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e esse prurido, João?
esta azia vaga, este cansaço fácil
este remédio inútil
esta fútil robustez?
e esta prisão de ventre
este pé de atleta
este calo no pé
esta falta de fé?
e esta náusea, joão?
esta dorzinha no braço
esta falta de abraço
?
e este medo danado
este desejo incontido
e este peso
na consciência, joão?
não tenho medo de câncer
temo que canses de mim;
não temo ficar mudo
mas que não fales em mim
temo, que não me vejas
não que me vazem os olhos;
ser decapitado não temo
temo que não me ouças;
não temo o ventre da baleia
nem a cama do faquir, as brumas do passado
ou aquelas do porvir;
não temo a febre amarela,
mas não amar-me um dia
friamente, com calor
ou o marfim do teu dente, temo;
não temo as estatísticas
os riscos que corremos
(de mãos dadas mais que não);
temo que não celebremos o erro certo
o incerto acerto que tecemos,
que como estátuas fiquemos
que para abraços braços não tenhamos
para beijos bocas não mostremos
que não pertençam os sonhos que sonhamos
fica sempre um pouco de nós por onde andamos
dos nossos braços naqueles que abraçamos;
fica sempre algum sussurro daquilo que gritamos
fica sempre algum calor no leito onde dormimos,
alguma nódoa daquilo que vertemos;
sempre algo de nós naquilo que largamos,
um resto de pó dos caminhos que trilhamos,
algum senso na loucura que adotamos,
um ganho qualquer naquilo que perdemos;
fica sempre um bem-querer naqueles que sofremos,
e sempre algo por dizer
daquilo que dissemos
Extraídos do livro Ilha da Canção. Pref. De José Alc ides Pinto. Fortaleza: Edições Universidade Federal do Ceará/ Academia Cearense de Letras, 1983. 64 p.
a larva
lavra a
árida pa
l a v r a
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t ( erra )
no
( eter )
no
Extraídos do livro Concretemas. Fortaleza: Xisto Colona Editor, 1983. s.p. |