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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FERREIRA GULLAR

 

Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira), nasceu no dia 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luiz, capital do Maranhão.

 

Vive no Rio de Janeiro (RJ), desde 1951. Sua obra “A Luta Corporal” (1954) revela um grande poeta, de difícil classificação, fora dos cânones em voga após o modernismo e a Geração 45, nos primórdios do que viria a ser o movimento concretista (a partir de 1956). Já estava com Reynaldo Jardim no SDJB –Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, orientando as vanguardas literárias e artísticas do país.

 

Foi no final da década de 50 que o conheci, justamente na redação do SDJB, onde eu passei a publicar ensaios e poemas sob o pseudônimo de da,nirham:eRos. Participamos de uma mostra de poesia de vanguarda em Belo Horizonte, a convite de Célio César Paduani: ele com seus não-objetos, eu com os poegoespaços. [Por certo, nunca recebemos de volta as peças enviadas para a exposição...]

 

A última vez que nos vimos, foi na sede da UNE, quando ele lançava um cordel. Eu fui depois para Argentina. Veio então a diáspora pós 64. Auto-exilei-me na Venezuela e perdi contato com o poeta. Cheguei a enviar-lhe livros meus mas nunca mereci dele uma resposta. Acossado pelos admiradores, demandado o tempo todo por jornalistas e estudiosos, não deve ter tempo para responder cartas...  Mas a minha admiração pela obra dele, mesmo irregular e tão diferenciada quanto a estilos e formatos, continua intacta. De certa forma, toda a minha geração é devedora da vertente de A Luta Corporal.

 

Aqui apresentamos uma seleção de poemas de Ferreira Gullar, de uma edição peruana cedida por nossos amigos de Lima —em particular o poeta Manuel Pantigoso e Lucia Velloso da Silveira (diretora do Centro de Estudios Brasileños).

 

Antonio Miranda

 

 

Livros de poesia: Um pouco acima do chão, 1949; A luta corporal, 1954; Poemas, 1958; João Boa-Morte, cabra marcado para morrer (cordel), 1962; Quem matou Aparecida? (cordel), 1962; A luta corporal e novos poemas, 1966; História de um valente, (cordel, na clandestinidade, como João  Salgueiro), 1966; Por você por mim, 1968; Dentro da noite veloz, 1975; Poema sujo, 1976; Na vertigem do dia, 1980; Crime na flora ou Ordem e progresso, 1986; Barulhos, 1987; O formigueiro, 1991; Muitas vozes, 1999; Poemas reunidos:Toda poesia, 1980.

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL

 Veja também>>> POÈMES EN FRANÇAIS

EN ITALIANO

***

 

Neste leito de ausência em que me esqueço

desperta o longo rio solitário:

se ele cresce de mim, se dele cresço,

mal sabe o coração desnecessário.

 

O rio corre e vai sem ter começo

nem foz, e o curso,que é constante, é vário.

Vai nas águas levando, involuntário,

luas onde me acordo e me adormeço.

 

Sobre o leito de sal, sou luz e gesso:

duplo espelho - o precário no precário.

Flore um lado de mim? No outro, ao contrário,

de silêncio em silêncio me apodreço.

 

Entre o que é rosa e lodo necessário,

passa um rio sem foz e sem começo.

 

 

* * *

 

Fluo obscuro de mim, enquanto a rosa

se entrega ao mundo, estrela tranqüila.

Nada sei do que sofro.

O mesmo tempo

que em mim é frustração, nela cintila.

 

E este por sobre nós espelho, lento,

bebe ódio em mim; nela, o vermelho.

 Morro o que sou nos dois.

O mesmo vento

que impele a rosa é que nos move, espelho!

 

 

 

Galo Galo

 

O galo

no saguão quieto.

 

Galo galo

de alarmante crista, guerreiro,

medieval.

 

De córneo bico e

esporões, armado

contra a morte,

passeia.

 

Mede os passos. Pára.

Inclina a cabeça coroada

dentro do silêncio.

-que faço entre coisas?

-de que me defendo?

 

Anda

no saguão.

O cimento esquece

o seu último passo.

 

Galo: as penas que

florescem da carne silenciosa

e o duro bico e as unhas e o olho

sem amor. Grave

solidez.

Em que se apóia

tal arquitetura?

 

Saberá, que, no centro

de seu corpo, um grito

se elabora?

 

Como, porém, conter,

uma vez concluído,

o canto obrigatório?

 

Eis que bate as asas, vai

morrer, encurva o vertiginoso pescoço

donde o canto, rubro, escoa.

 

Mas a pedra, a tarde,

o próprio feroz galo

subsistem ao grito.

 

Vê-se: o canto é inútil.

 

O galo permanece —apesar

de todo o seu porte marcial—

­só, desamparado,

num saguão do mundo.

Pobre ave guerreira!

 

Outro grito cresce,

agora, no sigilo

de seu corpo; grito,

que sem essas penas

e esporões e crista

e sobretudo sem esse olhar

de ódio,

não seria tão rouco

e sangrento.

Grito, fruto obscuro

e extremo dessa árvore: galo.

Mas que, fora dele,

é mero complemento de auroras.

 

 

 

Vida

 

a minha, a tua,

eu poderia dizê-la em duas

ou três palavras ou mesmo

numa

 

corpo

 

sem falar das amplas

horas iluminadas,

das exceções, das depressões

das missões,

dos canteiros destroçados feito a boca

que disse a esperança

 

fogo

 

sem adjetivar a pele

que rodeia a carne

os últimos verões que vivemos

a camisa de hidrogênio

com que a morte copula

(ou a ti, março, rasgado

no esqueleto dos santos)

 

Poderia escrever na pedra

meu nome

 

gullar

 

mas eu não sou uma data nem

uma trave no quadrante solar

Eu escrevo

 

facho

 

nos lábios da poeira

 

lepra

vertigem

cana

 

qualquer palavra que disfarça

e mostra o corpo esmerilado do tempo

 

câncer

vento

 laranjal

 

(DeO Vil Metal)

 

 

Morte de Clarice Lispector

 

Enquanto te enterravam no cemitério judeu

De S. Francisco Xavier

(e o clarão de teu olhar soterrado

resistindo ainda)

o táxi corria comigo à borda da Lagoa

na direção de Botafogo

E as pedras e as nuvens e as árvores

no vento

mostravam alegremente

que não dependem de nós.

 

Extraído de POESÍA BRASILEÑA COLONIAL. Traducción y prólogo de Ricardo Silva-Santisteban. Lima: Centro de Estudios Brasileños, 1985.  117 p. (Tierra Brasileña. Poesía 23

TEXTOS EN ESPAÑOL
Traducción de Antonio Cisneros 

 

* * *

 

En este lecho de ausencia en que me olvido

despierta el largo río solitario:

si él crece de mí, si de él crezco,

mal sabe el corazón innecesario.

 

EI río corre y va sin tener comienzo

ni estuario, y el curso, que es constante, es vario.

Va en las aguas llevando, involuntario,

lunas donde me despierto y me adormezco.

 

Sobre el lecho de sal, soy luz y yeso:

doble espejo -lo precario en lo precario.

¿Florece un lado de mí? En el otro, al contrario,

de silencio en silencio yo me pudro.

 

Entre lo que es rosa y lodo necesario,

pasa un río sin estuario ni comienzo.

 

 

*  *  *

 

Fluyo oscuro de mí, mientras la rosa

se entrega al mundo, estrella tranquila.

Nada sé de lo que sufro.

El mismo tiempo

que en mí es frustración, en ella brilla.

 

Y este por sobre nosotros espejo, lento,

bebe odio en mí; en ella, lo rojo.

Muero lo que soy en los dos.

El mismo viento

que impele la rosa es que nos mueve, ¡espejo!

 

 

 

Gallo Gallo

 

El gallo

en el quieto zaguán.

 

Gallo gallo

de alarmante cresta, guerrero,

medieval.

 

De córneo pico y

espolones, armado contra la muerte,

se pasea.

 

Mide los pasos. Se detiene.

Inclina la cabeza coronada

dentro del silencio

—¿qué hago entre cosas?

—¿de qué me defiendo?

 

Camina

por el patio.

El cemento olvida

su último paso.

 

Gallo: las plumas que

florecen en la carne silenciosa

y el duro pico y las uñas y el ojo

sin amor. Grave

solidez.

¿En qué se apoya

tal arquitectura?

 

¿Sabrá que en el centro

de su cuerpo un grito

se elabora?

 

¿Cómo,entonces, contener

una vez concluido,

el canto obligatorio?

 

De pronto bate las alas, va

a morir, inclina el vertiginoso pescuezo

de donde el canto, rubro, fluye.

 

Pero la piedra, la tarde,

el mismo gallo feroz

subsisten al grito.

 

Se ve: el canto es inútil.

 

EI gallo permanece -pese

a todo su porte marcial—

­solo, desamparado,

en un patio del mundo.

¡Pobre ave guerrera!

 

Otro grito crece,

ahora, en el sigilo

de su cuerpo; grito

que sin esas plumas

y espolones y cresta

y sobre todo sin esa mirada

de odio,

no sería tan ronco

y sangriento.

Grito, fruto oscuro

y extremo de ese árbol: gallo.

Aunque fuera de él,

es apenas complemento de auroras.

 

 

 

Vida

 

la mía, la tuya,

yo podría decirla en dos

o tres palabras o incluso

en una

 

cuerpo

 

sin hablar de las amplias

horas iluminadas,

de las excepciones, de las depresiones

de las misiones,

de los macizos destrozados como la boca

que dijo la esperanza

 

fuego

 

sin adjetivar la piel

que rodea la carne

los últimos veranos que vivimos

la camisa de hidrógeno

con que la muerte copula

(o a ti, marzo, roto

en el esqueleto de los santos)

 

Podría escribir en la piedra

mi nombre

 

gullar

 

pero yo no soy una fecha ni

una viga en el cuadrante solar

Yo escribo

 

antorcha

 

en los labias del polvo

 

lepra  

vértigo        

 coña

 

cualquier palabra que disfraza

y muestra el cuerpo esmerilado del tiempo

 

cáncer        

viento

naranjal

 

 

(DeO Vil Metal)

 

Muerte de Clarice Lispector

 

Mientras te enterraban en el cementerio judío

de San Francisco Javier

(y el brillo de tu mirada soterrada

se resistía aún)

el taxi corría conmigo al borde de la Laguna

en dirección a Botafogo

Y las piedras y las nubes y los árboles

al viento

mostraban alegremente

que no dependen de nosotros

 

Extraído de POESÍA BRASILEÑA COLONIAL. Traducción y prólogo de Ricardo Silva-Santisteban. Lima: Centro de Estudios Brasileños, 1985.  117 p. (Tierra Brasileña. Poesía 23



 

 

 
 
 
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