrou a equipe do Laboratório de Nacional de Computação Científica de 1985 a 1995, quando passou a dirigir, até 1999, o Centro de Pesquisas da Fundação Casa de Rui Barbosa, onde atualmente é pesquisador.

 

Livros de poesia: De viva voz (Recife, 1985) e Maneira de dizer, indicado para o prêmio Jabuti 1991, Bolsa Vitae de Literatura 1992 (Ed. Brasiliense, S. Paulo, 1991); duas novelas curtas, O motor da luz (Ed. 34, São Paulo, 1994) e O Baixo Gávea, diário de um morador (Ed. Relume Dumará, Rio de Janeiro, 1996) e, em colaboração com Ana Pessoa.  

 

Para o teatro, ele traduziu Le bourgeois gentilhomme e l'impromptu de Versailles, de Molière, Closer, de Patrick Marber, Who is afraid of Virginia Woolf?, de Edward Albee e Wit, peça de Margaret Edson, e compôs, com Caetano Veloso, a música-tema da peça Lisbela e o prisioneiro, dirigida por Guel Arraes. Para o cinema, ele colaborou na adaptação de Bella Donna, dirigido por Fábio Barreto.

 

“Os poemas de José Almino extraem sua grandeza dos embates de dentro; por palmilharem com extrema sensibilidade essa pele interna em que os poetas inscrevem o “sentimento do mundo”, mesmo quando, ou sobretudo quando, se vêem às voltas com uma memória em exílio”.  Francisco Alvim.

“A naturalidade brasileira, valorizada pelos modernistas como uma graça especial, reaparece na poesia de José Almino — só que agora transformada em documento doído e instrutivo de um fim de linha histórico”. Roberto Schwartz

 

 

A RASPA DO TACHO

 

A vida miúda

e a velha a fiar:

 

um destino cocho.

Um riso de trovas

um mijo das trevas

um vezo aloprado

um peso azulado

um sino versátil

uma reza solar

 

e a raspa do tacho

e a velha a fiar.

 

 

PAISAGEM DO EDIFÍCIO

 

A Praça do Derbi é rala

e um riso assunta minha cara,

um riso que se escancara

oblíquo como os teus olhos

vistos aqui de cima;

onde o Recife se alarga,

em um presente infinito.

 

E a tua boca é um traço,

no mesmo prumo do riso,

no mesmo desembaraço

do teu olhar, sempre oblíquo,

punhal aflito em ferida,

sangrando bem na medida

dessa saudade tão rara.

 

 

 CANÇÃO DO EXILADO

 

Se eu voltar a lamber as botas do passado,

Se eu voltar a chorar a memória da memória:

que me seque a mão direita!

Quando o teu calor vier

pelo vento tardio, deste verão tão puro

e corromper o meu tato;

e o roçar da tua nuca, me fizer tremer.

Se eu assobiar a tua mínima canção,

se eu procurar a tua boca

e o ruído das tuas ruas estrangular o meu coração:

que me cole a língua ao paladar!

Ó devastadora filha de Babel,

feliz quem devolver a ti

o mal que me fizeste!

Não pedirei mais

perdão às virtudes do passado.

Repetirei, em desassombro 

se eu lembrar de ti, Jerusalém 

com os que diziam: 

"Arrasai-a!

Arrasai-a até os alicerces!"

 

 

EVOCAÇÃO DA AVENIDA NORTE

 

Não tenho pais, nem irmãos, parentes ou amigos:

estou só na Avenida Norte.

Me encanta a Avenida Norte.

Me encanta o seu nome cardinal,

a minúscula Assembléia de Deus,

o homem cotó,

a gente feiinha, a gente feiazinha.

Irei para o Arruda, para Beberibe,

ou ficarei na Encruzilhada.

Estarei sempre na Avenida Norte.

Eu quero a Avenida Norte, como a mulher que passa.

Para trás os ingleses cobertos de tapuru,

na sombra das palmeiras do cemitério dos ingleses;

Abreu e Lima morto e enterrado.

Não quero.

Não quero:

As jaqueiras de Casa Forte,

o remanso do rio no Poço da Panela,

tampouco.

 

 

De
Maneira de dizer
São Paulo: Editora Brasiliense, 1991

 

A paisagem era um sopro
o gosto ardente
do pó da estrada
e nada sossega
a cor parda desta tarde
onde o furor do sol
não me diz
mais nada.

--

Os amigos eram
discretos e corretos.
As conversas
insensatas.
Os sentimentos,
quietos.
As almas, desbagaçadas.

---

Daí-me um nome em que as coisas
continuem,
o brilho seco, mastigado
desses dias,
eu vivo aqui no apagar desse segundo.
Ninguém se lembrará
e no entanto
a amizade é a mesma.


LE BATEAU IVRE

Concertar o sentimento
em uma só idéia
e ficar
da minha janela
a ver navios.

Assobio
na brisa firme
do inverno
a Florisbela, ô,
a Florisbela
e saio, assim,
barco
meio ébrio.

---

A saudade,
bem se sabe,
mora num poço
perdido
nesses instantes
repetidos
onde a dor se consome
vira mágoa
por muito pouco
por quase nada.

----

Terminei não indo.

 




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