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CLAUDIA BARRAL
Nasceu em Salvador, Bahia, em 1978. É poeta, atriz e dramaturga. Seus textos mais conhecidos são O cego e o louco e Cordel do amor sem fim.
Pequena valsa para o funeral das horas.
Se eu pudesse, minha irmã, ouvir o que ela ouvia Quando olhava, em silêncio, os relógios, seus ponteiros a girar. Se eu pudesse escutar o som que eles faziam, O tempo que existia, quando o tempo costumava a caminhar. As mulheres costumavam engordar, Os homens desatavam a beber, Os velhos tinham o hábito de morrer, E o tempo não parava de passar. Se eu pudesse acompanhar seus olhos que seguiam As horas que morriam quando outras começavam a nascer. Se eu pudesse escutar que o som do que ela via Era um tal barulho imenso que podia, em silêncio, ensurdecer. Quando ainda era cedo. Quando ela ainda podia ficar. Quando ela ainda queria me ver. E o tempo não parava de passar.
Página publicada em novembro de 2009
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