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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LUIS GAMA

(1830-1882) 

Tal como José do Patrocínio, Luís Gama foi filho de uma miscigenação de cores. Seu pai era branco, de rica família da Bahia, e sua mãe era uma africana rebelde. Contudo, um episódio trágico faria com que se afastasse da mãe, exilada por motivos políticos, e fosse vendido como escravo pelo próprio pai, vendo-se à beira da falência.

 

Assim, viveu na própria pele o cotidiano de um escravo. Foi para o Rio e depois São Paulo. Aprendeu a ler com ajuda de um estudante, no lugar onde trabalhava como servente, mas logo fugiu – pois sabia que sua situação era ilegal, já que era filho de mãe livre.

 

Daí trabalhou na milícia, em jornais, escrevendo poesia e como advogado, até conhecer Rui Barbosa, Castro Alves e Joaquim Nabuco, com quem se uniria para lutar pelo fim da escravidão.

 

Fez do exercício da advocacia uma oportunidade para defender e libertar escravos ilegais.

 

Fonte: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/abolicao/abolicionistas.html  

 

Luis Gama publicou suas Primeiras Trovas Burlescas, em 1859 e, em seguida, as Novas Trovas Burlesca, em 1861, uma segunda edição ampliada. Somente em 1954 saíram as Poesias Satíricas em que criticou os costumes de seu tempo, inclusive a “pureza de sangue”  dos escravocratas. Mas deixou também peças líricas de reconhecido valor.


A BORBOLETA


Sobre a açucena,
Que no horto alveja,
A borboleta
Mansinha adeja;

Libando os pingos
De orvalho brando,
Que a nuvem loura
vem salpicando.

Meneia os leques
Por entre as flores,
Que o ar perfumam
Com seu olores.

Mimosos leques
De cores finas,
— Teia formosa
Das mãos divinas.

Ora serena,
Pairando a flux,
Esmaltes mostra
Do brilho à luz.

Ora nas águas
Boiando vai,
Qual folha seca
Que ao vento cai

Ao vir a aurora
Vai do jasmim
Beijar a cútis
D´alvo cetim.

Ao cravo, à rosa
Afagos presta,
— Que o a aragem sopra,
E o sol recresta.

Ao pôr da tarde
Pousa em delírio
Nas tenras folhas
Do roixo lírio.

E o frágil corpo
Em sono brando
Que embala a brisa,
Que vem soprando.

Alívio encontra
Na solidão
Até que d´alva
Rompa o clarão.

 

PRÓTASE

 

                   Embora um vate canhoto

                   Dos loucos aumente a lista

                   Seja cisne ou gafanhoto

                   Não encontra quem resista

                   Dos seus versos à leitura,

                   Que diverte, Inda que é dura! .

                            (F. X. de Novais)

 

No meu cantinho,

Encolhidinho,

Mansinho e quedo,

Banindo o medo,

 

Do torpe mundo,

Tão furibundo,

Em fria prosa Fastidiosa —

O que estou vendo

Vou descrevendo.

Se de um quadrado

Fizer um ovo

Nisso dou provas

De escritor novo.

 

Sobre as abas sentado Parnaso,

Pois que subir não pude ao alto cume,

Qual pobre, de um Mosteiro à Portaria

De trovas fabriquei este volume.

 

Vazios de saber, e de prosápias

Não tratam de Ariosto ou Lamartine

Nem rescendem as doces ambrosias

De Lamires famoso ou Aretine

 

São ritmos de tarelo, atropelados,

Sem retro, sem cadência e sem bitola

Que formam no papel um ziguezague,

Como os passos de rengo manquitola.

 

Grosseiras produções d'inculta mente

Em horas de pachorra construídas;

Mas filhas de um bestunto que não rende

Torpe lisonja às almas fementidas.

 

São folhas de adurente cansanção

Remédio para os parvos d'excelência;

Que aos arroubos cedendo da loucura

Aspiram do poleiro alta eminência.

 

E podem colocar-se à retaguarda

Os veteranos sábios da influência

Que o trovista respeita submisso,

Honra, pátria, virtude, inteligência

 

Só corta com vontade nos malandros,

Que fazem da Nação seu Montepio;

No remisso empregado, sacripanta,

No lorpa, no peralta, no vadio.

 

A frente parvalhões, heróis Quixotes,

Borrachudos Barões da traficância;

Quero ao templo levar do Grão Sumário

Estas arcas pejadas de ignorância.

 

 

RETRATO

 

É renga, magricela e presumida,

Com pele de muxiba engrouvinhada;

O corpo de sumaca desarmada,

A cara de muafa mal cosida;

 

A perna de forquilha retorcida,

Os ombros de cangalha um tanto usada;

A boca, de ratões grata morada,

Maçante na conversa em mal sofrida;

 

 

Senhora de um leproso cão rafeiro,

Que, querendo passar por mocetona,

Se besunta com sebo de carneiro;

 

Vestida é saracura de japona,

De feia catadura, e de mau cheiro,

Eis a choca perua da Amazona.

 

 

SONETO

 

Sob a copa frondosa e recurvada

De enorme gameleira, secular,

Sentado numa ufa a se embalar,

 Estava certa moça enamorada.

 

Eis que rola dos ramos inflamada

Tremenda jararaca a sibilar;

Fica a jovem na corda, sem parar,

Como a Ninfa de amor eletrizada!

 

Anjo Bento! exclamaram os circunstantes;

— Foge a cobra de horrenda catadura,

Os olhos revolvendo coruscantes.

 

Mas a bela moçoila com frescura

Num sorriso acrescenta — é das amantes

Nem das serpes temer a picadura.
 



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