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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PAULO BOMFIM

Fonte: reticenciaspoeticas.blogspot.com 

 

PAULO BOMFIM

 

 

Paulo Lébeis Bomfim (São Paulo,30 de setembro de 1926 é um poeta brasileiro. Iniciou sua carreira literária escrevendo no Diário de São Paulo, no Correio Paulistano e Diário de Notícias. Seu primeiro livro de poemas, “Antônio Triste”, lançado em 1946, com ilustrações de Tarsila do Amaral, recebeu o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, em 1947. Paralelamente, atuou cono produtor de rádio e televisão. Foi curador da Fundação Padre Anchieta e presidente do Conselho Estadual de Cultura de São Paulo. É membro da Academia Paulista de Letras.

 

Obra literária: Transfiguração, 1951; Relógio de Sol, 1952; Cantigas, musicadas por Dinorah de Carvalho, Camargo Guarnieri, Theodoro Nogueira, Sérgio Vasconcelos e Oswaldo Lacerda; Cantiga de Desencontro, Poema do Silêncio, Sinfonia Branca. 1954; Armorial, 1956; ilustrado por Quinze Anos de Poesia e Poema da Descoberta, 1958; Sonetos" e O Colecionador de Minutos, 1959; Ramo de Rumos, 1961; Antologia Poética, 1962; Sonetos da Vida e da Morte, 1963. Tempo Reverso, 1964; Canções, 1966; Calendário, 1968; Poemas Escolhidos, 1974; Praia de Sonetos, 1981; Sonetos do Caminho, 1983; Súdito da Noite, 1992. Em 2000 e 2001 publicou os livros de contos e crônicas Aquele Menino e O Caminheiro; em 2004, Tecido de lembranças e, em 2006, Janeiros de meu São Paulo e O Colecionador de Contos.

Fonte: Wikipédia

 

TEXTS IN ENGLISH

 

 

 

NAVEGANTE
São Paulo: Amaral Gurgel, 2007.
(Edição bilíngüe português – español
Versão de Juan Figueroa

ISBN 978-85-60906-00-0

 

 

“Éste no es un libro de confesiones, sino de aleaciones. El yo de Bomfim se juega — se Lidia — en el campo del outro. Rebota. Resiste. Se levanta por encima, y dentro a la vez, de todo hecho habitable. No debe extrañarnos entonces que el tono sea más contrapuntístico que dialéctico. El outro es siempre la posibilidad del uno, con quien, a su vez, aquél alcanza su propia unidad.”   Juan Figueroa

 

Apresentamos alguns fragmentos desta obra monumental do poeta:

Na pele da manhã

o arrepio

dos pressentimentos

Bússola certeira

aponta n(m)orte

 

Sobre la piel de la mañana

un escalofrío

de presagios

Brújula certera

apunta no(mue)rte

 

(...)

 

A loucura dos mares

invadiu os homens,

hoje possuímos a expressão das ondas:

nossos gestos

rolam pela tarde.

 

La furia de los mares

invadió a los hombres.

Poseídos por las olas

nuestros gestos

ruedan al atardecer

 

Discípulo do acaso, leciono contradições.

 

Discípulo del azar, enseño contradicciones.

 

 

Os poetas sempre serão expulsos de todas as repúblicas,

porque onde eles estão as águas se agitam impedindo

os tiranos de contemplar os próprios rostos.

 

Destino de los poetas, el destierro. Por donde pasan,

las aguas se agitan, y los tiranos no pueden

contemplar sus rostros.

 

Declaro à praça que as árvores querem

voar com os pássaros.

 

Le declaro a la plaza que los árboles se quieren ir

volando con los pájaros.

(...)

 

Em minhas mãos

Algemas partidas,

No pulso esquerdo

Lateja a cicatriz do tempo.

Sou caminho e pés.

O mal e o bem procriando:

Transformo a lama em palavras.

 

En las manos

esposas partidas.

En la muñeca izquierda

la cicatriz del tiempo palpita.

Soy camino y pies.

El mal y el bíen se multiplican:

Del limo hago palabras

 

(...)

 

Há sede nas águas

Fome no pão

Dor na alegria.

Somos o vento que passa...

Na memória levaremos

Gotas de céu

Morrendo na vidraça.

 

Las aguas tienen sed

hambre el pan

hay dolor en la alegría.

Somos un viento que pasa...

En la memoria

un cielo que gotea

y va muriendo en los cristales.

 

 

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OS DIAS MORTOS

Os dias mortos, sim, onde enterrá-los?
Que solo se abrirá para acolhê-los
Com seus pés indecisos, seus cabelos,
Seu galope de sôfregos cavalos!

 

Os dias mortos, sim, onde guardá-los?
Em que ossário reter seus pesadelos,
Seu tecido rompido de novelos,
Seus fios graves, relva além dos valos.

Tempo desintegrado, tempo solto,
Fátuo fogo de febre e de fuligem,
Canteiro de sereia em mar revolto.

Em nossa carne, sim, em nossos portos,
Quando o fim regressar à própria origem,
Repousarão também os dias mortos!

 

 

CIMENTO ARMADO

 

Batem estacas no terreno morto,

No terreno morto surge vida nova,

As goiabeiras do velho parque

E os roseirais abandonados,

Serão cortados

E derrubados

 

Um prédio novo de dez andares,

Frio e cinzento,

Terá seu corpo de cimento-armado

Enraizado no velho parque

de goiabeiras

De roseirais

 

Batem estacas no terreno morto.

Século vinte...

Vida de aço...

Cimento-armado!

 

Batem as estacas

Um prédio novo, de dez andares,

Terraços tristes,

Pássaros presos,

Rosas suspensas,

Flores da vida,

Rosas de dor.

 

 

SONETO I

 

Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.


Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.


Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha


Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo
O cabo das tormentas de mim mesmo.

 

 

De
TEMPO REVERSO
São Paulo: Livraria Martins Editora, 1964

SONETO  IV


Não construo estes barcos, pois se fazem.
Cedro crescido em minha serrania,
Velas sugadas pela maresia,
E as âncoras, vocábulos que jazem

Em múltiplas jornadas que perfazem
Circuitos de hipocampos e euforia.
Sim, o leme nasceu em minha manhã fria
Da solidão das mãos que embora casem

No instante de criar, depois são fugas
Em corpos, em trajetos, em contactos,
Ou tripulantes percorrendo rugas.

Passam por mim as forças que se enfeixam
No cerne de estaleiros e do atos:
— Não construo estas naus, elas me deixam!

 

SONETO XVII

Onde buscar a taça de veneno,
O gesto que a ofertou, onde o festim
Que em mortas madrugadas veio a mim?
E o tiro florescido no jardim
Nos ramos emboscados de um aceno?

Lagamares, partidas, galeotas,
E a selva perdições, o sol deserto,
Tão povoados de mim, de tantas rotas?

Ah! os leitos de amor e de agonia,
Onde encontrar-me neste agora incerto,
Se tudo o que se finda principia?

 

 

Página publicada em setembro de 2008; ampliada e republicada em junho 2009.

 



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