Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 
 

ALMEIDA COUSIN

(1897-1991)
 

José Coelho Almeida Cousin nasceu em Sacramento, no Estado de Minas Gerais, a 15/12/1897. Filho de Leão Coelho de Almeida e de Maria Sebastiana Alves Moreira Coelho de Almeida. Poeta, trovador, cronista, ensaísta, crítico, jornalista, farmacêutico, advogado. Aprendeu as primeiras letras com a avó francesa, Victorine Cousin. Cursou o Ginásio Mineiro, em Belo Horizonte e o Colégio Pedro II. Formou-se em Farmácia, pela Universidade de Ouro Preto (1920) e em Ciências Jurídicas e Sociais, em Vitória, capital do Espírito Santo, em 1936. Foi empregado de fazenda, balconista, escriturário, farmacêutico. Na década de 30, foi redator da revista "Vida Capixaba" e colaborou em vários órgãos da imprensa do Espírito Santo. Mudou-se para o RJ onde militou nos meios jornalísticos e como professor de História do Colégio Pedro II. Foi catedrático de Química Analítica da Faculdade de Farmácia e Odontologia de Vitória, no Ginásio do Espírito Santo. No Liceu "Nilo Peçanha" em Niterói. Lecionou História e foi professor de Literatura no curso complementar Pré-jurídico. Membro do Pen Clube do Brasil, do Instituo Histórico e Geográfico do Espírito Santo, que em sua homenagem, criou o prêmio "Almeida Cousin" e dedica-lhe hoje uma Coleção Almeida Cousin, de livros de poetas capixabas. Foi correspondente de várias entidades culturais. Publicou teses de concurso, crônicas, ensaios e conferências. Faleceu no Rio de Janeiro, em 11/03/ 1991

Obras publicadas: "Itamonte" (epopéia brasilista) - Pongetti, Rio de Janeiro, 1932 e 1958; "Naufrágios" ( poemas), Vitória - 1937 e 1984; "O amor de Dom Juan" (poema lírico)- Vitória, 1938; "Odes de Anacreonte" (original grego e tradução, duas edições Pongetti e Livros de Ouro) 1948, 1966 e 1983; "Poemas da terra e da vida", Pongetti, Rio de Janeiro (poesia) 1956; "A sagração da mulher" 1958; "Cartões a Lálace" 1932 e 1984; "Lições de Química" 1937; "Primeiros estudos sobre a Matéria Corante da Ipoméia Roxa -suas relações com o PH" (monografia) 1934; "A Olioca, combustível espírito-santense" ( tese apresentada ao 2º Congresso Brasileiro e ao 3º Congresso Americano de Química) 1937; "O cristianismo em face do Império Romano e questões relacionadas com o ensino de História" (tese de concurso) 1930; "Influências políticas e econômicas na literatura" (tese) 1939; "Os baixos dos Pargos, primeiro limite do ES", Cátedra, Rio de Janeiro, 1975; "Memórias de cem anos"- 1975; "Cartas Antigas" ( poesia) 1976; "Troveirinho" 1979; "Cem anos de memórias" 1975; "Meu livro de crianças" 1980; "Aiamor" (contos) 1986; "História panorâmica da literatura" - Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Vitória-ES; "Idos vividos", Cátedra, Rio de Janeiro,1983.

FONTES: COUTINHO, Afrânio e Souza, J.G de (dir) Enciclopédia de Literatura Brasileira RJ FAE 1990; ELTON, Elmo. Poetas do Espírito Santo Vitória FCAA, UFES, PMV 1982 ELTON, Elmo. Academia Espírito-santense de Letras 1987; A Poesia Espírito-Santense no Século XX, organização, introdução e notas de Assis Brasil,1998.
Biografia extraída de
http://www.poetas.capixabas.nom.br

 

COUSIN, Almeida.  O Amor de Don Juan.  Escripto em 1929. Impresso em 1938.   Victoria, ES: Off. Da “Vida Capixaba”, 1938.  32 p.  ilus.  13,5x18,5 cm.   Silhueta por Zampaio.  Ex. Biblioteca Nacional de Brasília, doação de Dicamor Moraes. 

 

(fragmento)

Agonisa Don Juan. Languido e ousado,
Canções na bocca, ou a pluma ao vento e a espada ao lado,
Gastára o seu quinhão de aventuras e amores.
Desfolhára ao desdem as capellas de flores;
Desatára, a tremer, os véos brancos das noivas
E á propria morbidez das olheiras que engoivas
— Ó ascetismo da mona! — Elle trouxéra um beijo...

Nada fôra sagrado ao seu doido desejo!
Surprehendia balcões em noite enluarada
E á dama que sonhava, em ésluos, mal velada,
Assaltava, cravando um beijo e

ntre os dois seios...
Delia, lento e langue, o pudor e os receios
E, assim como um ladrão, na alcova a meio lume,
Abria, suave, rindo, os céslos do ciúme.
La fora o rouxinol, seu cumplice gemia.

(...)

 

Extraído de

 

ALBUM DE POESIAS.  Supplemento d´O MALHO.   RJ: s.d.   117 p.  ilus. col.  Ex. Antonio Miranda

 

HADAD, Jamil Almansur, org.   História poética do Brasil. Seleção e introdução de  Jamil Almansur Hadad.  Linóleos de Livrio Abramo, Manuel Martins e Claudio         Abramo.  São Paulo: Editorial Letras Brasileiras Ltda, 1943.  443 p. ilus. p&b  “História do Brasil narrada pelos poetas. 

HISTORIA DO BRASIL – POEMAS ‘ 

                        

Desenho com assinatura "Zanellotti"

 

FELIPE DOS SANTOS — ESPÍRITO DA AUTONOMIA

 

 

 

                        

  Ilustração de Lívio Abramo

 

O HÁLITO DE MINAS

 

Era Junho de mil setentos e vinte.

Em Portugal, Dom João, nosso Senhor, reinava.
Das lavras e grotões, nas Minas, se exalava
Um hálito de revolta.  Escrava e forte, dura,
A terra, exuberante em seiva e juventude,
Aos peitos aleitara uma gente sombria,
Fascinada e violenta: uma gente que via
O ouro, por seu trabalho arrancado à montanha,
Aos quintais, lhe cair, em mão rapace, estranha...
E este povo rosnava, abrindo, a sacrifícios,
As catas novas para o pábulo dos vícios
De uma corte devassa e odiada e um rei distante.

Uma nova exação — e rebenta o levante.

Rompe o motim na rua.
Vila Rica sacode os grilhões de escrava.
Confusamente, em bando,
Mamelucos, reinóis, negro de pele nua,
Homens de cara bruta,
Ricos de catadura brava,
E barba hirsuta,
Passam em gritarias, as armas agitando.
Alavancas, alviões, espingardas lampejam,
Músculos fortes ressaltando,]

Os grupos seminus, maltrapilhos, sombrios
Perpassam em ondas.  As ruas são rios
Que na praça despejam.

Um bando mascarado
Assaltara de noite a casas do ouvidor...
Ardia, numa pira,
Soltando fumo negro, enovelado,
Num alto — a Fundição d´El Rey, nosso Senhor!...
Tinha explodido a ira
Do tigre popular, longamente açaimado...
A praça tumultua.
Surge de cada rua
Novo bando feroz de mineiros e escravos.
Donos de lavras, rudes restos bravos
Das bandeiras paulistas.
Temperadas na guerra dos emboabas
E no esforço amoroso das conquistas
Dos seios verdes, ásperos, da terra,
Nos magotes dos seus, descem das abas
E píncaros da serra.

Conduzem bronca escravatura em grita,
Junta-se-lhes o povo, que se agita,
E os torna capitães.
Tudo se amotinou: titulares, letrados
Servos, população, lavreiros abastados...
Pascual da Silva Guimarães
Tem toda Vila Rica obediente a seus lados.
...........................................................

 

Regressara do Carmo, à pressa, o mensageiro
Da revolta, mandado ao Conde de Assumar
A resposta: “Primeiro
Serenas opiniões em Junta consultar,
E depois, deferir, caso fosse justiça...”

 

Corre a turba um murmúrio.  Um homem de repente,
Ergueu-se. Para trás com as mãos a coma eriça
E encara a multidão, sério, serenamente.
É moreno. Um perfil delicado e aquilino,
Glabro, de fronte altiva, e olhar adamantino,
Negro, que um brilho estranho em chispas aviventa.
Revolta e natural cabeleira ostenta.
Casaca e calção negro e de fina bretanha
A camisa. De renda, o punho que a acompanha.
Traz pendente um espadim.  Levantado entre tantos,
Um brado o reconhece:  — É Felipe dos Santos!

Fala.  A voz lhe ressoa enérgica, fremente.
Tudo escuta em silêncio. É clara e convincente
A exposição que faz.  Aos poucos e animando,
Abala a multidão.  Já tem voz de comando.
Por vezes um tremor corre o povo, que excita
O condão do seu verbo — e quase rompe a grita
E o furor da revolta infrene, ensanguentada...

 

E ei-lo contém ou açula a turba dominada!

Perora: — “... e esperareis, tendo os braços cruzados
Que caiam sobre vós os dragões assoldados
De Dom Pedro de Almeida?!  E que esperais?... Promessas!
Para que esse motim, essas violências, essas
Armas nas vossas mãos — se quereis, com respeito,
De joelhos implorar o que vos é direito?!
Tereis dano e castigo!  A justiça conquista-se!
Oprimem.  Quem oprime?  El-Rey?... Seja! Resista-se
Mesmo a El-Rey Dom João Quinto, este senhor distante.
Que sabemos viver, porque, homem arrogante,
O Conde de Assumar nos governa em seu nome!

Mas, por causa d´El Rey, todo o povo tem fome!

Revoltado estais. Que podeis esperar,
vos conceda, por bem o Conde de Assumar?

Tendes, contra a injustiça o prestígio da força;
Sem vilezas de cão nem timidez de corça,
Erguei-vos para impor, mesmo à gente d´El-Rey,
Sobre o arbítrio — a Justiça — e sobre o império — a Lei:
— Ide ao Carmo e dizei-lh´o ao Conde, face a face!

Como um vento do sul ao longe, que tombasse
Numa floresta e viesse as frondes agitando,
Rompe um surdo murmúrio e aumenta, trovejando...
O ar todo se eriçou de alviões e de alavancas,
De canos, varapaus, espadas cruas, brancas,
Sobre o revolto mar de cabeças escuras...
Já tudo grita: “Ao Carmo!” — e pelas luras
Ecoa a sedição furiosa, delirante...
E o oceano flui: reflui faz-se um monstro ondulante,
De pontas eriçado.  Alonga uma cabeça
Sobre a Lages; retrai a escama escura e espessa,
Com rebrilhos à luz — e um corpo de serpente
Pela estrada do Carmo estira lentamente...

Perdeu-se numa poeira o vozerio incerto
Vila Rica ficou transformada em deserto;
Mulheres nos portais e na praça tranquila,
Rindo e brincando ao sol, as crianças da vila.

                   ***

Domador, que a um olhar contém a besta fera,
Felipe a sedição furiosa detivera
Em frente ao casarão quadrangular, sombrio.

Na ampla sala da audiência, o governador, frio.
A barba já grisalha, o olhar afeito ao mando,
Postiça a cabeleira, as galas ostentando
Do poder militar e insígnias de nobreza
Na mais alta poltrona, ante a severa mesa
Do Conselho, ao redor de áulicos fiéis cercado,
— Consente em fim ouvir o povo amotinado.

Entra a delegação, grave, serenamente.

Descoberto, Pascoal vem caminhando à frente,
— Vassalo na atitude austera e respeitosa —
Junto a Veiga Cabral e Mosqueira da Rosa.
Este fora ouvidor. O outro, com luzimento
Defendera a colônia, ao sul, de Sacramento.
Segue-o confusamente o bando de senhores
Das lavras, em calções e véstias multicores
Manos de cavaleiro e casacas bordadas
De ouro e prata, que cobre a poeira das estradas.

Ouve-os Dom Pedro calmo, o orgulho nobre indene.

O ambiente é emocional.  No silêncio solene,
A pena do escrivão arranha a folha escrita
E Mosqueira da Rosa, a voz ressoando, dita
As vontades do Povo, a Assuma impassível...
Miram-se os cortesãos. Cena simples e incrível!
Ao Conde, um pensamento ao olhar não reçuma;
Defere as condições impostas, de uma em uma
E consente afinal nos pregões pela praça.
Proclamando o perdão e assegurando a graça
D´El-Rey para a revolta.
Eis o termo lavrado.
Dom Pedro lança em toda um olhar carregado;
No pergaminho branco a mão robusta assenta
E rasga a assinatura orgulhosa e violenta.
Em baixo, a praça atroa. À humilhação do Conde,
O Povo, delirando em vitória, responde!

                        ***

Quem são estes que vão pela rua, algemados,
Cabisbaixos, de pé, no meio dos quadrados
De dragões a cavalo, em caminho do Rio?
Porque sobem pelo ar os rebates e os dobres

E estes fumos de incêndio?!
É a palavra dos nobres,
Que o Conde de Assumar cumpre, grave e sombrio.

Os chefes estão, da gente revoltada
Que já teve Dom Pedro humilhado e vencido?
É a vez do Conde de debelar os soberbos!
Estes homens acerbos
Descansaram na fé da palavra empenhada:
—Tudo preso, ou disperso, ou morto, ou foragido!

Eis o perdão d´El-Rey, proclamado nas praças,
A toque de clarins e caixas!

Pairam sobre as cabeças,
Como asas de desgraças,
Atrás nuvens de fumo a rolar, letras, baixas,
Aos turbilhões, espessas,
Do incêndio, que, a raivar, estronda e silva,
Destruindo a aldeia de Pascoal da Silva...

É um cadáver que passa, amarrado a um cavalo,
A rolar e a bater de rochedo em rochedo!...
— Eis Felipe dos Santos!

Mirai-o bem, vilãos! e a contemplá-lo,
Pasmai! Escarmentai-vos! Tende medo
Do Conde de Assumar e do rigo da lei!

Alas! Deixai passar a justiça d´El-Rey!
***
Dom Pedro foi credor da gratidão dos povos
E, por ter dado a Minas dias novos
De tanta paz e glória,
Na casa em que morou, por séculos sem fim,
Um letreiro de bronze lavrado
Reza assim:

PARA A ETERNA MEMÓRIA
DO BENEFÍCIO IMORTAL
SEU NOME FICA GRAVADO
NESTE METAL.

 

         (ITAMONTE – Paulo Pongetti & Cia, Rio de Janeiro, 1931)

 

ALVARENGA

 

Viver, sentir, querer, — forte, ousado e brilhante.
Ser poeta —como outrora um cavaleiro andante,
— Tangendo a lira por um santo ideal!...
Vibrar clarões e raios de eloquência
E ser feliz — Senhor! — junto à inocência
De uma filhinha idolatrada,
Sob as asas de um anjo — essa Bárbara amada
Fôra possível neste mundo real?!...

Poeta! a alma da terra penetrou-te
E ouviste o encanto dos sertões escuros,
De músculos ciclópicos e duros,
Trabalhados de escravos cor de noute...
Falaram-te estas serras broncas, feias,
E tu soubeste o quanto são formosas!
Elas — que trazem nas ocultas veias
A força das potências majestosas
É que têm entranhas cheias
De prata e ouro e pedras preciosas!...

Bem sondaste, alquimista, a tenebrosa essência
Da terra bruta, exuberante e boa,
Com que Pombal ergueu nova Lisboa:
Dos escombros do sismo, em real magnificência!

Entre visões proféticas e grandes
Bem soubeste antever no antártico hemisfério
Surgindo um novo, americano império,
Desde o Atlântico mar até Araucana e os Andes!...

Uma vez portentosa
Chamou-te — Era a da Glória!
E viste, entre os bulcões de um céu pesado,

Um vulto enorme de mulher marmórea,
De serena e divina majestade,
Sobre um campo de sangue erguida como um lírio!
Tinha nas mãos um archote alevantado
E iluminava o mundo — a Liberdade!

Seguiste-a — e nem sequer pensaste, ousado,
Que ouvir a Glória neste mundo vário
É amar um ideal e os homens com delírio
— É galgar, sob as cruzes do martírio
Como Jesus, a encosta do Calvário.

            (Obra citada)

 


RODRIGO CÉSAR

 

Cuiabá ri em festas, lado a lado,
A Dom Rodrigo César de Menezes,
Que em heroica monção de largos meses,
Trouxe o farol da vila ao povoado.

Vila Real do Bom Jesus! e o brado,
Que todos, naturais e portugueses,
Na praça, ao sol, restrugem, a revezes,
Em sendo o pelourinho levantado.

Mas eis que, em breve, ó pobre povo, gemes,
De sob a virga-férrea do empolgante
E atroz perseguidor dos irmãos Lemos,

Mudam-se as festas em fatais revezes,
E a vila vai morrendo sob o guante
De Dom Rodrigo César de Menezes.

            (Obra citada)

 

 

*

 

VEJA E LEIA outros poetas de MINAS GERAIS em nosso Portal:

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/minas_gerais/minas_gerais.html

 

Página publicada em outubro de 2021

 

Página publicada em março de 2017; ampliada em março de 2019



 
 
 
  Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar