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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



OLGA SAVARY

Nasceu em Belém do Pará, em 1933. Escritora, poeta, contista, novelista, crítica e ensaísta, tradutora, jornalista. Muitos de seus vinte livros mereceram prêmios, inclusive o Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, foram objeto de teses, adaptações e musicada por compositores eruditos e da MPB, em discos e CD. Reside no Rio de Janeiro.
 

TEXTOS EM PORTUGUÊS   /   TEXTOS EM ESPAÑOL

 

         UMA CENA

 

         Vês acordada como em sonho

         o sonho mau tal fosse belo

         — o belo horror do real

         que nem consciência nítida

ou lúcida, clara, exata,

não como é visto sol a pino

ou através da água,

como quem vê dentro do mar

ou através de um vidro fosco,

mais, no fundo de um espelho,

não o que mostra a imagem

mas aquele que a deforma

inteiro fora de foco.

 

 

OUTRA CENA

 

Sentada estavas quando ele entrou

seguido de uma princesa ou uma serpente.

Só sabes que teu rosto não mudou

mas em turvo mudou-se o transparente

riso de antes, pesados os gestos.

Viraste uma mulher que acordada

e de frente vê um sonho mau

se sonho e distante já nem sente

e que já não amando é como se amasse

e, perdido o amor, é como se o tecesse.

 

         (do livro Éden Hades, 1994)

 

 

            NOME

         Tu, em tudo presença,

         vibrar de asa,

 

         eu, que nem nome tenho,

         jamais nua de água,

 

         tu, felicidade do corpo

         embasado em brasa,

        

         eu, sequer lembrança,

         mero eco na sala,

 

         tu, veneno curare

         — e eu é que me chamo naja?

 

                   (do livro Éden Hades, 1994)

 

 

            ÁGUA ÁGUA

 

         Menina sublunar, afogada,

que voz de prata te embala

toda desfolhada?

Tendo como um só adorno

o anel de seus vestidos

ela própria é quem se encanta

numa canção de acalanto

presa ainda na garganta.

 

         (do livro Espelho provisório, 1970)

 

 

PÁSSARO

 

A noite não é tua

mas nos dias

—curtos demais para o vôo —

amadureces como um fruto.

Tuas  asas seguem as estações.

É tua a curvatura da terra.

Pássaro, metáfora de poeta.

 

         (do livro Sumidouro, 1977)

 

 

VIDA

 

Palavras, antes esquecê-las

lambendo todo o sal do mar

uma única pedra.

 

         (do livro 100 hai-kais, 1986)

 

 

ENTRE ERÓTICA E MÍSTICA

 

As palavras,

Poesia, não só combato.

Durmo com elas.

 

(do livro 100 hai-kais, 1986)

 

 

Extraídos de 41 POETAS DO RIO, org. Moacyr Félix. 

Rio de Janeiro: FUNARTE, 1998.  514 p.


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OLGA SAVARY

De
SUMIDOURO
Desenhos de Aldemir Martins
São Paulo:  Massao Ohno; João Farkas editores, 1977

 

TERRA

em golfadas envolvo-me toda
apagando as marcas individuais

devora-me até que eu
não respire mais.

Rio, dezembro 1974
                                              
                                                          
                                               SEXTILHA CAMONIANA

                                      Daqui dou o viver já por vivido.
                                      Quero estar quieta, sozinha agora,
                                      igual a uma cobra de cabeça chata,
                                      ficar sentada sobre os meus joelhos
                                      como alguém coagulado em outra margem.
                                      Daqui dou o viver já por vivido.

                                               Rio, 1973


                                      CERNE

                                      Nada a ver com a fonte
                                      mas com a sede

                                      Nada a ver com o repasto
                                      mas com a fome

                                      Nada a ver com o plantio
                                      mas com a semente

                                               Recife – Olinda, 11 setembro 1974

 

TEXTOS EM ESPAÑOL

 

TRADUCCIÓN Y NOTA INTRODUCTORIA DE

ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO

 

 

Olga Savary nacipó em Belém, Pará, Brasil, em 1933. Hija única de padre ruso y madre brasileña, estúdio em Belém, Fortaleza (Ceará) y em Rio de Janeiro. Publicó muhcos poemas em diários y revistas de Rio, Belém y Belo Horizonte, entre 1951 y 1955, firmados bajo el seudónimo de Olenka. Es considerada uno de los tres nombres femeninos más importantes de la moderna poesía brasileña. Circuída de niebla y de desvelo, su poesía se nos aparece como un vasto amanecer  urbano pó cuyas desiertas esquinas se entrecruzasen, sonâmbulos, los fantasmas del símbolo y de la realidad, que no se presenta como elemento decorativo sino integrada a la vida del poema. Olga se detiene en búsqueda de lo íntimo personal, desmenuzando las propias raíces. La vigilancia com el delírio que poderosamente las invade. Embriaguez que no se resiste a la exactitud del rostro de una verdad siempre elusiva y que se expresa, tensa, serenamente, en imágenes de tiempo perdido u olvidado. Libros:  Espelho Provisório (1970), Sumidouro (1977), Altaonda (1979) y Linha d´Água (1979). Excelente traductora de Pablo Neruda.

 

 

 

INÚTIL

 

Si fueras estrella

yo sería ese pedazo de cielo

que te sustenta.

 

Si fueras alga

yo sería esa despaciosa ola

que te acaricia muy despacio.

 

Si fueras un vago sonido

o tono em el fin de la tarde

yo sería esse no imaginado viento

que te desencadena.

 

Mas por qué pensar en ello

si te busco y no sé quién eres

si me esperas e ignoras quién soy.

 

 

EL DESEO ABSOLUTO

 

Crear el amado

sin la injusticia de la forma

sin el egoísmo del nombre.

 

 

NOMBRE

 

No eran lirios los lírios

caídos en la arena, caídos

en la arena lLila de la noche

casi noche.

No eran lirios, no eran

como tu sombra, yo sé,

pero eran mucho más lírios

que los lirios. Por eso

ellos serán llamados lirios.

 

 

 

Extraído de la obra

VOCES FEMENINAS DE LA POESÍA BRASILEÑA

Goiânia: Editora Oriente, s.d.

 

 

Página republicada em junho de 2008

 

 


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