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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


RAYMUNDO CORREA
Cartão postal antigo; bilhete postal – old postcard – tarjeta postalantigua –
Editor/publisher M. OROZCO, Rio de Janeiro circa 1904)



RAYMUNDO CORREA

(1859-1911)

 

RAIMUNDO da Mota de Azevedo CORREA  ( RAIMUNDO CORREIA ) , magistrado, professor, diplomata e poeta, nasceu em 13 de maio de 1859, a bordo do navio brasileiro São Luís, ancorado na baía de Mogúncia, MA, e faleceu em Paris, França, em 13 de setembro de 1911.

 

Doire a Poesia a escura realidade
E a mim encubra
”!
RAIMUNDO CORREIA

 

 

 

MAL SECRETO

 

Se a cólera que espuma, a dor que mora

N´alma e destróe cada illusão que nasce,

Tudo o que punge, tudo o que devora

O coração, no rosto se estampasse;

 

Se se pudesse o espírito que chora,

Ver através a mascara da face,

Quanta gente, talvez, que inveja agora

Nos causa, então piedade nos causasse!

 

Quanta gente que ri, talvez, comsigo

Guarda um atroz, recôndito inimigo,

Como invisivel chaga cancerosa!

 

Quanta gente que ri, talvez, existe

Cuja ventura unica consiste,

Em parecer aos outros venturosa! 

 

 

(Obs. Conservamos a ortografia original, tal como aparece no cartão).

 

Este exemplar  faz parte de uma coleção de 16 “bilhetes postais” da coleção particular de Antonio Miranda registrada no texto Poesia em Cartão Postal Antigo.

TEXTOS EM PORTUGUÊS   /   TEXTOS EM ESPAÑOL


SER MOÇA E BELA SER

Ser moça e bela ser, por que é que lhe não basta?
Porque tudo o que tem de fresco e virgem gasta
E destrói? Porque atrás de uma vaga esperança
Fátua, aérea e fugaz, frenética se lança
A voar, a voar?...
                            Também a borboleta,
Mal rompe a ninfa, o estojo abrindo, ávida e inquieta,
As antenas agita, ensaia o vôo, adeja;
O finíssimo pó das asas espaneja;
Pouco habituada à luz, a luz logo a embriaga;
Bóia do sol na morna e rutilante vaga;
Em grandes doses bebe o azul; tonta, espairece
No éter; voa em redor, vai e vem; sobe e desce;
Torna a subir e torna a descer; e ora gira
Contra as correntes do ar, ora, incauta, se atira
Contra o tojo e os sarcais; nas puas lancinantes
Em pedaços faz logo às asas cintilantes;
Da tênue escama de ouro os resquícios mesquinhos
Presos lhe vão ficando à ponta dos espinhos;
Uma porção de si deixa por onde passa,
E, enquanto há vida ainda, esvoaça, esvoaça,
Como um leve papel solto à mercê do vento;
Pousa aqui, voa além, até vir o momento
Em que de todo, enfim, se rasga e dilacera.

ó borboleta, pára! ó mocidade, espera!

 

 

As Pombas

 

Vai-se a primeira pomba despertada...

Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas

Das pombas vão-se dos pombais, apenas

Raia sanguínea e fresca a madrugada.

 

E à tarde, quando a rígida nortada

Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,

Ruflando as asas, sacudindo as penas,

Voltam todas em bando e em revoada...

 

Também dos corações onde abotoam

Os sonhos, um a um, céleres voam,

Como voam as pombas dos pombais;

 

No azul da adolescência as asas soltam,

Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,

E eles aos corações não voltam mais.

 

AS POMBAS, vídeo:

 

http://www.youtube.com/watch?v=wQqkeW3gmGI


 

 

 

CORRêA, Raymundo.  Poesias (Seleção portugueza). Prólogo de D. João da Camara.  3ª. edição correcta e augmentada.  Lisboa Parceria Antonio Maria Pereira Livraria Editora, 1910.  224 p.  14x21 cm.  capa dura  - foto do poeta em frontispício.  Col. A.M.

(conservando a ortografia original)

 

 

NUVEM BRANCA

 

Dizei-me: é ella a noiva casta e pura,
Que no alvor d'essa nuvem rutilante,
Passa agora ? Dizei-me, neste instante,
Turbilhões de translúcida brancura;

 

Collar, broches de pérolas e opalas;
Gaza que, em niveos floccos, por formosas,
Rijas pomas de mármore, ondulosas
Curvas e espáduas de marfim, resvalas. . .

 

Dizei-me, branca, virginal capella ;
Nitida espuma de nevadas rendas ;
Alvos botões de laranjeira ; prendas
Symbolicas do amor; dizei-me : é ella ?

 

E' ella a noiva ? E' mesto, ou prazenteiro,
Seu doce olhar ? Sorri alegre, ou chora,  
Seu semblante gentil occulto agora
Do espesso véu no alvissimo nevoeiro ?

 

E' ella, sim! Su'alma, entre os fulgores
Das claras tochas cândidas e ardentes,
Nas cherubicas azas transparentes,
Voa, festiva, a um thalamo de flores...

 

Mysterios nupciaes, só vos devassa
Um louco amante! Ao seu olhar ancioso
Velaes debalde archanjo, o astro radioso
Que, dentro d'essa nuvem branca, passa...

 

 

 

PLENA NUDEZ

 

Eu amo os gregos typos de esculptura :
Pagans nuas no mármore entalhadas ;
Não essas producções que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfeza las.

 

Quero em pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres ; da carne exuberante e pura
Todas as saliências destacadas ...

 

Não quero, a Vênus opulenta e bella
De luxuriantes formas, entrevel-a
Da transparente tunica atravez :

 

Quero vel-a, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus... toda nua, da cabeça aos pés !

 

 

 

CORRÊA, RaymundoPoesias. 4ª edição.  Rio de Janeiro: Annuario do Brasil; Lisboa: Seara Nova; Porto: Renascença Portuguesa, 1922.  318 p.  12,5x18,5 cm. Foto do poeta no frontispício.  exemplar encadernado.  Col. A.M.

 

 

ANOITECER

 

         A Adelino Fontoura

 

ESBRAZEA o Ocddente na agonia

O sol... Aves em bandos destacados,

Por céus de oiro e de purpura raiados,

Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...

 

Delineam-se, além, da serrania

Os vértices de chamma aureolados,

E em rudo, em torno, esbatem derramados

uns tons suaves de melancholia...

 

Um mundo de vapores no ar fluctua...

Como uma informe nódoa, avulta e cresce

A sombra á proporção que a luz recua...

 

A natureza apathica esmaece...

Pouco a pouco, entre as arvores, a lua

Surge tremula, tremula... Anoitece.

 

 

 

 

RIMA

 

Imaginando mil coisas

Meditando sozinho

Até a madrugada

Isto tudo é tão contrário

 

Medo e coragem

Amor e ódio

Revolta e compreensão

Mas nada rima nesse mundo

 

Apenas eu e você restávamos

Resto do que o mundo já foi

Intensamente, imensamente, eternamente

Até mesmo nós sucumbimos

 

Reavaliamos nossa condição

Indiferentes, deixamos de rimar

Menos um casal no mundo

Agora ando sozinho

 

Meditando noite adentro

Imaginando e esquecendo mil e uma coisas

Rondando até a madrugada

 

 

Video com o poema “Rima” de Raimundo Correia:

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=ff4R4zaIbqQ

 

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

Traducción de ÁNGEL CRESPO
publicada originalmente en la REVISTA DE CULTURA BRASILEÑA,
n. 17 Junio 1966 – Editada por la Embajada del Brasil en Madrid, España.

 


LAS PALOMAS


La primera paloma despertada
Vase... otra más... luego outra... em fin decenas
Dejan los palomares, cuando apenas
Raya sanguinea y fresca la alborada...

 

Y cuando cae la tarde, maltratada

Del viento norte, al palomar, serenas,

Alas y plumas tremulando amenas,

Vuelven todas en bando y revelada...

 

También del corazón donde florecen,

Los sueños alzan vuelo y estremecen

Al aire como aquellas al volar;

 

Bogan por un azul de años floridos...

Mas las palomas vuelven a sus nidos

Y ellos al corazón no han de tornar..

 

 

PLENA DESNUDEZ

 

Amo los tipos griegos de escultura:

Desnudeces paganas cinceladas,

Y no las flores de la estufa oscura

De la moda, raquíticas y ajadas.

 

Quiero en pleno esplendor, vicio y frescura

Cuerpos desnudos; líneas onduladas

Libres: de carne exuberante y pura

Todas las prominencias destacadas...

 

No quiero a Vénus opulenta, hermosa,

Entrever, en su forma esplendorosa,

De transparente túnica a través:

 

Sin rubor quiero verla, sin asombros,

Dorso desnudo, senos nudos y hombros...

¡ Desnuda del cabello hasta los pies!

 

 

SER MOZA Y BELLA SER

 

Ser moza y bella ser ¿por qué eso no le basta?

¿ Por qué cuanto ella tiene de fresco y virgen gasta

Y destruye? ¿Por quê trás de vaga esperanza,

Fátua, aérea y fugaz, frenética se lanza

A volar, a volar?...

                            Tambíén la mariposa

Recién rota la ninfa, abre el estuche, airosa,

Las antenas agita, vuela y revolotea;

El finísimo polvo de las alas menea;

Poco hecha a la luz, la luz la embriaga luego;

Boya es dei sol en la ola de su entibiado fuego;

A grandes tragos bebe el azul; se distrae

En el éter; revuela, vá y viene, sube y cae,

Vuelve a subir y vuelve a caer; y ora gira

Contra el curso del aire, ora incauta se tira

Contra tojos y zarzas; y en las puntas hirientes

En pedazos deshace las alas relucíentes;

De la escamita de oro los átomos mezquinos

Se van quedando presos en Ias puas de espinos;

Una porción de sí deja por donde va

Y, mientras tiene vida, volotea y es ya

Cual un leve papel suelto a merced del viento;

Se posa aquí, va allá y vuela hasta el momento

En que dei todo, en fin, se rasga y dilacera...

 

¡ Oh mariposa, para! ¡ Oh juventud, espera!

 

 

LA ISLA Y EL MAR

 

En el mar solitario se yergue entre la bruma

Una isla aislada como un dorso de ballena,

Donde la ola, bramando, la blanca flor de espuma

Deshoja reventando en la luciente arena.

 

En la estéril quietud del piélago en el centro

La isla duerme... e hirviendo, rasgándola por dentro,

Orgullosa, arrullada por marítimo salmo,

Conquista el oceano su tierra palmo a palmo.

 

Sobre su faz revienta la oleada frecuente,

La arena diluyendo, derribando las fraguas,

Y por fin se sumerje la isla completamente

Bajo el frio envoltorio de ilimitadas aguas...

 

Tal del seno dei pueblo altivo se levanta

Como una isla maldita el trono del tirano,

Y, oprimido, bramando, va royendo su planta

El Pueblo en tomo suyo igual que un oceano.

 

Pero un día por fin, en la alborada, cuando

De pensamiento nuevo el globo irradiar ha,

La onda popular, tronos despedazando,

Ha de envolverlo todo, ¡ todo Pueblo será!

 

 

Página ampliada e republicada em dezembro de 2008. ampliada e republicada em setembro de 2013

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