Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 
LUÍS AUGUSTO CASSAS

Nasceu e mora em São Luis do Maranhão desde 2 de março de 1953. Publicou muitos livros de poesia, sempre bem recebidos pela crítica.



CRÔNICA DE NOMEAÇÃO DA DEFENSORIA LÍRICA DA CIDADE

por graça e gosto de el-rei

e espada de bom capitão

por instrução do prior-frei

segredos do coração

e por tudo que oro e sei

moinhos de ventos e brasão

consagro em pública praça

do herói a rebelião

e nomeio fiel protetor

das pedras do nosso chão

a luís Augusto cassas

defensor perpétuo e lírico

de São luís do Maranhão

em nome do sol e mar

dou a ele força e poder

de lapidar e guardar

a vida que há de florescer

expeça-se alvará

salvas de mudo canhão

província de muito amar

firmo: “cais da sagração”

 

 

Extraído de Em Nome do Filho (Advento de Aquário). Rio de Janeiro: Imago, 2003.



 

MAR DEPRIMIDO

 

mar de São Luis, constrangido,

que banhas as costas do Atlântico

e as costas e seios das pacíficas,

quem te roubou o azul do paraíso:

os vendedores de cloro das piscinas

ou o céu desbotado do olhar das meninas?

 

mar de São Luis, humilhado,

saqueado por metralhas e conquistadores

em navios que vazam óleo desde o início,

quem roubou o azul do teu sorriso:

os poetas que te deixaram abandonado

ou os petroleiros que te sujaram o vestido?

 

mar de São Luís, sucateado,

sobra de outros mares, poluído.

o cinzento de tuas águas

é tua bandeira de mágoas?

é o teu vestido e anágua?

 

choras por Antonio: o de Cleópatra?

choras por outro: o de Ana Amélia.

mar de São Luís, enrubescido,

derramas lágrimas de crocodilo,

deságuas sujas águas em praias e portos.

enches os tonéis, os lenços, os esgotos.

 

mar de São Luis, emaranhado

em maranhas de mar amargurados,

quem seqüestrou o teu azul-coral

deixou-te em troca o excesso de sal.

entanto, o verde que antevejo nessa manhã,

só o vislumbro detrás de óculos rayban.

 

a não ser que eu ponha cloro,

nas lágrimas que, em ti, choro.

 

 

 

Os Arautos do Dia

edital de tombamento

(escrito em papel embrulho)

 

Ficam declarados tombados

pra todos os efeitos e dados

os herói anônimos e martirizados:

 

os paralelepípedos sob o asfalto

& a cobertura de cobalto

 

o sorvete de ameixa do hotel central

& as sessões coloridas no cine-rival

 

as sabiás de cócoras

& os bem-te-vis de galochas

 

a coroa de rei dos homens

& a galinhagem de ana jansen

 

a caldeirada do germano

& os endereços dos pés-de-pano

 

os vendedores de pirulito

& os jogadores de palito

 

os anjinhos despirocados

& os poetas emprenhados pelos ouvidos

 

os quebra-queixos à mingua

& o teu beijo de língua

 

o doce de bacuri com cravinho

& o pôr-do-sol do portinho

 

as meninas da rua 28

& as virgens mortas sem coito

 

(a esses 20 tiros de canhão

e 30 missas em intenção)

 

e mais ainda: a saudade etérea

do amor de g. dias & ana amélia

 

O pintor de cartazes do cine-éden

faça repintar e imprimir e correr

a nova aurora que vai nascer

 

 

FEIRA DO JOÃO PAULO

 

Grécia jamaicana:

tua bandeira republicana

é um cacho de banana

 

 

Extraídos da obra Ópera barroca (guia erótico-poético & serpentário-lírico da cidade de São Luís do Maranhão). Rio de Janeiro: Imago, 1998.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Voltar à página do Maranhão Voltar ao topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música