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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

ADÉLIA PRADO

 

Adélia Prado (1935) surge en Divinópolis, interior de Minas Gerais, con la publicación de Bagaje, en 1976.  En esta y en toda su obra siguiente es flagrante una percepción: "respirar es dificil" (sic). En original vuelo solitario, la poesía de Adélia se apropia de epifanías, profana, provoca, gime, siempre bajo el yugo severo de la palabra sagrada.

Lo que atrae en Adélia es que cuanto más crece su obra en calidad y extensión, más comprimido se vuelve su campo de observación. Es una poesia que habla del detalle ínfimo, de gestos, del dulce que se hace y se come de la olla, de pequeños (y grandes) deseos inconfesados, de sentimientos repetitivos, anti-heroicos. En fin, una metafísica única del universo doméstico.  Heloisa Buarque de Hollanda

 

Fuente:  http://www.mujeresdeempresa.com/arte_cultura/030701-adelia-prado.shtml

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  TEXTOS EN ESPAÑOL

Veja também>>> POÈMES EN FRANÇAIS

See also: TEXTS IN ENGLISH

 

MISSA DAS 10

 

Frei Jácomo prega e ninguém entende.

Mas fala com piedade, para ele mesmo

e tem mania de orar pelos paroquianos.

As mulheres que depois vão aos clubes,

os mocos ricos de costumes piedosos,

os homens que prevaricam um pouco em seus negócios

gostam todos de assistir a missa de frei Jácomo,

povoada de exemplos, de vida de santos,

da certeza marota de que ao final de tudo

urna confissão "in extremis" garantirá o paraíso.

Ninguém vê o Cordeiro degolado na mesa,

o sangue sobre as toalhas,

seu lancinante grito,

ninguém.

Nem frei Jácomo.

 

                   (De  O Pelicano, 1987)

 

 

PRANTO PARA COMOVER JONATHAN

 

Os diamantes são indestrutíveis?

Mais é meu amor.

O mar é imenso?

Meu amor é maior,

mais belo sem ornamentos

do que um campo de flores.

Mais triste do que a morte,

mais desesperançado

do que a onda batendo no rochedo,

mais tenaz que o rochedo.

Ama e nem sabe mais o que ama.

 

                   (De  O Pelicano, 1987)

 

 

Trégua          

        

Hoje estou velha como quero ficar.

Sem nenhuma estridência.

Dei  os desejos todos por memória

e rasa xícara de chá.        

 

 

Endecha

 

Embora a velha roseira insista neste agosto e

confirmem o recomeço estas mulheres grávidas,

 

eu sofro de um cansaço, intermitente como certas febres.

 

Me acontece lavar os cabelos e ir secá-los ao sol,

desavisada. Ocorre até que eu cante.

 

Mas pousa na canção a negra ave e eu desafino rouca,

em descompasso, uma perna mais corta,

 

a ausência ocupando todos os meus cômodos,

a lembrança endurecida no cristal

de uma pedra na uretra.

 

 

O GUARDA-CHUVA PRETO

Esquecido na mesa,
como cabo voltado para cima
e as bordas arrepanhadas,
é como seu dono vestido,
composto no seu caixão.
Não desdobra a dobradiça,
não pousa no braço grave
do que, sendo seu patrão,
foi pra debaixo da terra.
Ele, vai para o porão.
Existe um retrato antigo
em que posou aberto,
com o senhor moço e sem óculos.
Guarda-chuva, guarda-sol,
guarda-memória pungente
de tudo que foi em nós
um pouco ridículo e inocente.
Guarda-vida, arquivo preto,
cão de luto, c]ao jazente.

         (De O coração disparado,1987

 

ROÇA

No mesmo prato
o menino, o cachorro e o gato.
Come a infância do mundo.

         (De O coração disparado,1987

 

VITRAL

Uma igreja voltada para o norte.
À sua esquerda um barranco, a estrada de ferro.
O sol, a mais de meio caminho para oeste.
Tem uns meninos na sombra.
Eu estou lá com um pé apoiado sobre o dedo grande,
a mão que passei no cabelo,
a um quarto de seu caminho até a coxa,
onde vai bater e voltar, envergonhado passo de balé.
Tudo pulsando à revelia de mim,
bom como um ingurgitamento não-provocado do sexo.
A pura existência.

         (De O coração disparado,1987

 

COM LICENÇA POÉTICA

 

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado para mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou tão feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

Já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

 

                   De Bagagem (1976)

 

 

MULHER QUERENDO SER BOA

Me toldam horas de cinza
Rachadas de imprecação.
Ó Deus, não me humilhe mais
com esta coceira no púbis.
Responde-me sobre os mortos,
se mamam,
nesta lua visível em pleno dia,
do seu leite de sonho.

 

 

FIBRILAÇÕES

 

Tanto faz

funeral ou festim

tudo é desejo

que percute em mim.

Ó coração incansável a ressonância das coisas,

amo, te amo, te amo,

assim triste, ó mundo,

ó homem tão belo que me paralisa.

Te amo, te amo.

E uma língua só,

um só ouvido, não absoluto.

Te amo.

Certa erva do campo tem as folhas ásperas

recobertas de pelos,

te amo, digo desesperada

de que outra palavra venha em meu socorro.

A relva estremece, 
o amor para ela é aragem.

         De O pelicano (1987)

 

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Adélia Prado

De
Adélia Prado
 
CHORINHO DOCE.
 Poemas de Adélia Prado.
Maureen Bisilliat - imagens. 
São Paulo: Alternativa, 1995.   s.p.  ilus. col.
Patrocinio Iochpe-Maxio

   

Maureen Bisilliat vem ilustrando com fotos excepcionais as obras de grandes poetas e escritores brasileiros. No caso da poesia, está também o exemplo de O cão sem plumas, do mestre pernambucano João Cabral de Melo Neto, com imagens tomadas nos manguezais dos alagados de Recife. Fortes, contundentes, ampliando o discurso cabralino. Catadores de guaiamuns atolados na lama. Agora é a vez da mineira Adélia Prado, que Maureen ilustra com rostos e paisagens do sertão, que ambienam e projetam os textos. Livro de circulação restrita, com patrocínio de empresa industrial, encontrável apenas em sebos e bibliotecas, além das coleções particulares.
 

 

Impressionista

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.


Solar

Minha mãe cozinhava exatamente
arroz, feijão-roxinho,
molho de batatinhas.
Mas cantava.


Trégua

Hoje estou velha como quero ficar.
Sem nenhuma estridência.
Dei os desejos todos por memória
e rasa xícara de chá.

 

PRADO, Adélia.  Miserere.  1ª. edição.  Rio de Janeiro: Record, 2013.  94 p.   13,5x21 cm.   Capa: Diana Cordeiro.  ISBN 978-85-01-10173-0     Col. A.M. 

 

UMA PERGUNTA

 

Vede como nossos filhos nos olham,

como nos lançam em rosto

uma conta que ignorávamos.

Não caridosos, convertem em pura dor

a paixão que os gerou.

Por qual ilusão poderosa

nos veem assim tão maus,

a nós que, tal como eles,

buscamos a mesma mãe,

concha blindada a salvo de predadores.

 

 

 

A QUE NÃO EXISTE

 

Meus pais morreram,

posso conferir na lápide,

nome, data e a inscrição: SAUDADES!

Não me consolo dizendo

'em minha lembrança permanecem vivos',

é pouco, é fraco, frustrante como o cometa

que ninguém viu passar.

De qualquer língua, a elementar gramática

declina e conjuga o tempo,

nos serve a vida em fatias,

a eternidade em postas.

Daí acharmos que se findam as coisas,

os espessos cabelos, os quase verdes olhos.

O que chamamos morte

é máscara do que não há.

Pois apenas repousa

o que não pulsa mais.

 

 

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL

Traducción de Diana Bellessi. 

 

Tregua

 

Hoy estoy vieja como quiero estar.

Sin niguna estridencia.

Cambié todos los deseos por recuerdos.

y una tacita de té.

 

 

Endecha       

           

Aunque el viejo rosal insista en este agosto

y confirmen el reinicio estas mujeres grávidas,

 

yo sufro de un cansancio, intermitente como ciertas fiebres

 

Me da por lavarme el pelo y salir a secarlo al sol,

desprevenida. Hasta canto a veces.

 

Pero se posa en la canción un ave negra y yo desafino ronca

desacompasada, una pierna más corta,

 

la ausencia ocupa todos mis cuartos,

la memoria endurecida en el cristal

de una piedra en la uretra.          

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TEXTOS EN ESPAÑOL

TRADUCCIONES DE ADOLFO MONTEJO NAVAS


ADÉLIA PRADO

Capa da edição dedicada à escritora,
publicação do Instituto Moreira Sales,
junho 2000, dirigia por

Antonio Fernando De Franceschi.

 


ADÉLIA PRADO

 

 

(Divinópolis, Minas Gerais, Brasil, 1936)

 

La aparición de su poesía fue saludada por el propio Drummond de An-

drade. Una poética que consigue reunir religiosidad, eros y cotidianidad, con una escritura de verso narrativo, coloquial y salpicado de elementos geográficos y epifanías místicas, «el fundamento de la mística es el mismo fundamento que el de la poesía», confiesa la autora de Minas Gerais. Poesía que destaca, en primer plano, el sentimiento de la mujer, como razón expresiva. También es autora de varios libros en prosa.

 

OBRA POÉTICA: Bagagem, 1976; O coração disparado, 1978; Terra de

Santa Cruz, 1981; O pelicano, 1987; A faca no peito, 1988; Oráculos de maio, 1999.

 

 

 

CON LICENCIA POÉTICA

 

Cuando nací un ángel esbelto,

de esos que tocan la trompeta, anunció:

vas a cargar bandera.

Cargo demasiado pesado para mujer,

esta especie aún avergonzada.

Acepto los subterfugios que me tocan,

sin necesitar mentir.

No soy tan fea que no me pueda casar,

encuentro Río de Janeiro una belleza y

ora sí, ora no, creo en el parto sin dolor.

Pero lo que siento escribo. Acato el destino.

Inauguro linajes, fundo reinos

— dolor no es amargura.

Mi tristeza no tiene pedigrí,

ya mis ganas de alegría,

su raíz va a mi abuelo mil.

Va a ser cojo en la vida es maldición para hombre.

Mujer es desdoblable. Yo soy.

 

                   De Bagagem (1976)

 

 

VIDRIERA

 

Una iglesia orientada hacia el norte.

A su izquierda un barranco, la vía del tren.

El sol, a más de medio camino hacia el oeste.

Hay unos niños en la sombra.

Yo estoy allí con el pie apoyado sobre el dedo pulgar,

la mano que pasé por el cabello,

a un cuarto de su camino hasta el muslo,

donde va a golpear y volver, avergonzado paso de ballet.

Todo latiendo en contra mía,

bueno como un engullimiento no provocado del sexo.

La pura existencia.

 

                   De O coração disparado (1978)

 

 

MUJER QUERIENDO SER BUENA

 

Me entoldan horas de ceniza

rajadas de imprecación.

Oh Dios, no me humilles más

con este escozor en el pubis.

Respóndeme sobre los muertos,

si maman,

en esta luna visible en pleno día,

de su leche de sueño.

 

                   De Terra de Santa Cruz (1981)

 

FIBRIOLACIONES

 

Tanto da

funeral o festín

todo es deseo

que repercute en mí.

Oh corazón incansable a la resonancia de las cosas,

amo, te amo, te amo,

así triste, oh mundo,

oh hombre tan bello que me paraliza.

Te amo, te amo.

Y una sola lengua,

un solo oído, no absoluto.

Te amo.

Cierta hierba del campo tiene las hojas ásperas

recubiertas de pelos,

te amo, digo desesperada

de que otra palabra venga en mi socorro.

La hierba se estremece,

el amor para ella es brisa.

 

                   De O pelicano (1987)

 

 

 

*De Correspondencia celeste. Nueva poesía brasileña (1960-2000). Introducción, traducción y notas de Adolfo Montejo Navas.  Madrid: Árdora Ediciones, 2001 – Obra publicada com o apoio do Ministério da Cultura do Brasil.

 

*Nota: o tradutor Adolfo Montejo Navas é amigo comum nosso com Wagner Barja, e o convidamos a participar da exposição OBRANOME 2 no Museu Nacional de Brasília, durante a I Bienal Internacional de Poesia de Brasília 2009. Montejo Navas prometeu-nos suas traduções ao castelhano e só na Espanha, em viagem, é que conseguimos os originais que estamos divulgando parcialmente no nosso Portal de Poesia Ibeoramericana, com os agradecimentos.

 

Página ampliada e republicada em junho de 2009. - ampliada e republicada em janeiro de 2014.



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