JUDAS ISGOROGOTA
Judas Isgorogota (Agnelo Rodrigues de Melo) nasceu em Lagoa da Canoa, Alagoas, (1921) viveu em Maceió, mudou-se aos 23 anos para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo onde ganhou projeção internacional e veio a falecer em 1979. Publicou 15 livros de poesias, uma novela e cinco de poesias infantis. Parte de sua obra poética traduzida para vários idiomas (francês, inglês, alemão, espanhol, italiano, húngaro, árabe, checo e lituano).
Saudade
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Mudos, olhando o embalo das maretas
os dois homens pararam; junto ao cais,
balouçantes, enormes silhuetas
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de velhos barcos setentrionais
faziam retinir, como grilhetas,
os elos das correntes colossais...
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Foi olhando essas naus, à Ave Maria,
na hora em que tudo em solidão se vê,
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que aqueles homens rústicos, um dia,
choraram muito sem saber porquê...
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De
Judas Isgorogota
A ÁRVORE SEMPRE VERDE
São Paulo: Edição Saraiva, 1959
A ÚLTIMA LEGENDA
Aos paulistas de 32
Num gesto juvenil, tombou tal como um lutador olímpico:
— sobre a face risonha a expressão do herói helênico e esportivo
que lutou, golpe a golpe, ombro a ombro, a alma aberta, incendiada,
do mais alto ideal: — morrer pela Pátria que morre;
— o ultimo olhar preso ao gradil das sorridentes pálpebras
como ainda a lembrar a ação do lance decisivo:
a lâmina luzindo ao sol, os músculos retesas,
e, aureolada de tênue lua, florão de glória e sangue,
a cabeça a pender, feliz, diante da Eternidade;
— e à flor do lábio ingênuo e puro, iluminado e telo,
o sorriso de quem sangrou por amor à beleza
da vida, por amor do Ideal e por amor da luta,
dando o exemplo imortal: cair, sorrindo, como um símbolo, \
e não perder a fé, mesmo perdendo a derradeira lança.
Grande o povo a quem, a Morte inspirou apenas um sorriso.
Página publicada em maio de 2010. |