DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ
Composição: Aldir Blanc e João Bosco
Sentindo frio em minh'alma
Te convidei pra dançar
A tua voz me acalmava:
- São dois pra lá, dois pra cá
Meu coração traiçoeiro
Batia mais que o bongô
Tremia mais que as maracás
Descompassado de amor
Minha cabeça rodando
Rodava mais que os casais
O teu perfume Gardênia
E não me perguntes mais
A tua mão no pescoço
As tuas costas macias
Por quanto tempo rondaram
As minhas noites vazias
No dedo, um falso brilhante
Brincos iguais ao colar
E a ponta de um torturante
Band-aid no calcanhar
Eu, hoje, me embriagando
De whisky com guaraná
Ouvi tua voz murmurando:
— São dois pra lá, dois pra cá
O BÊBADO E A EQUILIBRISTA
Aldir Blanc
Caía
a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
me lembrou Carlitos.
A lua,
tal qual a dona de um bordel
pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel.
E nuvens,
lá no mata-borrão do céu
chupavam manchas torturadas,
que sufoco.
Louco,
o bêbado com chapéu-coco
fazia irreverências mil
pra noite do Brasil.
Meu Brasil
Que sonha
com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
num rabo de foguete.
Chora
a nossa pátria, mãe gentil,
choram Marias e Clarices*
no solo do Brasil.
Mas sei
que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente,
a esperança
dança na corda bamba de sombrinha,
e em cada passo dessa linha
pode se machucar.
Azar,
a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
tem que continuar...