JOSÉ DA NATIVIDADE SALDANHA
Pernambucano, nascido a 8 de setembro de 1796, e falecido na Bolívia, afogado inuma vala da rua, onde caíra em noite de chuva torrencial, em 1830. Bacharel em direito por Coimbra, abraçou a advocacia e foi professor de humanidades em Bogotá.
BIBLIOG.— Poesias, Coimbra, 1822 ; Poesias diversas, 2 vols.
SONETO
Se no seio da pátria carinhosa,
Onde sempre é fagueira a sorte dura,
Inda lembras, e lembras com ternura,
Os meigos dias da união ditosa ;
Se entre os doces encantos de que goza
Teu peito divinal, tua alma pura
Suspiras por um triste e sem ventura,
Que vive em solidão cruel, penosa ;
Se lamentas com mágoa a minha sorte,
Recebe estes meus ais, oh minha amante,
Talvez núncios fiéis da minha morte.
E se mais nós não virmos, e eu distante
Sofrer da parca dura o férreo corte:
Amou-me, dize então, morreu constante.
Extraído de SONETOS BRASILEIROS Século XVII – XX. Colletanea organisada por Laudelino Freire. Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913
0bs. Ortografia atualizada para esta edição.
Página publicada em junho de 2009
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