ANAND RAO
Autor de muitos, muitos livros e de muitas canções. Eu só conheço, até agora, um: POEMAS DOMADOS SOB O SIGNO DA LUA, sem data de edição, mas deve ser do início dos anos 90. Era o décimo oitavo da carreira de um jovem poeta! Encontrei o exemplar em um sebo... Vou seguir buscando outros... Publico alguns dos primeiro, deixo espaço para mais... outros virão... A biografia dele fica para depois. Qualquer coisa, visitem o sitio dele: http://www.anandraobr.com/
Antonio Miranda
LARANJA PARTIDA AO MEIO
Meu amor
De você
Não quero
Nem o início
Nem o fim
Quero o meio.
CRUZ-CREDO
À frente
Um mar de lama
No itinerário da trama.
Atrás
A minha cama
Aliás
Minha dama
Provocando o meu impeachment.
CALCINHAS DE RENDA
Custou alguns cruzeiros minha calcinha.
Cruzeiros que fabricarão
Aquela ereção gostosa
Que cala minha boca
Suga minhas tetas
E me engravida
Me fez suar e gemer
Noite adentro
Dentro.
TINTA
A caneta
Escreve poemas de esquerda
Com a mão direita.
AO SOM DAS ÁGUAS
(a Almir Sater, mesmo que ele não leia, eu o ouvi)
Qual é a língua que tu falas canoa
É a língua das águas
Ou simplesmente vais à-toa
De acordo com a maré.
Não és a língua das serpentes
És a língua das sementes
Do rio Guaporé.
E eu sou teu leme canoa
E eu fico à-toa
Remando contra a maré.
Canoa desce
Canoa vai.
PALETÓ
Os ternos
Descansam nos cabides
E me cansam vestidos.
FORCA
Dou um nó
Na gravata
Que me dá um nó.
Obs. Estive em casa do poeta e músico Anand Rao em ameno e animado happy-hour com seus amigos. Estamos compondo nossa primeira parceria poético-musical. Eu entro com a poesia, ele com a melodia e a simpatia... Outras parcerias virão. Habemus poesia! 11.01.2008
Página publicada em janeiro de 2008. |