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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ALEX PAUSIDES

(Cuba, 1950). Diretor do Festival Internacional de Poesia de Havana, um dos mais importantes eventos culturais da América Latina. Ganhou o prêmio de poesia da Gaceta de Cuba. Poeta e performer.

Alex Pausides y yo hemos participado juntos de una sesión de la Feria Internacional del Libro de Fortaleza (Ceará, Brasil, en 2008) en que él habló de su experiencia con el Festival Internacional de Poesía de La Habana y yo sobre la I Bienal Internacional de Poesía de Brasília, para un muy grato y oportuno intercambio de experiencias (A.M.)

TEXTOS EN ESPAÑOL    /    TEXTOS EM PORTUGUÊS

 

Ah mundo amor mío

 

Aquí choco mi voz

contra las ráfagas

lanzo mis manos

contra el dolor del hombre

y lo alzo en su fragor

lo duelo

lo hago mío

después

después lo entierro

y no ha nacido

 

2

 

Al destajo olvido el verso

me abro puertas

ventanas

crujo

voy al limpio

voz

menudo vendaval

gajito fresco.

Ah mundo, amor mío

y que ofrecerte en tan pequenñ bandeja

en tan cortísimo racimo de palabras

que

si solo tengo contra ti

y afilados como un labio

mi odio

mi rabia

mi amoroso durísimo candor.

Si solo hablo y hablo

como una décima

en cada peldaño de mi corazón

pájaro suave

finísima brisa untada en tormentas
que sube y baja
al compás del canto
del hombre y de la tierra.



Palabra

 

la palabra palabrea a letra limpia

entro un beso en su labio bélico

baja la voz se agacha cubre su desnudez

suda su diptongo

la palabra hembra dable penetrable

hundo mi puno en sus vocales débiles

la rajo la bloqueo la hago mía

y le arranco el sexo a manotazos

a poesía

a palabrota

hasta que sangra de magia

la palabra esa muchacha

 

De
LA EXTENSIÓN DE LA INOCIENCIA
Mérida, Venezuela: Ediciones Mucuglifo; Ediciones Gitpanjali; CENAL; 2007

 

Hombre en las nubes

bájese
o lo tumbo de un balazo
después la historia
no podrá  acunar esse estampido
el suelo no querrá su cadáver
ni para hacer subir um hongo entre la tumba

mendiga

la poesía anda harapienta
hecha un trapo pero cuidense
los que quieran pendenciarle
la llaga a esa mendiga
el sombrio turbión en su garganta
trae en vilo um aspavientos
que gime sufre calla
peligrosamente

 

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS
Tradução de Antonio Miranda

 

Ah mundo amor meu

Aqui lanço minha voz
contra as rajadas
estendo minhas mãos
contra a dor do homem
e a alço em seu fragor
lastimo-a
faço-a minha
depois
depois a enterro
mas ela não brotou

 

2

Na empreitada olvido o verso
abro-me as portas
janelas
ranjo
vou ao limpo
voz
miúdo vendaval
raminho fresco.
Ah mundo amor meu
que oferecer-te em tão mínima bandeja
em tão curtíssimo cacho de palavras
o quê
se apenas tenho contra ti
y afiados como lábios
meu ódio
minha raiva
meu amoroso duríssimo candor.
Se apenas falo e falo
como uma décima
em cada degrau de meu coração
pássaro suave
finíssima untada de tormentas
que sobe e desce
ao compasso do canto
do homem e da terra.


Palavra

a palavra palavreia a letra limpa
entro um beijo em seu lábio bélico
baixa a voz se agacha cobre sua nudez
sua seu ditongo
a palavra fêmea dável penetrável
afundo meu punho em suas vogais débeis
racho-a bloqueio-a faço-a minha
e arranco-lhe o sexo a palmadas
a poesia
a palavrão
até que sangra de magia
a palavra essa garota

 

De
LA EXTENSIÓN DE LA INOCIENCIA
Mérida, Venezuela: Ediciones Mucuglifo; Ediciones Gitpanjali; CENAL; 2007

 

Homem nas nuvens

desça
ou o desabo com um balaço
depois a história
não poder  embalar esse estampido
o chão não vai querer seu cadáver
nem para fazer brotar um cogumelo na relva


mendiga

a poesia anda em farrapos
feita um trapo mas cuidem-se
os que pretendam sujeitar-lhe
a chaga a esta mendiga
o sombrio aguaceiro em sua garganta
traz suspenso um estardalhaço
que geme sofre cala
perigosa
mente

 

 

Página publicada em março de 2009; ampliada e republicada em julho de 2009.


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