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O SIMBOLISMO - POETAS SIMBOLISTAS

  

 

EMILIANO PERNETA

(1866-1921)

 

 

David Emiliano Perneta nasceu e morreu em Curitiba. Formou-se advogado pela Universidade de São Paulo. Além de ter sido jornalista, advogado e professor de português, Perneta foi um dos fundadores do clube republicano de Curitiba e publicou, em livros, jornais e revistas, poesia e prosa poética simbolista.

 

Sua obra poética inclui Ilusão (1911), Pena de Talião (1914) e os póstumos Setembro (1934) e Poesias Completas (1945).

 

 

VENCIDOS

 

Nós ficaremos, como os menestréis da rua,

Uns infames reais, mendigos por incúria,

Agoureiros da Treva, adivinhos da Lua,

Desferindo ao luar cantigas de penúria?

 

Nossa cantiga irá conduzir-nos à tua

Maldição, ó Roland? ... E, mortos pela injúria,

Mortos, bem mortos, e, mudos, a fronte nua,

Dormiremos ouvindo uma estranha lamúria?

 

Seja. Os grandes um dia hão de cair de bruço ....

Hão de os grandes rolar dos palácios infetos!

E gloria à fome dos vermes concupiscentes!

 

Embora, nós também, nós, num rouco soluço,

Corda a corda, o violão dos nervos inquietos

Partamos! inquietando as estrelas dormentes!

 

Ilusão (1911)

 

 

GLÓRIA

 

Ao I. Serro Azul

 

Quando um dia eu descer às margens desse lago

Estígio, onde Caron, mediante uma parca

Moeda de estanho vil 0ll cobre, que eu lhe pago,

Há de me transportar numa sombria barca ...

 

Quando sem um sinal, sem uma prova ou marca

De afeição, eu me for por esse abismo vago,

Vendo que sobre mim funebremente se arca

O céu, e junto a mim esse Caron pressago ...

 

E envolvido na mais completa obscuridade,

Abandonado, e só, e triste, e silencioso,

Sem a sombra sequer do orgulho e da vaidade,

 

Eu tiver de rolar no olvido, que me espera,

Que ao menos possa ver o palácio radioso,

Feito de louro e sol e mirto e ramis de hera!

 

Ilusão (1911)

 

 

DOR

 

 

Ao Andrade Muricy

 

Noite. O céu, como um peixe, o turbilhão desova

De estrelas e fulgir. Desponta a lua nova.

 

Um silêncio espectral, um silêncio profundo

Dentro de uma mortalha imensa envolve o mundo

 

Humilde, no meu canto, ao pé dessa janela,

Pensava, oh! Solidão, como tu eras bela,

 

Quando do seio nu, do aveludado seio

Da noite, que baixou, a Dor sombria veio.

 

Toda de preto. Traz uma mantilha rica;

E por onde ela passa, o ar se purifica.

 

De invisível caçoila o incenso trescala,

E o fumo sobe, ondeia, invade toda a sala.

 

Ao vê-la aparecer, tudo se transfigura,

Como que resplandece a própria noite escura.

 

É a claridade em flor da lua, quando nasce,

São horas de sofrer. Que a dor me despedace.

 

Que se feche em redor todo o vasto horizonte,

E eu ponha a mão no rosto, e curve triste a fonte.

 

Que ela me leve, sem que eu saiba onde me leva,

Que me cubra de horror, e me vista de treva. 

 

 

METAMORFOSES

 

A Mme. Georgine Mongruel.

 

Sei que há muita nudez e sei que há muito frio,

E uma voracidade horrível, um furor

Tão desmedido que, quando eu acaso rio,

Quantos não estarão torcendo-se de dor.

 

Conheço tudo, sim, apalpo, indago, espio...

Tenho a certeza que vá eu para onde for,

Como o escaravelho, hei de o ódio sombrio

Ver enodoar até o seio de uma flor.

 

Mas sei também que há mil aspirações estranhas,

Que havemos de subir montanhas e montanhas,

Que a Natureza avança e o Homem faz-se luz...

 

Que a Vida, como o sol, um alquimista louro,

Tem o dom de poder mudar a lama em ouro,

E em límpidos cristais esses rochedos nus!

 

 

CORRE MAIS QUE UMA VELA... 

 

Corre mais que uma vela, mais depressa,

Ainda mais depressa do que o vento,

Corre como se fosse a treva espessa

Do tenebroso véu do esquecimento.

 

Eu não sei de corrida igual a essa:

São anos e parece que é um momento;

Corre, não cessa de correr, não cessa,

Corre mais do que a luz e o pensamento...

 

É uma corrida doida essa corrida,

Mais furiosa do que a própria vida,

Mais veloz que as notícias infernais...

 

Corre mais fatalmente do que a sorte,

Corre para a desgraça e para a morte...

Mas que queria que corresse mais!

 

 

SÚCUBO

 

Desde que te amo, vê, quase infalivelmente,

Todas as noites vens aqui. E às minhas cegas

Paixões, e ao teu furor, ninfa concupiscente,

Como um súcubo, assim, de fato, tu te entregas...

 

Longe que estejas, pois, tenho-te aqui presente.

Como tu vens, não sei. Eu te invoco e tu chegas.

Trazes sobre a nudez, flutuando docemente,

Uma túnica azul, como as túnicas gregas...

 

E de leve, em redor do meu leito flutuas,

Ó Demônio ideal, de uma beleza louca,

De umas palpitações radiantemente nuas!

 

Até, até que enfim, em carícias felinas,

O teu busto gentil ligeiramente inclinas,

E te enrolas em mim, e me mordes a boca!

 

 

 

 

PERNETA, EmilianoIlusão & outros poemas.  Edição crítica.  Introdução e seleção Cassiana Lacerda Carollo. Curtiba: Prefeitura Municipal de Curitiba, 1996.  230 p.  (Coleção Farol do Saber)   14x21 cm.  Col. A.M. (EA)

 

 

DE UM FAUNO

 

Acordaste mais cedo, em teu roupão de linho,

Nessa alegre manhã cor-de-rosada e fria.

Como foi belo o sol! o sol como floria !

Era uma só canção: o aroma, a luz, o ninho.

 

Esperavas teu noivo, oh ! Ema ! oh ! cotovia !

E era tão forte o teu delicioso carinho

Que, ébrio contigo, tudo acordou, ébrio, um vinho

Espumava, a dourar, como os vinhos da Hungria.

 

Cega, no meio desse amplo esplendor sonoro,

Nada mais vias, cruel, senão teu sonho de ouro

Mais pomposo que um deus moço, numa equipagem

 

Ao teu lado não viste um fauno, não me viste,

Ema! a sorrir, também, como uma nódoa triste,

Da Inveja - alteza real l - dissimulado pagem.

 

1895

 

 

 

SONETO

 

Nada pode igualar o meu destino agora

Que o furor me feriu com um tirso de marfim,

Vede, não me contenho, o abutre me devora,

Com as suas mãos que são de nácar e jasmim...

 

Meu sangue flui, meu sangue ri, meu sangue chora.
E se derrama como o vinho dum festim.

Não há frauta que toque mais desoladora.

Ninguém o vê correr, mas ele não tem fim.

 

Possuísse, ao menos, eu, o dom de transformá-la

Numa folha, no aloés, no vento frio, no mar.

Ela que inda é mais fria e branca do que a opala.

 

Mas nada, nem sequer ao menos, eu, torcido

O tronco nu, o gesto doido, o pé no ar,

Hei de ver Salomé dançar como S. Cuido !

 

MCMII.

 

 

 

FOGO SAGRADO

 

Ao pôr do Sol - que é uma falua

De vela para o Pesadelo ...

Calção de rendas amarelo

Fino gibão, cabeça nua,

 

Ei-lo ! Não sei que setestrelo

Cobre-o ! Não sei que azul flutua !

Montado num ginete em pêlo

A par e passo com a lua!

 

Seguiu, ligeiro, ligeiro;

Passam cavalo e cavaleiro

Um rodamoinho de escarcéus ! ...

 

É como um ciclone violento !

Olhai ! ... Que vão o Sol e o Vento

Arrebatá-lo para os Céus !

 

Abril-1900

 



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