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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


VINICIUS DE MORAES

VINICIUS DE MORAES
(1913-1981)

1913-1981. Nasceu e morreu no Rio de Janeiro, cidade que cantou e onde amou fervorosamente. Poeta, diplomata, compositor em parceria com os maiores nomes da música popular brasileira desde a bossa nova ao samba e outros ritmo, até composições eruditas, com Tom Jobim, Baden Powel, etc.

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

En Français

See also: TEXTS IN ENGLISH & PORTUGUESE

 

EN ITALIANO

 

POESIA INFANTIL

 

 

 

POÉTICA (l)

 

De manhã escureço

De dia tardo

De tarde anoiteço

De noite ardo.

 

A oeste a morte

Contra quem vivo

Do sul cativo

O este é meu norte.

 

Outros que contem

Passo por passo:

Eu morro ontem

 

Nasço amanhã

Ando onde há espaço:
—Meu tempo é quando.

 


 

 

 

O FALSO MENDIGO

De
O FALSO MENDIGO
Poemas de Vinicius de Moraes
Ilustrados com xilogravuras de
Luis Ventura
Rio de Janeiro: Editora Fontana, 1978
Poemas selecionados por Marilda Pedroso
Projeto gráfico de Gastão de Holanda e Robson Schiamé,
edição limitada a 200 exemplares numerados, assinadas pelo Autor, em 1978.
Livro impresso em papel fitrante, com gravuras assinadas pelo artista, folhas soltas
em estojo de luxo. Exemplar n. 67 da coleção Antonio Miranda.

 


O FALSO MENDIGO

 

Minha mãe, manda comprar um quilo de papel almaço na venda

Quero fazer uma poesia.

Diz a Amélia para preparar um refresco bem gelado

E me trazer muito devagarinho.

Não corram, não falem, fechem todas as portas a chave

Quero fazer uma poesia.

Se me telefonarem, só estou para Maria

Se for um trote, me chama depressa

Tenho um tédio enorme da vida.

Diz a Amélia para procurar a "Patética" no radio

Se houver um grande desastre vem logo contar

Se o aneurisma de dona Ângela arrebentar, me avisa

Tenho um tédio enorme da vida.

Liga para vovó Nenem, pede a ela uma ideia bem inocente

Quero fazer uma grande poesia.

Quando meu pai chegar tragam-me logo os jornais da tarde

Se eu dormir, pelo amor de Deus, me acordem

Não quero perder nada na vida.

Fizeram bicos de rouxinol para o meu jantar?

Puseram no lugar meu cachimbo e meus poetas?

Tenho um tédio enorme da vida.

Minha mãe estou com vontade de chorar.

Estou com taquicardia, me da um remédio

Não, antes me deixa morrer, quero morrer, a vida

Já não me diz mais nada

Tenho horror da vida, quero fazer a maior poesia do mundo

Quero morrer imediatamente.

Fala com o Presidente para fecharem todos os cinemas

Não aguento mais ser censor.

Ah, pensa uma coisa, minha mãe, para distrair teu filho

Teu falso, teu miserável, teu sórdido filho

Que estala em força, sacrifício, violência, devotamento

Que podia britar pedra alegremente

Ser negociante cantando

Fazer advocacia com o sorriso exato

Se com isso não perdesse o que por fatalidade de amor

Saber ser o melhor, o mais doce e o mais eterno da tua

                                               [puríssima carícia.


 

SONETO DO CAFÉ LAMAS

 

No Largo do Machado a pedida era o "Lamas"

Para uma boa média e uma "canoa" torrada

E onde a noite cumpria ir tomar umas Brahmas

E apanhar uma zinha ou entrar numa porrada.

 

Bebendo, na tenção de putas e madamas

Batidas de limão até de madrugada

Difícil era prever se o epílogo das tramas

Seria algum michê ou alguma garrafada.

 

E em meio a cafetões concertando tramóias

Estudantes de porre e mulatas bonitas

Sem saber se ir dormir ou ir na Lili das Jóias

 

Ordenar, a cavalo, um bom filé com fritas

E ao romper da manhã, não tendo mais aonde

Morrer de solidão no reboque de um bonde.

 

Itapuã, 1973

 

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SONETO DE FIDELIDADE

 

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

 

Quero vive-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento.

 

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

 

   

SONETO DE SEPARAÇÃO

 

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como uma bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

 

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

 

Fez-=se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

 

POEMA DE NATAL

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

 


 

VINICIUS DE MORAES

De
Vinicius de Moraes
MEU TEMPO É QUANDO
Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil/
 Arvoredo Produções, 1990.
Capa: retrato por Scliar

 

 

O VERBO NO INFINITO

Ser criado, gerar-te, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar.

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...

 

 

 

 

MORAES, Vinicius deUm signo uma mulher.  Salvador, Bahia: Diamene, 1975.   s.p.  (Dinamene 112) 15x18 cm.   Inclui uma folha solta comos “Termos ou locuções de linguagem coloquial ou de gíria que se encontram em um signo de uma mulher.”  “Os poemas foram publicados originalmente  no primeiro número de 1971 de Manchete,” (...) (A presente edição foi composta na Linotipia Peña e impressa em Electra Talleres Gráficos, sob os cuidados de Pedro  Moacir Maia, em setembro de 1975, em      Buenos Aires. Os desenhps de Aldary Toledo foram feitos especialmente para esta edição. Os signos do Zodíaco são reproduzidos de xilogravuras que se encontram em Poeticon astronomicon, de C. J. Hyginus (Veneza, 1485) e De magnis copunctionibus, de Albumasar (Augsburgo, 1489).  Col. A.M

 

 

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TEXTOS EN ESPAÑOL

 

 

SONETO DE FIDELIDAD

 

Traducción de José Antonio Pérez

   

En todo, le seré a mi amor atento

Antes, y como tal celo, y siempre, y tanto

Que incluso en frente del mayor encanto

De él se encante más mi pensamiento.

 

Quiero vivirlo ya cada momento

Y en su loar he de esparcir mi canto

Y mi reír y derramar mi llanto

A su pesar o a su mayor contento.

 

Y así, cuando más tarde me procure

Quizás la muerte, angustia del viviente

Quizás la soledad, fin de quien ama

 

Decir yo pueda de mi amor ardiente:

Que no sea inmortal, puesto que es llama,

Mas que sea infinito mientras dure.

 

 

 

SONETO DE LA SEPARACIÓN

 

Trad. de Dámaso Alonso y Ángel Crespo

 

 

De la risa de pronto se hizo llanto

Tan silencioso y blanco como bruma

Y de las bocas juntas se hizo espuma

Y de manos abiertas el espanto.

 

De pronto de la calma se hizo el viento

Que extingue del mirar la última llama

De la pasión se hizo el presentimiento

Y del momento inmóvil se hizo el drama.

 

De repente, no más que de repente,

Volvióse triste lo que se hizo amante

Y solitario lo que sonriente.

 

Y del amigo próximo el distante,

Y de la vida una aventura errante

De repente, no más que de repente.

 

 

 

De
MORAES, Vincius de
Historia Natural de Pablo Neruda
(La elegia que viene de lejos),
Grabados de Calaasans Neto
Santiago de Chile: Lom ediciones / Emabaja de Brasil, 2004.  56 p. ilus.  24x32 cm
ISBN 956-282-654-6

Tradução de Violea Romero, com a colaboração de Adán Méndez e María Eugenia Losa. Não informa sobre a tiragem, mas inclui uma lista de pessoas que supostamente subscreveram a edição.
 Obs. A 1ª. ed. Da obra aconteceu em Salvador, Bahia, pelas Edições Macunaíma, em 1’97e, uma 2ª. ed. pla Bigra, também de Saolvador, em 1996.

 

Eu, Antonio Miranda, em meus dezoito anos de idade, e uma paixão total pela poesia, fui ao lançamento dos livros de canção e amor exacerbados dos grandes poetas — Vinicius de Moraes e Pablo Neruda , lá no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Como o dinheiro era curto em minha juventude, comprei apenas os “20 poemas de amor e uma canção desesperada”,  para merecer um autógrafo e o prazer de aproximar-me, ainda que por breve momento, do (já, naquela época) célebre poeta chileno universal.”   Antonio Miranda




TARDE DE AUTÓGRAFOS NO MAM
e viagem a São Paulo


No Museu de Arte Moderna
(Depois de uma entrevista à imprensa
Em casa de Rubem Braga)
Autografamos juntos nossos poemas>
Dia seguinte, em São Paulo
Para onde partimos de trem
E nos hospedamos no Cà d´Oro
Inauguraste a estátua
De Flávio de Carvalho
Em homenagem a Lorca
E que pouco mais tarde
Amanheceu no chão desmantelada
Pelo homens do Ódio.

 

 

TARDE DE AUTÓGRAFOS EM EL MAM
y viaje a São Paulo


En el Museo de Arte Moderno
(Después de una entrevista a la prensa
En la casa de Rubem Braga)
Autografiamos juntos nuestros poemas.
Al día siguiente, en São Paulo
Donde fuimos en tren
Y nos hospedamos em Cà d´Oro
Inauguraste la estatura
De Flavio de Carvalhos
Em homenaje a Lorca
Y que poco más tarde
Amaneció en el suelo desmantelada
Por los hombres del odio.

 

 

ORAÇÃO PARA AS PERNAS DE NERUDA

 

Ó desveladas pernas, que tão longe
Carregaste o poeta em sua fuga
Eu vos mirei, enormes e largadas
E roxas da gangrena subjacente.
ò não amputeis, homens de branco
Que rondais essas pernas apreensivos
Enquanto o poeta, pálido e prostrado
 Lê “Canto General” para os amigos.
Que se não verifiquem os maus presságios
Que volte o sangue a circular nas pernas
E o poeta se erga, majestoso e mágico
E beba em meio a alegres mariaches
Cantando alto e bom som canções eternas
Nos caminhos sem fim da liberdade.

 

 

ORACIÓN A LAS PIERNAS DE NERUDA

Oh desveladas piernas que tan lejos
Soportasteis al poeta que escapaba
Yo os miré, enormes y descuidadas
Y roas de gangrena subyacente.
Oh no las amputeis, hombres de blanco
Que rondáis esas piernas apreensivos
del poeta que pálido y postrado
El “Canto General” a amigos lee.
Que los malos presságios sean falsos
Que la sangre otra vez circule en ellas
Y el poeta se yerga rey y mágico
Y em médio de mariachis feliz beba
Cantando alto y afinado canciones eternas
En la ruta infinita de los libres.

 

POEMAS DE VINICIUS DE MORAES

 

Selección y traducción de Rodolfo Alonso

 

  

 

ELEGÍA CASI UNA ODA

 

Sueño mío, yo te perdí; me hice hombre.

El verso que se hunde en el fondo de mi alma

Es simple y fatal, pero no trae caricia.

Me hace acordar de ti, poesía niña, de ti

Que te colgabas del poema como de un seno en el espacio.

Llevabas en cada palabra el ansia

De todo el sufrimiento vivido.

 

Quería decir cosas simples, bien simples

Que no hiriesen tus oídos, madre mía.

Quería hablar de Dios, hablar dulcemente de Dios

Para arrullar tu esperanza, abuela mía.

Quería volverme mendigo, ser miserable

Para participar de tu belleza, hermano mío.

Quería, mis amigos… quería, mis enemigos…

Quería…

¡Quería tan exaltadamente, amiga mía!

Pero tú, Poesía

Tú desgraciadamente Poesía

Tú que me ahogaste en mi desesperación y me salvaste

Y me ahogaste de nuevo y de nuevo me salvaste y me trajiste

Al borde de abismos irreales en que me lanzaste y que después eran

/abismos verdaderos

Donde vivía la infancia corrompida por gusanos, la locura preñada por

/el Espíritu Santo, e ideas e ideales en lágrimas, y castigos /y redenciones momificados en semen crudo

¡Tú!

Iluminaste, joven danzarina, la lámpara más triste de la memoria…

 

Pobre de mí, me hice hombre.

De repente, como el árbol pequeño

Que en la estación de las lluvias bebe la savia en el humus pleno

Estira el tallo y duerme para despertar adulto

Así, poeta, te hiciste para siempre.

 

Mientras tanto, era más bello el tiempo en que soñabas.

 

¿Qué sueño es mi vida?

¡Te diré que eres tú, María Aparecida!

A ustedes, en el pudor de hablar ante vuestra grandeza

Les diré que es olvidar todos los sueños, mis amigos.

Al mundo, que ama la leyenda del destino

Le diré que es mi camino de poeta.

Y para mí, lo llamaré inocencia, amor, alegría, sufrimiento, muerte,

/serenidad

Lo llamaré así porque soy débil y cambiante

Y porque es preciso que no mienta nunca para poder dormir.

Ah

No debería nunca atender los llamados de lo íntimo.

 

Tus brazos largos, fulgurantes; tus cabellos de oleoso color; tus manos musicalísimas; tus pies que llevan prisionera la danza; tu cuerpo grave de gracia instantánea; el modo con que miras la sustancia de la vida; tu paz, angustia paciente; tu deseo irrevelado; ¡el grande, el infinito inútil poético! todo eso sería un sueño a soñar en tu seno que es pequeño…

 

¡Oh, quién me diera no soñar ya nunca

No tener ni tristezas ni nostalgias

Ser apenas Moraes sin ser Vinicius!

¡Ah, si pudiese por siempre, al levantarme

Espiar la ventana sin paisaje

Sin tiempo el cielo y el tiempo sin memoria!

¡Qué he de hacer de mí que sufro todo

Demonio y ángel, angustias y alegrías

Que peco contra mí y contra Dios!

A veces me parece que mirándome

Él dirá, desde su lar celeste:

Fui demasiado cruel con ese chico…

En tanto, ¿qué otra mirada de piedad

Curará en este mundo a mis llagas?

Soy fuerte y débil, venzo la vida: pronto

Lo pierdo todo; pronto, no puedo más…

¡Oh, naturaleza humana, qué desgracia!

¡Si supieses qué fuerza, qué locura

Son todos tus gestos de pureza

Contra una carne tan alucinada!

¡Si supieses el impulso que te impele

En estas cuatro paredes de mi alma

Ni sé lo que sería de este pobre

Que te arrastra sin dar ningún gemido!

Es muy triste sufrirse tan joven

Sabiendo que no hay ningún remedio

Y teniéndose que ver a cada instante

Que la cosa es así, que pasa luego

Que sonreír es cuestión de paciencia

Y quien manda la vida es la aventura.

¡Oh ideal misérrimo, te quiero:

Sentirme apenas hombre y no poeta!

 

Y escucho… ¡Poeta! ¡triste Poeta!

No, seguramente fue el viento de la mañana en las araucarias

Fue el viento… tranquilízate, corazón mío; a veces el viento parece

/hablar…

 

Y escucho… ¡Poeta! ¡pobre Poeta!

Cálmate, tranquilidad mía… es un pájaro, sólo puede ser un pájaro

Nada me importa… y si no fuera un pájaro, hay tantos lamentos en

/esta tierra…

Y escucho… ¡Poeta! ¡sórdido Poeta!

¡Oh angustia! esta vez… ¿no fue la voz de la montaña? ¿No fue el eco

/distante

De mi propia voz inocente?

 

Lloro.

Lloro atrozmente, como lloran los hombres.

Las lágrimas corren millones de leguas por mi rostro que el llanto hace

/gigantesco.

Oh lágrimas, sois como mariposas doloridas

Revoloteáis desde mis ojos hacia los caminos olvidados.

¡Padre mío, madre mía, socórranme!

¡Poetas, socórranme!

Pienso que de aquí a un minuto estaré sufriendo

Estaré puro, renovado, niño, haciendo dibujos perdidos en el aire…

Vengan a decirme lo que es la vida, lo que es el conocimiento, lo que

/quiere decir la memoria

Escritores rusos, alemanes, franceses, ingleses, noruegos

¡Vengan a aconsejarme, filósofos, pensadores

Vengan a darme ideas como antiguamente, sentimientos como

/antiguamente

Vengan a hacerme sentir sabio como antiguamente!

¡Hoy me siento despojado de todo lo que no sea música

Podría silbar la idea de la muerte, hacer una sonata de toda la tristeza

/humana

Podría agarrar todo el pensamiento de la vida y ahorcarlo en la punta

/de una clave de Fa!

 

¡Nuestra Señora mía, dame paciencia

San Antonio mío, dame mucha paciencia

San Francisco de Asís mío, dame muchísima paciencia!

Si vuelvo los ojos tengo vértigos

Siento extraños deseos de mujer grávida

Quiero el pedazo de cielo que vi hace tres años, detrás de una colina

/que sólo yo sé.

Quiero el perfume que sentí no me acuerdo cuándo, y que era entre

/sándalo y carne de seno.

Tanto pasado me alucina

Tanta nostalgia me aniquila

En las tardes, en las mañanas, en las noches de la sierra.

¡Dios mío, qué pecho grande el que yo tengo

Qué brazos fuertes que yo tengo, qué vientre esbelto el que yo tengo!

¿Para qué un pecho tan grande

Para qué unos brazos tan fuertes

Para qué un vientre tan esbelto

Si todo mi ser sufre de la soledad que tengo

En la necesidad que tengo de mil caricias constantes de la amiga?

¿Por qué yo caminando

Yo pensando, yo multiplicándome, yo viviendo

Por qué yo en los sentimientos ajenos

Y yo en mis propios sentimientos

Por qué yo animal libre pastando en los campos

Y príncipe tocando mi laúd entre las damas del señor rey mi padre

Por qué yo truhán en mis tragedias

Y Amadís de Gaula en las tragedias de otros?

¡Basta!

¡Basta, o dame paciencia!

He tenido mucha delicadeza inútil

Me he sacrificado muy por demás, un mundo de mujeres en exceso

/me ha vendido

 

Quiero un lugar de abrigo

Me siento repelente, impido a los inocentes que me toquen

Vivo entre las aguas torvas de mi imaginación

Ángeles, tañid campanas

El anacoreta quiere a su amada

Quiere a su amada vestida de novia

Quiere llevarla a la neblina de mi amor

Mendelssohn, toca tu marchita inocente

Sonrían, pajes, obreras curiosas

El poeta va a pasar soberbio

De su brazo una criatura fantástica derrama los santos óleos de las

/últimas lágrimas

¡Ah, no me ahoguen en flores, poemas míos vuelvan a los libros

No quiero glorias, pompas, adiós!

Solness, vuela hacia la montaña, mi amigo

Comienza a construir una torre bien alta, bien alta…

 

 

  

POEMA DE NAVIDAD

 

Para eso fuimos hechos

Para recordar y ser recordados

Para llorar y hacer llorar

Para enterrar a nuestros muertos

Por eso tenemos brazos largos para los adioses

Manos para tomar lo que fue dado

Dedos para cavar la tierra.

 

Así será nuestra vida:

Una tarde siempre por olvidar

Una estrella apagándose en la sombra

Un camino entre dos sepulcros –

Por eso necesitamos velar

Hablar bajo, pisar suave, ver

A la noche dormir en silencio.

 

No hay mucho que decir:

Una canción sobre una cuna

Un verso, tal vez, de amor

Una oración por quien se va

Pero que esa hora no olvide

Y por ella nuestros corazones

Se dejen, graves y simples.

 

Pues para eso fuimos hechos

Para confiar en el milagro

Para participar de la poesía

Para ver el rostro de la muerte –

De repente nunca más esperaremos

Hoy la noche es joven; de la muerte, apenas

Nacemos, inmensamente.

 

  

  

MENSAJE A LA POESÍA

 

No puedo

No es posible

Digan que es totalmente imposible

Ahora no puede ser

Es imposible

No puedo.

 

Díganle que estoy tristísimo, pero no puedo ir esta noche a su

/encuentro.

Cuéntenle que hay millones de cuerpos para enterrar

Muchas ciudades por reconstruir, mucha pobreza en el mundo

Y las mujeres están volviéndose locas, y hay legiones de ellas

/carpiendo

La nostalgia de sus hombres; cuéntenle que hay un vacío

En los ojos de los parias, y su desnudez es extrema, cuéntenle

Que la vergüenza, la deshonra, el suicidio rondan los hogares, y es

/preciso reconquistar la vida.

Háganle ver que es preciso que yo esté alerta, vuelto hacia todos los

/caminos

Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morir si fuera necesario

Explíquenle, con cuidado –no la lastimen…-- que si no voy

No es porque no quiera: ella sabe; es porque hay un héroe en una

/cárcel

Hay un labrador que fue agredido, hay un charco de sangre en una

/plaza.

Cuéntenle, bien en secreto: que yo debo estar listo, que mis

Hombros no se deben curvar, que mis ojos no se deben

Dejar intimidar, que yo llevo a la espalda la desgracia de los hombres

Y no es el momento ahora de parar; díganle, mientras tanto

Que sufro mucho, pero no puedo mostrar mi sufrimiento

A los hombres perplejos; díganle que me fue dada

La terrible participación, y que posiblemente

Deberé engañar, fingir, hablar con palabras ajenas

Porque sé que hay, lejana, la claridad de una aurora.

 

Si ella no comprendiese, ah procuren convencerla

De ese invencible deber que es el mío; pero díganle

Que, en el fondo, todo lo que estoy dando es de ella y que

Me duele tener que despojarla así, en este poema; que por otro lado

No debo usarla en su misterio: es hora de esclarecimiento

Ni inclinarme sobre mí cuando a mi lado

Hay hambre y mentira; y un llanto de niño solitario, en una calle

Junto a un cadáver de madre, díganle que hay

Un náufrago en medio del océano, un tirano en el poder, un hombre

Arrepentido; díganle que hay una casa vacía

Con un reloj dando las horas; díganle que hay un gran

Aumento de abismos en la tierra, hay súplicas, hay vociferaciones

Hay fantasmas que me visitan de noche

Y que me toca recibir; cuéntenle de mi confianza

En el mañana

Que siento una sonrisa en el rostro invisible de la noche

Vivo en tensión ante la expectativa del milagro; por eso

Pídanle que tenga paciencia, que no me llame ahora

Con su voz de sombra; que no me haga sentir cobarde

Al tener que abandonarla en este instante, en su inconmensurable

Soledad; pídanle, oh pídanle que se calle

Por un momento, que no me llame

Porque no puedo ir

No puedo ir

No puedo.

 

Mas no la traicioné. En mi corazón

Vive su imagen pertinente, y nada diré que pueda

Avergonzarla. Mi ausencia

Es también un sortilegio

De su amor por mí. Vivo por el deseo de volver a verla

En su mundo en paz. Mi pasión de hombre

Queda conmigo; mi soledad queda conmigo; mi

Locura queda conmigo. Tal vez yo deba

Morir sin verla más, sin sentir más

El gusto de sus lágrimas, verla correr

Libre y desnuda en las playas y en los cielos

Y en las calles de mi insomnio. Díganle que es ese

Mi martirio; que a veces

Pesa sobre mi cabeza la tapa de la eternidad y las poderosas

Fuerzas de la tragedia se abaten sobre mí, y me empujan hacia la

/sombra

Pero que debo resistir, que es necesario

Pero que la amo con toda la pureza de mi pasada adolescencia

Con toda la violencia de las antiguas horas de contemplación extática

En un amor lleno de renuncia. Oh, pídanle a ella

Que me perdone, a su triste e inconstante amigo

A quien le fue dado perderse por amor a su semejante

A quien le fue dado perderse por amor a una pequeña casa

Por un jardín al frente, por una criatura de rojo

A quien le fue dado perderse por amor al derecho

De todos a tener una pequeña casa, un jardín al frente

Y una criatura de rojo; y perdiéndose

Sería dulce perderse

Por eso convénzanla a ella, explíquenle que es terrible

Pídanle de rodillas que no me olvide, que me ame

Que me espere, porque soy yo, apenas yo; pero que ahora

Es más fuerte que yo, no puedo ir

No es posible

Me es totalmente imposible

No puede ser no

Es imposible

No puedo.

 

 

  

RECETA DE MUJER

 

Las muy feas que me perdonen

Pero belleza es fundamental. Es necesario

Que haya algo de flor en todo eso

Algo de danza, algo de haute couture

En todo eso (o entonces

Que la mujer se socialice elegantemente en azul, como en la

/República Popular China.)

No hay término medio posible. Es necesario

Que todo eso sea bello. Es necesario que súbito

Se tenga la impresión de ver una garza apenas posada y que un rostro

Adquiera de vez en cuando ese color sólo posible en el tercer minuto

/de la aurora.

Es necesario que todo eso sea sin ser, pero que se refleje y

/desprenda

En la mirada de los hombres. Es necesario, es absolutamente

/necesario

Que sea todo bello e inesperado. Es necesario que unos párpados

/cerrados

Recuerden un verso de Éluard y que se acaricie en unos brazos

Algo más que carne: que se los toque

Como el ámbar de una tarde. Ah, déjenme decirles

Que la mujer que allí está como la corola ante el pájaro

Sea bella o tenga por lo menos un rostro que recuerde un templo y

Sea leve como un resto de nube: pero que sea una nube

Con ojos y nalgas. Las nalgas son importantísimas. Ojos, de eso

Ni se habla, que miren con cierta maldad inocente. Una boca

Fresca (¡nunca húmeda!) es también de extrema pertinencia

Es necesario que las extremidades sean delgadas; que unos huesos

Despunten, sobre todo la rótula al cruzar las piernas, y las puntas

/pélvicas

Al abrazar una cintura semoviente

Gravísimo es no obstante el problema de las jaboneras: una mujer sin

/jaboneras

Es como un río sin puentes. Indispensable

Que haya una hipótesis de barriguita, y en seguida

La mujer se alce en cáliz, y que sus senos

Sean una expresión grecorromana, más que gótica o barroca

Y puedan iluminar lo oscuro con una capacidad mínima de 5 velas.

Sobremanera pertinaz es que la calavera y la columna vertebral

Se muestren levemente; ¡y que exista un gran latifundio dorsal!

Los miembros que terminen como astas, pero bien haya un cierto

/volumen de muslos

Y que sean lisos, lisos como el pétalo y cubiertos de suavísima pelusa

Entre tanto sensible a la caricia en sentido contrario

Es aconsejable en la axila una dulce hierba con perfume propio

Apenas sensible (¡un mínimo de productos farmacéuticos!)

Preferibles sin duda los cuellos largos

De forma que la cabeza dé a veces la impresión

De no tener nada que ver con el cuerpo, y la mujer no recuerde

Flores sin misterio. Pies y manos deben contener elementos

Discretos. La piel debe ser fresca en las manos, en los brazos, en la

/espalda y en la cara

Pero que las concavidades y convexidades tengan una temperatura

/nunca inferior

A 37º centígrados, pudiendo eventualmente provocar quemaduras

Del 1er grado. Los ojos que sean de preferencia grandes

Y de rotación por lo menos tan lenta como la de la tierra; y

Que se coloquen siempre más allá de un invisible muro de pasión

Que es necesario sobrepasar. Que la mujer sea en principio alta

O, si es baja, que tenga la actitud mental de las altas cumbres.

Ah, que la mujer dé siempre la impresión de que, si se cerraran los

/ojos

Al abrirlos ella ya no estará presente

Con su sonrisa y sus tramas. Que ella surja, no venga; parta, no vaya

Y que posea una cierta capacidad de enmudecer súbitamente y

/hacernos beber

La hiel de la duda. Oh, sobre todo

Que ella no pierda nunca, no importa en qué mundo

No importa en qué circunstancias, su infinita volubilidad

De pájaro; y que acariciada en el fondo de sí misma

Se transforme en fiera sin perder su gracia de ave; y que exhale

/siempre

El imposible perfume; y destile siempre

La embriagadora miel; y cante siempre el inaudible canto

De su combustión; y no deje de ser nunca la eterna danzarina

De lo efímero; y que en su incalculable imperfección

Constituya la cosa más bella y más perfecta de toda la creación

/innumerable. 

 

 

 

 

 

Traducción de Rodolfo Alonso

 

 

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