ABREU PAXE
Abreu Castelo Vieira dos Paxe, nasceu em 1969, no Colonato do Vale do Loge, Província do Uíge, filho de operário e de mãe doméstica. Venceu o concurso Um Poema para África em 2000, e foi animador do Cacimbo do Poeta na sua 3ª. edição, atividade organizada pela Alliance Francisco por ocasião da dia da África. Figura na Revista Internacional de Poesia “Dimensão n. 30 de 2000, na antologia dedicada à poesia contemporânea de Angola, editada em Uberaba, Brasil.
Poemas extraídos de
A CHAVE NO REPOUSO DA PORTA
Luanda: INIC, 2003.
Colecção A Letra 29
Prêmio Literário António Jacinto, 2003
a câmara elemento da rasura
transmudar o monólogo obscuro emagrece
o tempo contrária plenitude imperfeita cai azeda palavra
há sempre limites para o exílio de textura vertical
penumbra os ângulos auroras de meia superfície
molham a relva tarde os papéis brancos infernos
ainda um corpo imperativa bainha defeito lençol
nascimentos esquecimentos descobrimentos
de rima relvado
poema fumaça da água viva conjunção os escombros
mastigado avesso árvores plana geometria parada
lança rasura a transparência devolve a montanha outra lavra
dimensões ossificadas chaves
a chave treme no repouso da porta a janela ronda
pequeno porto tudo dispersa apesar da ruga inglesa
as persianas estradas paredadas em negrito partes
sufocadas voltam em gestos
confusos sem lâmpadas dormia a criança
na inscrição falava umberto saba vivo a um povo
de mortos possesso certamente
malo conhecido destroço no sul da ilha
perfurado céu metálico mar as raízes desta estalagem
telegráficos beijos espessos numerosos lábios
perdiam as chaves adormece na mesma semana
outra mão à direita unia as pálpebras
ao tecido germe ossificadas chaves sem portes
findos horizontes fibras e folhas
rancor primitivo desde que o trema gaste tudo
apesar de tela arrefecida a edição liquidações
queria dizer um qualquer espanto cansado apesar de
restar mundos irrealizáveis arquipélagos resguarda
logo que atrapalhado expoente entra aberta
cega aurora mundo alternativo tampouca erva
aquela rosa antes que armazenada impressão espalhe
até que desova arquivos hoje quer antecedente pesar
num translúcido extermínio despositada família
nenhum mundo volitivo quer conseqüentes
próteses adequados dias findos sempre que horizontes
Página publicada em fevereiro de 2008, a partir de um exemplar da obra doada por Aricy Curvello à Biblioteca Nacional de Brasília. |