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ARIOSTO TEIXEIRA

Jornalista, cientista político, colunista da "Agência Estado" e analista político de "O Estado de São Paulo". Publicou poemas e contos nas revistas brasilienses Bric-a-Brac e Há Vagas (anos 80) e em antologias: “Poemas” (1990), do Coletivo de Poetas do DF.


De

POEMAS DO FRONT CIVIL

Rio de Janeiro: 7Letras, 2006.

 

“De imagens-emoções violentas faz-se este Poemas do Front Civil, de Ariosto Texeira. Na oscilação entre potência e impotência equilibra-se uma agressividade desconcertante, certo lirismo às avessas que provoca ao expressar a consciência de que o sujeito contemporâneo sobrevive na intimidação” In:

http://www.7letras.com.br/detalhe_livro/?id=447&PHPSESSID=0193f96aec3588cf527e538b198dc8b6
 

Cruel

 

(Ou de como o cavaleiro andante

venceu o vírus mutante

e entregou seu coração à cyborg Lindonéia)

 

Um vírus não faz a guerra só

Um vírus não faz a paz nunca

Um vírus não anda sozinho

Um vírus pode ser mais letal

Que os batalhões de soldados americanos

Sedentos de água e petróleo

Nas areias calcinadas do Iraque

 

Um homem é só um home

E sua lança de bambu

 

O vírus empurra-o

Para o abismo

 

O homem derruba portas

Arrebenta cadeados

Aos esbarrões emerge

Em busca de ar no vácuo da multidão

 

Uma pessoa não vê o vírus

Nem que ele se replique por um bilhão

Mas sente o impacto das flechas que ele dispara

Observa atônita a implosão do edifício

 

O ódio que joga o filho contra o pai

O velho contra o novo

Irmão contra irmão

Em medonha guerra civil

 

Um homem vence o vírus

Se for capaz de fazer uma guerra de libertação

Mesmo que o vírus seja a infantaria chinesa

A desencadear cargas no front do seu coração

 

Um homem se defende sozinho

Promove uma campanha napoleônica

Com seu corpo febril

Torna-se Miguel de Cervantes

Em sua batalha desigual contra os gigantes

D. Quixote o cavaleiro andante

Atacado pelos odres de vinho

Enquanto Lindonéia a doce e cruel cyborg

Sonha casar-se com o rei da Espanha

 

Tédio secular

 

Todo dia acordo de ressaca

Das mentiras na TV

De tédio e náusea

Está certo! Tudo bem!

Sei que tais sentimentos

Escandalizam o cristianismo

E são passados a fogo pela polícia

 

 

Sob o comando do medo

 

Ontem fiz planos.

Estabeleci pontos de fuga.

A luz sempre acesa.

A penumbra me assusta.

A pistola carregada em cima do piano.

Quebrar vitrines a marteladas.

Estuprar os manequins amarelos de Kenzo.

 

         Todo esforço resultou inútil.

O mundo futuro e o mundo passado

Fluem para o buraco escuro.

Com cem olhos grandes sobre mim

Hora após hora,

Dias após dia,

Ano após ano,

Construo e derrubo o mesmo muro.

 

Faço planos ainda assim: cavar um túnel.

 

 

 

Bodas de prata

 

Era como se um relâmpago

Subisse e a estraçalhasse

Enquanto seguia o caminho do que tinha de ser

 

Carregava a si mesma nos braços

                                               E aquele resto

Vibrava

 

Seria o que fosse

 

Ele dizia:

Agora não quero mais

O que se perdeu nunca soube como

 

 

Ela dizia:

Senão o que sinto

No lugar do que se perdeu

 

Tinha casa

Filhos

E ainda muitos anos

 

 

 

Depois do jantar

 

         Faca.

Garfo.

Colher.

A espuma suja desce pelo cano.

Prato.

Panela.

Pano.

Tua mulher pôs um copo de veneno em cima da mesa.

Pegue-o.

Beba-o.

Não morra.

Deixe que doa.

 

 

 

Página publicada em maio de 2008.

 




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