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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANTONIO SALES

 

Publicou apenas um romance de estética realista regional, com traços também naturalistas, chamado Aves de Arribação, inicialmente publicado em folhetins do Correio da Manhã do Rio de Janeiro onde residia o escritor, em 1903 de 15 de janeiro a 6 de maio e não em 1902, como equivocadamente registram Dolor Barreira, Pedro Nava, Wílson Martins e Otacílio Colares. Viria a ser publicado em forma de livro apenas em 1913. Até ser reconhecido como escritor, trabalhou no comércio de Fortaleza com a precoce idade de catorze anos. Anos depois, passaria pela vida de funcionário público, político e jornalista, inclusive no Rio de Janeiro. Mas voltara à capital cearense em 1920, onde vivera até seu falecimento, em 14 de novembro de 1940. O escritor, amigo de Machado de Assis, ajudara este a fundar a Academia Brasileira de Letras, mas segundo ele, por não discursar bem, não quis dela fazer parte. Em 1892 fundou um movimento de renascença literária no Ceará chamado de Padaria Espiritual, agremiação que marcou, entre 1892 e 1898, a vida da provinciana capital do Ceará naqueles primeiros dias de República e da qual fizeram parte vários grandes autores cearenses.

Obras: Versos Diversos, poesias (1890); Trovas do Norte, poesias (1895); Poesias (1902); Minha Terra, poesias (1919); Aves de Arribação, romance e novela (1914)
Fonte: wikipedia

 

Texto e poemas extraídos da obra:
Fontes de Alencar
ANOTAÇÕES DE POESIA
no Centenário da
REVISTA AMERICANA (1909-1919)

Brasília: Thesaurus, 2010.
ISBN 978-85-7062-925-8
 

 

O ELDORADO,
DE ANTONIO SALES

 

         Figura proeminente da Padaria Espiritual, seu padeiro-mor, Antonio Sales (Paracuru/CE, 1868 – Fortaleza/CE, 1940) adotou o pseudônimo de Moacir Jurema. Expõe Leonardo Mota que ele a ideou, e a batizou (A Padaria Espiritual. Fortaleza: Edésio – Editor, 1938).

         Poeta, Antonio Sales publicou versos, desde jovem. Ao tempo, qual anota Sânzio de Azevedo em A Padaria Espiritual e o Simbolismo no Ceará (Fortaleza: Séc. Cult. & Desport., 1983), preludiando Phantos, livro

do simbolista Lopes Filho, de 1893, em carta-prefácio proclamou:

 

                                      Eu já disse que sou um Parnasiano, Parnasiano                               fanático pela música impecável do verso, pela precisão
                            extrema da imagem, pelo amanho meticuloso da frase.

 

         A Revista Americana, do Rio de Janeiro, divulgou em 1917, vol. XVIII, de Antônio Sales, o poema O Eldorado. Seis sonetos o integram. O I trata da ida do nordestino para O mágico Eldorado; O II, do seu destino: lutar pela vida ou pela morte; o III apresenta a seringueira, a planta que dá vida e também morte. Os demais, por inteiro passo a leitor:

  

IV

 Foi dessa árvore em busca que fugiste

Do lar donde a miséria te expulsara,

E, ora a rir de esperanças, ora triste,

Do mar sulcaste a imensidade amara.

 

Eis-te, afinal, de machadinha em riste

P’ra fazê-la verter a linfa clara,

O rico leite que em seu seio existe

E, gota a gota, a tijelinha apara.

 

Já viste a colossal Sucuriúba

Enrolada no tronco da pajeúba

Como um laço em que a presa tomba enfim.

 

Do irapuru ouviste a voz canora,

E, retumbando pela mata a fora,

O “esturro” assustador do jacamim.

  

V

Mas entrando o recesso do Eldorado,

Não  viste em meio ao charco escuro e frio

O dragão que ele encerra e que, esfaimado,

Te lançou fero olhar de desafio.

 

A carabina, que te pende ao lado,

Para bater o indígena bravio,

De nada vale contra o monstro alado

Que no encalço te vem, de rio em rio.

 

Invisível te segue; à noite ronda

Teu mosquiteiro, cujas malhas sonda,

E se acontece que uma só se quebre,

Então, no corpo, sem soltar um grito,

Sentirás na picada de um mosquito

A dentada mortífera da Febre.

 

 VI

 Bandeirante do Norte, a selva bruta

Pululeante de répteis e de feras,

- E a fera humana, a mais cruel e astuta –

Venceste em prélio rude, e nela imperas.

 

Milhares de teus êmulos na Luta

Tombaram; provações as mais severas

sofreste, mas tua alma resoluta

Realizou insólitas quimeras.

 

De Tupã os mistérios desvendaste;

Ao teu gesto se rende a Natureza,

Sem elemento hostil que te resista.

 

E em cada seringueira que golpeaste,

Para extrair-lhe o plasmo da riqueza,

Lê-se uma estrofe do hino da Conquista.

                                        

Página publicada em maio de 2010

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