Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ALDIR BLANC

Fonte da foto: http://butecodoedu.blogspot.com

 ALDIR BLANC

Todo mundo sabe que Aldir Blanc é um dos mais renomados e  celebrados letristas de música do Brasil, com parcerias famosas principalmente com os compositores João Bosco e  Guinga. Suas letras, ao contrário do que  dizem os mais conservadores, são poemas. Mas ele também produz poesia no sentido estritamente discursivo do termo, em boa hora apresentados em livro:  — UM CARA BACANA 19ª  - CONTOS, CRÔNICAS E POEMAS ( Rio de Janeiro: Record, 1996).  Extraímos uma pequena   mostra para atestar o talento (aliás,  irrefutável) do poeta:


DESENCONTRO MARCADO

             Da série “Árias para Folha de Ficus” – I

É, não vem,
não vou.
Deixa pra lá,
depois se vê.
Você queima
e eu não ponho
a mão no fogo por você.



DUAS EM UMA


na boca,
a tua ambigüidade:

arpejos de asas
clara revoada

espelhos cobertos
face a trovoada.


POESMÍSCUO

Faz escuro mas eu cancro.
Vou-me embora de Pasárgada.
Lá, me funiquei com o Rei:
chutei uma drag queen,
sobre o peixe vomitei.
Que as belas sirvam a Vinicius
pra fazer letra com o Tom.
Cu de empregada é que é bom.


CLIMA-X

Quando, agonizantes, gozamos,

transcendemos

essa história de ser mulher
ou ser marido:

É como se você fosse terra
e eu tivesse chovido.

 

                       LETRAS DE MÚSICAS


DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ

 

     Composição: Aldir Blanc e João Bosco

 

 

Sentindo frio em minh'alma

Te convidei pra dançar

A tua voz me acalmava:

- São dois pra lá, dois pra cá

 

Meu coração traiçoeiro

Batia mais que o bongô

Tremia mais que as maracás

Descompassado de amor

 

Minha cabeça rodando

Rodava mais que os casais

O teu perfume Gardênia

E não me perguntes mais

 

A tua mão no pescoço

As tuas costas macias

Por quanto tempo rondaram

As minhas noites vazias

 

No dedo, um falso brilhante

Brincos iguais ao colar

E a ponta de um torturante

Band-aid no calcanhar

 

Eu, hoje, me embriagando

De whisky com guaraná

Ouvi tua voz murmurando:

— São dois pra lá, dois pra cá

 

O BÊBADO E A EQUILIBRISTA

 

         Aldir Blanc

 

Caía
a tarde feito um viaduto

E um bêbado trajando luto
me lembrou Carlitos.

A lua,
tal qual a dona de um bordel

pedia a cada estrela fria

Um brilho de aluguel.

E nuvens,
lá no mata-borrão do céu

chupavam manchas torturadas,
que sufoco.

Louco,
o bêbado com chapéu-coco

fazia irreverências mil
pra noite do Brasil.

 

Meu Brasil

Que sonha
com a volta do irmão do Henfil

Com tanta gente que partiu
num rabo de foguete.

Chora
a nossa pátria, mãe gentil,

choram Marias e Clarices*
no solo do Brasil.

Mas sei
que uma dor assim pungente

Não há de ser inutilmente,
a esperança

dança na corda bamba de sombrinha,

e em cada passo dessa linha

pode se machucar.

Azar,
a esperança equilibrista

Sabe que o show de todo artista

tem que continuar...

 

 

Nota: no livro aparece “Clarisses” mas em sítios na web aparece “Clarices” com “c”, lembrando a escritora Clarice   Lispector.

 

Página publicada em dezembro de 2008.

 


Voltar para a  página do Rio de Janeiro Voltar ao topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar