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EDMUNDO ARAY

Fundador y membro de los legendários grupos Sardio y El techo de la ballena, Edmundo Aray (1936), poeta, ensayista, cuentista, cineasta, há publicado poco más de uma docena de libros de poemas.

 

 TEXTOS EN ESPAÑOL   /   TEXTOS EM PORTUGUÊS

 

CANCIÓN

 

Digo,

por boca de Francisco Madariaga,

amigo,

y poeta por demás,

 

lo tierno espesado y te hace llegar hasta el aullido,

el amor es continuo y el viento lo despierta.

 

Comprensión en el coraje del país:

 

País, oh visita de la suerte, en el aire rodando con un alcor

celeste de amor.

 

Nadie pregunta nada, pero los mandingas del paisaje

preguntan por tus ojos.

 

Coraje y calor para la vida que germina en la

aurora más roja.

 

La tierra es un torbellino de la carne, una invasión

del hervidero del corazón.

 

CANÇÃO

Digo, pela boca de Francisco Madariaga
amigo
além do mais poeta,

o suave é pesado e te leva ao uivo,
o amor é contínuo e o vento o desperta.

Compreensão na coragem do país:

País, oh visita de sorte, no ar rodando com um outeiro
                   celeste de amor.

Ninguém pergunta nada, mas os mandingas da paisagem
                   perguntam por teus olhos.


Coragem e calor para a vida que germina na aurora mais rubra.

A terra é um redemoinho da carne, uma invasão do
                   caldeirão do coração.

 

REMINISCENCIAS

 

Recuerdo una mañana

de la primavera de 1942,

las alamedas y el color violeta.

Un olor blanco de cebollas fritas.

 

Escucho cantar a lo lejos

y pienso en Lilí.

Lilí tenía unas largas trenzas

que discrepaban con sus ojos.

 

Guardo el sabor de su dulzura,

el aroma del verano en su camisón azul,

los arrugados zapatos del invierno.

 

Conservo su pañuelo de secarnos el cuello

después de mucho amor.

 

Deseo olvidar,

pero siempre vuelvo a verla ante mí.

 

REMINISCÊNCIAS

Recordo uma manhã
de primavera em 1942,
as alamedas e a cor violeta.
Um odor branco de cebolas fritas.

Escuto cantar à distância
e penso em Lilí.
Lilí tinha umas tranças longas
que discrepavam com seus olhos.

Guardo o sabor de sua doçura,
o aroma do verão em sua camisola azul,
os sapatos enrugados do inverno.

Conservo seu lenço de secarmos o pescoço
depois de tanto amor.

Quero esquecer
mas sempre a vejo diante de mim. 
 

 

Edmundo Aray e Antonio Miranda na FILVEN 2011.
 Foto: Wilfredo Machado

 

Página publicada em abril de 2011.


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