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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


MÁRCIA THEÓPHILO

Nasceu em Fortaleza, Ceará, Brasíl, em 1940. Antropóloga, estudou música na Europa. Toda a sua obra se inspira à floresta amazônica, seus povos, seus animais, suas árvores, seus mitos, e à denuncia da sua destruição e ao empenho de salvar o patrimônio natural de cultural da floresta.

Sua poesia  vem sendo traduzida para vários idiomas e já foi indicada sua candidatura para o prêmio Nobel. Vive na Itália.

Página da autora: http://www.theophilo-amazonia-e-poesia.info
 

TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL

 

A NOITE

 

No princípio havia noite

não se sabia o que era noite

havia somente luz e era tão intensa, nos trópicos

que se tinha a sensação de passar períodos de azul

de vermelho, de verde

era tão forte a luz que as pessoas tinham

a sensação de flutuar

dentro das cores

dentro das plantas

tudo o que hoje não fala, falava

intercomunicava-se entre si

as árvores falavam

e estimulavam o pensamento com suas flores

não se sabia o que era negro

existiam somente as cores que emanavam da luz

e distribuíam energia-pensamento

mas não se dormia

porque a música nasceu com o silêncio e com a noite

a música nasceu com a consciência dos primeiros ritmos

e com a noite nasceu o primeiro canto.

 

                   1979

 

 

OS COQUEIROS

 

O rosto daquela mulher

impressionou-me muito

 

éramos cinco

um morreu pelo caminho

e os outros

será que estão vivos?:

 

—olha o puxa-puxa criançada  olha o puxa-puxa!—

 

outro dia viajei

por terras desconhecidas

nos contornos das praias

os coqueiros

 

—água de coco gela água de coco gelada!—

 

as porções de açúcar estão crescendo

o fôlego

estou perdendo fôlego

 

está havendo aumento de terra

não existe mais água.

 

        

         Eu Canto Amazonas,  1972

 

 

OS MENINOS JAGUAR

 

I

É imóvel a terra, quando a deusa Jaguar

de noite entra na aldeia

e com ela Urucu, Pajurá

Japicahy, Tauari

Arari, Mangalô

os rostos iluminados, um facho de luz

baila um guerreiro dentro de cada um

 

 

II

é ela a divindade Jaguar.

abre o universo fechado escuro

a concha, ninho de todos os seres

Murucu Maracá

 

 

III

os meninos guerreiros

—cada um encarna um mito—

ornados com trançados de penas de arara

brincos de penas de arara

cinturas de penas de arara

colares de unhas de jaguar

braçadeiras de caramujos do rio

 

 

CXLII

entram na cidade os meninos

Mucura se muda em jaguar

as pessoas se fecham dentro das casas:

os frutos amadurecem, as árvores germinam

o grito dos animais infunde medo

 

 

CXLIII

a deusa Jaguar

se transforma em todas as coisas

que vivem n´água

se transforma em todas as coisas

que vivem na terra

plantas e animais

rios e chuvas

 

 

XXLIV

na noite um perto do outro

dormem os meninos

enrolados em jornais, em casas de cartões

um olho fechado um outro aberto

olhos em forma de lua nascente

por boca um triângulo

e o braço em ângulo reto.

 

         Os Meninos Jaguar, 1995

 

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Extraídos de

ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA

Org. y Trad.  Xosé Lois García

Edicións Laiovento

Santiago de Compostela, 2001 

 

 

LA NOCHE

 

Al principio no existia la noche

no se sabía qué era la noche

solamente había luz y era tan intensa, en los trópicos

que se tênia la sensación de psar períodos de azul

de rojo, de verde

era tan fuerte la luz que las personas tenían

la sensación de flotar

dentro de los colores

dentro de las plantas

todo lo que hoy no habla, hablaba

se intercomunicaba entre si

los árboles se hablaban

y estimulaban el pensamiento con sus flores

no se sabía qué era lo negro

existían solo los colores que emanaban de la luz

y distribuían energia-pensamiento

peero no se dormia

el hombre no conocía el cansancio

pero tampoco conocía la ternura del descanso

el silencio y la música

porque la música nació con el silencio y con la noche

la música nació con la conciencia de los primeros ritmos

y con la noche nació el primer canto.

 

                   1979

 

 

LOS COQUEROS

 

El rostro de aquella mujer

me impresionó mucho

 

éramos cinco

uno murió en el camino

y los otros

¿estarán vivos?

 

—ίmirad el chupa chupa criaturas el chupa chupa!—

 

Otro día viaje

por tierras desconocidas

por los contornos de las playas

em los cocoteros

 

—ίagua de coco helada água de coco!—

 

Las parcelas de azúcar están creciendo

el aliento

estoy perdiendo aliento

 

está aumentando la tierra

ya no existe más água.

 

         Eu Canto Amazonas,  1972

 

 

LOS NIÑOS JAGUAR

 

I

Inmóvil es la tierra, cuando la diosa Jaguar

de noche entra en la aldeã

y con ella Urucu, Pajurá

Jupichay, Tauari

Arari, Mangalô

los rostros iluminados, una antorcha de luz

baila un guerrero dentro de cada uno

 

 

II

es ella la divindad Jaguar.

Abre el universo cerrado oscuro

la concha, nido de todos los seres

Murucu Maracá

 

 

III

los niños guerreros

—cada uno encarna a un mito—

ornados con trenzados de plumas de papagayo

pendientes de pluma de papagayo

collares de uñas de jaguar

brazaletes de cangrejos de río.

 

 

CXLII

entran en la ciudad los niños

Mucura se transforma en jaguar

la gente se encierra dentro de las casas:

los frutos maduran, los árboles germinan

el grito de los animales infunde miedo

 

 

CXLIII

la diosa Jaguar

se transforma en todas las cosas

que viven en el agua

se transforman en todas las cosas

que viven en la tierra

plantas y animales

rios y lluvias

 

 

CXLIV

por la noche uno cerca del outro

duermen los niños

envueltos em periódicos, en casas de cartones

un ojo cerrado el outro abierto

ojos en forma de luna naciente

y el brazo em ángulo reto.

 

 

         Os Meninos Jaguar, 1995

 

 

 

Página publicada em dezembro de 2007



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