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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



RUBENIO MARCELO

 

 

Poeta e compositor, é membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e da Academia Maçônica de Letras de MS, e filiado à UBE/MS. É formado em Engenharia Agronômica (UFC) e em Direito (UCDB).

Autor de oito livros e dois CD’s, participou, como convidado, da I Bienal Internacional da Poesia, que aconteceu em Brasília e foi promovida pela Biblioteca Nacional de Brasília (BNB).

Natural de Aracati (CE), é radicado em Campo Grande (MS). Possui os seguintes Títulos de Cidadão Honorário: Sul-Mato-Grossense, Campo-Grandense e Anastaciano.




Os poetas Gustavo Dourado e Rubenio Marcelo na abertura da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, dia 3 de setembro de 2008.


TEXTOS EM PORTUGUÊS TEXTOS EN ESPAÑOL



GRAAL DAS METÁFORAS

Sonetos e outros Poemas

Santa Cruz do Rio Pardo, SP: Editora Viena, 2007.

 

 

 Rubenio Marcelo é um polígrafo prolífero... Vai do soneto mais tradicional ao verso livre, do cordel de fundo popular aos poemas de cunho social, com um vocabulário que deve entusiasmar os lexicógrafos de nossa poesia. Graal das Metáforas é um belo livro: pela generosidade do conteúdo e pela qualidade gráfica de sua feitura.                Antonio Miranda

 

 

Graal das Metáforas

 

Nestas cálidas tardes peregrinas,

Se estiveres já sem inspiração,

Ante espelhas da desfiguração.

Que perverte a céu das tuas retinas ...

 

Se estas haras infaustas de rotinas

Demudarem teu ser, tua alegria;

E se vires fugir a primazia,

Devida - deste mundo. - à avareza ...

 

Vem saciar tua sede de beleza

Nas sagradas águas da poesia! ...

 

Na devir deste cetro venerando,

Um clarão logo exclui as ignotos.

Na rota das indômitos pilotos,

Os mistérios azuis vão rebrotando ...

 

O graal das metáforas vai doirando

Os brasões da Verbo, com sutileza;

E a Arte, esta divina alquimia,

Vai transfazendo sanha em realeza.

 

Nas sagradas águas da poesia,

Vem saciar tua sede de beleza! ...

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Rubenio Marcelo

De
Rubenio Marcelo
Horizonte d´Versos
Poesia Reunida & Inéditos

Campo Grande, MS: Editora Life, 2009
440 p.   ISBN  978-85-62660-04-7

 

Colibri

versos pairam
sobre o poema que eu sonhei
mas não escrevi

minhas palavras
carregam aos ombros
um verde colibri

a plumagem brilhante
da poesia
passeia ao sol
da pele fecunda
da criação

hoje
estio e frieza,
aspereza, estéril espinho

amanhã
quero flores, jardins
e néctares para o meu cuitelinho...

 

Palmilhando o mundo hipócrita

Com pé atrás, tomei a decisão:
bati o pé, botei o pé no mundo...
E eu, que sempre tive os pés no chão,
de pé pra mão, não perdi um segundo.

Pé ante pé, num mundo em pé de guerra,
notei que, aos poucos, fui perdendo a fé...
Aí pensei voltar os pés pra terra,
mas era tarde... E já não dava pé.

Hoje, de orelha em pé, eu aprofundo
a minha condição de ser no mundo...
Num mundo que taxa aquilo que é crime.

... Este tal mundo é o mesmo mundo imundo
que pisoteia os fracos (e os oprime),
mas lambe os pés dos trastes do regime


 

 

 

A Arte Maior de Rubenio Marcelo & Jorge Sales

O novo CD de Rubenio com seu parceiro capixaba Jorge Sales está circulando, com as vozes de Cecitônio Coelho, Mara Veloso, Barbosa Lima, Johnny Paz, Marcão, Rubenio Marcelo e músicos. Lançamento do selo ZUADA.  

Contatos: (67) 9982-5269 e 27)8114.4166

E-mail: artemaiorderubeniomaraceloejrogesales@hotmail.com

JORGE SALES:             http://jorgesales.com.br/category/musicas 

RUBENIO MARCELO:  http://www.acletrasms.com.br/membro.asp?IDMCad=8  

 

 



POEMAS DE RUBENIO MARCELO



Miscigenação

 

Está na cara

  que a minha cara

   é nhambiquara,

    é sarará,

     é potiguara,

       sempre será

        assim mulata,

         branca, pacata,

          tupinambá,

          cor de alfena,

          negra, morena,

         alvissareira,

        parda, trigueira,

      feição cafuza,

     tez mameluca,

    em paz profusa,

  enfim brazuca!...

 Eu sou pardo, ameríndio, sou mulato,

 sou caboclo, moreno, sou castiço,

 sou tupi, sou do mar, sou joão-do-mato,

 eu sou branco, sou negro, sou mestiço.

 

                                          ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

A palavra guardada

 

É preciso nutrir o segredo cristalino

daquela palavra guardada

no núcleo do nosso ser...

 

Calada, ela pode nos mostrar o veleiro

que nos espera em sóbrias antemanhãs...

A escalada da palavra

precisamente guardada

sublinha a sensatez das conjeturas,

agasalha a previdente chama

das profundezas da alma,

renova as pétalas do porvir...

 

É necessário florir o desvelo

que doura e apascenta os imperceptíveis

tesouros da essência...

 

É preciso saber suprir,

em regulares aconchegos do desejo,

a intimidade lúcida do silêncio.

 

A palavra bem guardada

avigora-se, resguardada,

 

            aguardada,

 

da aridez trasladada

para a estação das messes...

 

                               ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

ALVOS VERSOS OU RIMAS CARMESINS


a mira procura o alvo
o verso mira o eterno
o alvo eterniza a pira
o éter inspira a brisa
que adorna a cor da manhã

amanhã
sol dourado ou nuvens de cinza
flamboyants floridos
ou horizontes carmesins...
o homem tem a fórmula
desta aquarela

universo rima com eterno
e terno rima com verso

a lira ruma pro sonho
a sanha assanha o afã...

quimera é espera vã
alvo rima com mira

verso rima com ira?

                    ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

VOO DO BESOURO

 

Uma flauta sibila

movendo os meus sentidos

e me envolvendo...

 

Qual um rio cristalino

a serpentear pelas minhas entranhas,

cenários-zumbidos

passam de repente.... em cores

fecundantes de prazer.

 

Aceno pra tudo,

tudo se faz cena e expectações

no painel surreal do sobretempo.

 

Sou menino desajeitado

transformando compactos élitros

em asas de horizontes...

 

Sorrio e flutuo

na transversalidade melódica

deste voo-besouro...

 

                           ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

ESTAÇÕES DOS VERSOS MEUS

 

Diversos destinos adormecem

nas estações dos versos

que atravessam

as pontes do meu olhar.

 

Meus olhos sabem de cor

as trilhas inalcançadas

que se escondem

em paisagens de solidão.

 

Os versos que me percorrem

voam nas brancas asas

dos pássaros da manhã...

E retornam no gorjear de um sonho

que eu fecundo

na face do horizonte...

 

Ah... estes versos insones

trazem segredos de nuvens

e olores de lírios transitórios...

Abrem novos caminhos,

bailam na chuva, colorem jardins

entre brisas marinhas

e girassóis de pedra...

 

Ah... estes versos versáteis

que enxugam o pranto da primavera,

vencem os ofícios dos vendavais

e seduzem o silêncio

das noites outonais.

 

                    ® Rubenio Marcelo     

 

 

 

 

 

         LUZ...

 

A luz àquele ser que, iniciado
nos princípios sublimes da existência,
renova a floração da sua essência
e renasce esquecido do passado.

A luz àquele que contempla o fado
no cetro apostolar da providência
e segue em natural obediência
ao rito perenal do aprendizado...

A luz àquele que busca a verdade
na paz transcendental da claridade
gerada da virtude que seduz...

A luz àquele ser que se prepara
pra conceber pra sempre a aura clara...
A luz àquele que sabe ser luz!

 

                                            ® Rubenio Marcelo   

 

 

 

 

GLOBO DA MORTE

 

No ziguezaguear estrepitante
de suas colossais motocicletas,
em alta adrenalina, os cinco estetas
vão imortalizando aquele instante...

Num habitáculo esférico, eletrizante,
marchetado de luzes inquietas,
estrugem máquinas, em loucas roletas,
aos olhos da plateia vigilante.

Alfim, de súbito, cessam os fragores:
os alazões de ferro e seus senhores
voltam às posições iniciais.

Do globo, abre-se uma portinhola...
Os acrobatas saem da gaiola
e novamente são meros mortais...

 

                                  ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

GENUFLEXÃO

(Ou: "Uma pecadora e sua cruz")

 

A noite esmaecendo em leniência...
O templo inda fechado. E a meretriz,
assaz despudorada e tão beliz,
entanto busca a paz da sua essência.

Por um instante, queda-se em latência,
com sua consciência por um triz...
Porém, bem devagar, curva a cerviz
e, genuflexa, faz grã penitência...

Contrita, ante a friagem da calçada,
ressonha amanhecendo aliviada
chorando os seus pecados pra Jesus...

Deixa-se pela fé ser carregada;
pede perdão a Deus, compenetrada,
e parte carregando a sua cruz...

 

                                          ® Rubenio Marcelo  

 

                   

 

 

 

          RELENTO

 

Mais uma noite chega de repente...

E uma imagem trêfega, franzina,

Procura o seu descanso de rotina

Na rispidez do chão indiligente.

 

Logo adormece na calçada ardente,

Cumprindo a compulsão da sua sina;

Mas sonha que uma chuva repentina

Está molhando o seu corpo indolente...

 

Acorda e vê que o sonho é verdadeiro;

Levanta-se, buscando um paradeiro,

E sai cambaleando em desalento...

 

Jogada ao léu na rua da amargura,

Aquela desditosa criatura

Sabe de cor as leis do sofrimento.

 

                                         ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

 BUSCA INSENSATA

 

Plena segunda... Depois da rotina,
Sai do batente, pensando na vida...
“Esta semana vai ser bem comprida!”,
Reflete e tenta fugir da neblina...

Contempla o caos e buzina e buzina...
Olha pros lados e não vê saída.
Querendo a paz num troféu de bebida,
Para e adentra o boteco da esquina.

... Umas e outras – ‘saideira’ e tal –
Causam surpresas, deixam vistas turvas,
Entortam mais as arriscadas curvas...

No fim da noite... Na reta final...
Uma sirena de dor se aquieta:
Tudo termina no final da reta.

 

                                        ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

     PARCELA

   1.
   no azul do poema
   a luz da canção
   agora um clarão
   antes tão pequena
   não mais quarentena
   que se encastela
   agora eu e ela
   no leme do dia
   rumo à escadaria
   cantando parcela...

   2.
   assim, infinito
   nessa plenitude
   meus pés, amiúde,
   procuram o grito
   perpassam o mito
   ardente aquarela
   aurora e estrela
   que já predestinam
   sazões que sublimam
   à luz da parcela...

   3.
   oh tempo-verdade
   gravando o eterno
   já não mais hiberno
   a outra metade
   oh fertilidade
   que tudo revela
   com justa cautela
   quero ressurgir
   para refletir
   cantando parcela...

   4.
   no bico do corvo
   deixei o meu múnus
   e os importunos
   punhais do estorvo
   agora não sorvo
   profana querela
   há porta, há cancela
   colunas, mansão
   adeus solidão
   no tom da parcela!

   5.
   permanentemente
   honrarei o rito
   quesito a quesito
   manhã, sol-poente
   se dente é por dente
   ardente é aquela
   retina que zela
   o perfeito instinto
   no áureo recinto
   do canto-parcela!

                       ® Rubenio Marcelo

 

 

 

 

TAVERNA

 

Na inquietude do vazio,

na existência do vulnerável,
há uma taverna
repleta de ébrios
consumidos pelo vício
dos impulsos pontilhados...


Às vezes, quase desacordados,
balbuciam, jogam dados...

Inocentes,
mastigam alardes
em insípidos matizes...

Recordam amores impressentidos,

pressentem  dores e diretrizes

nas torres da solidão...


Nas esquinas do nada,
esfarrapados, vagueiam...
Dançam, sorriem,

aplaudem-se
e - assim - são vãs cervizes...
E, assim, vão

aos
 

    d
 e
    s
       l
    i
 z
    e
 s
  .
  .
  .

   f e l i z e s . . .

 

 

                       ® Rubenio Marcelo 

 

 

 

Antonio Miranda e Rubenio Marcelo no lançamanto da pedra fundamental da nova sede da Academia Sul-mato-grossense de Letras, em Campo Grande, MS, dia 12/12/2011



 

TEXTOS EN ESPAÑOL

RUBENIO MARCELO


RUBENIO MARCELO




 

 

 

 

PARTIDA Y AÑORANZA

I.
Era mañana, brisa mansa,
Cuando dejé Fortaleza,
Con un mixto de tristeza,
Tranquila, fe y esperanza...
Trago todo en el recuerdo,
Jamás yo pude borrar
Tres faces a gesticular:
Mi padre, mi madre, mi hermano.
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

II.
Dejé mi hogar, mi calle,
Mi guitarra trovador
Que acunó mi amor
En tantas noches de luna!
Salid con el alma desnuda
Y, en mi pecho, una congoja,
Acordando mi suelo, mi mar
Y subiendo en el avión...
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

III.

Desde arriba, pude ver
Mi Playa del Futuro.
En aquel instante, perdí interés,
Me dio ganas de descender.
Pero como iría a hacer?
Si no aprendí volar;
Si no podía quedar
Ni cambiar mi decisión.
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

IV.
Y en el frío aeroplano,
Veloz y cortando los aires,
Vi yendo mis verdes mares
Y los cocotales soberanos...
Vi mis miles de planes
Y las brumas de mi soñar
Suman, queden allá
En el puerto de la soledad.
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

V.
La gente crece sin ver
Que el mañana es oculto;
La gente queda adulto,
Hace mil cosas sin querer...
Parte en un amanecer,
Aún queriendo quedar;
Finge sonreír, no llorar,
En un largo ahogo de mano...
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

VI.
Todo pasó, estoy cambiado,
Lejos del terruño natal.
Sólo la añoranza es igual,
Con ella estoy codo con codo...
Cuando me acuerdo del pasado
Y quedo a meditar,
Ella viene a acunarme;
Sin ella, yo no vivo no...
Fue con dolor en el corazón
Que dejé mi lugar!

 

 

Página republicada em dezembro de 2007; ampliada e republicada em janeiro de 2010 e em dezembro de 2011. Atualizada em janeiro de 2012

 



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