EUSTÁQUIO GORGONE DE OLIVEIRA
Nasceu em Caxambu, Minas Gerais em abril de 1949. Licenciado em Letras e Pedagogia, sua obra poética encontra-se publicada em diversas revistas e jornais do país e distribuída por onze livros.
Participou da Antologia da nova poesia brasileira, organizada por Olga Savary, bem como da edição especialmente dedicada ao Brasil pela International Poetry review, publicada pela Universidade da Carolina do Norte (USA). Recentemente sua poesia foi incluída na coletânea A poesia mineira do século XX, organizada por Assis Brasil.
Tanto reproduz alguns trechos de PASSAGEM NA ORFANDADE, que em 1998 obteve menção honrosa no "Prêmio Cruz e Souza de Literatura".
Fonte: http://www.tanto.com.br/Eustaquio.htm
PORTUGUÊS / EN ESPAÑOL / IN ENGLISH
3
Os homens se ajeitam nos ofícios
como os corpos nas exéquias.
Em suas casas acendem círios
em brilhantes aparelhos.
E no sono a roca persiste.
Ah! Amoráveis pessegueiros,
folhas amarelas e marcescíveis.
Para os homens o céu de julho
é o mesmo céu de dezembro.
Todos em glebas se acomodam
e nada colhem dos labores.
From: HELICOPTERO, V.3-4, 2000, Eugene, Oregon, EE.UU. (The newspapers directors are professors of the Romance Dept. Languages, University of Oregon.)
a poesia vai sendo assim
escrita, caro-santo no
estômago. Aos poucos,
outra luz na noite,
azul que costura no corpo
das crianças. Em glebas,
os fonemas se encontram,
os amargos e os mai doces.
A poesia vai sendo assim
escrita. Enquanto
houver tardes, âmbulas,
cada palavra será guardada
em óleos santos.
AMOR METÁLICO
Sei que quando te amo
não há falsos sudários
e
estrela maiores do céu
amamentam as pequenas
e
anjos regentes do mundo
desfazem a programada via-sacra
e
os sonhos-assaltantes se capitulam
como dois mosteiros vazios
e
a pia batismal purifica
o desejo vindo do corpo
e
santos refazem os milagres
devorados pelo tempo
e
os cabelos sobem no barco
que desce entre os espermas.
NOVOS POEMAS
Não me aterroriza a tua falta
mas o vazio das palavras.
Da ausência posso retirar imagens
e pôr nos carretéis
os abraços.
Das palavras, tudo é em vão.
Um pássaro doente, voando,
diz mais do que eu.
Por isso tua ausência
é o eclipse menor.
Ela pouco me fere.
É uma cidade inteira
que, imóvel, me persegue.
As palavras, sim, inflamam o corte.
As pedras não indagam.
No silêncio, guardam definições.
Sem a pegajosa angústia,
o tempo passa por elas.
Os sinais das chaminés
cristalizam nosso inverno.
Cada qual em seu bridão,
enredamos a vida com palavras.
Extraídos da antologia OIRO DE MINAS a nova poesia das GERAIS. Seleção de Prisca Agustoni. S. l.: Pasárgada; Ardósia, 2007.
TEXTOS EN ESPAÑOL
3
Traducción de Jesús Sepúlveda
Los hombres se acomodan en los oficios,
como los cuerpos en los ritos funerarios.
En casa prenden círios
con brillantes arreglos.
Y en el sueño la rueca persiste.
iAh! encantadores duraznos,
hojas amarillas y marchitas.
Para los hombres el cielo de Julio
es el mismo cielo de diciembre.
Todos se conforman en glebas,
y nada cosechan de sus labores.
Fuente: HELICOPTERO, V.3-4, 2000, Eugene, Oregon, EE.UU. (Los editoresson profesores del Depto. de Lenguas Neolatinas, de la Universidad de Oregon.)
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TEXTS IN ENGLISH
3
Translation by Steven White
Men settle into their Jobs
like bodies at funerals.
At home they lignt tapers
in brilliant arrangements.
And in sleep the distaff persists.
Ah! Sweet peach-trees,
wthered, yellow leaves.
For men the July Sky
is the same sky as in December.
All sink into serfdom
and reap nothing for their labors.
From: HELICOPTERO, V.3-4, 2000, Eugene, Oregon, EE.UU. (The newspapers directors are professors of the Romance Dept. Languages, University of Oregon.)
Página publicada em novembro de 2008
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