HUGO MUND JÚNIOR
Nació en 1933 en Mafra, en el Estado de Santa Catarina. Hijo de emigrantes gernano-polacos que se establecieron en el sur del Brasil a finales del siglo XIX. Su interes por la litertura y la artes plásticas le llevaron a cursar estúdios em Rio de Janeiro en la Escuela Nacional de Artes Plásticas. Más tarde, se trasladó a Brasília donde realizo fecundos trabajos artísticos. Autor de varios libros poesía además de participación en exposiciones y revistas literarias con poemas visuales.
Vean poemas visuales del autor: HUGO MUND JR
TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL
De
VÉSPERA DO CORAÇÃO
São Paulo: Massao Ohno Editora;
Fundação Catinense de Cultura, 1986
CELEBRAÇÃO
Pássaros de altos vôos desabam
na incontida celebração da argila
fazendo-se ânfora, a estrênua
ânfora do corpo que guarda
o hálito, a semente e o gosto.
A mão se afeiçoa à ferramenta,
a pele, ao sol, o coração, à lua,
o sangue à paixão de algo
que transcende o mero afeto
Os pássaros, no entanto, assistem.
De seus olhos descem cismas,
cinzas que abafam suas vozes.
UM ÚNICO VERSO
Um único verso sustenta
o equilíbrio do pássaro,
celebra a queda da folha
ao chão, brilha no coração
ilícito. Um único verso
sangra o papel em branco.
REGAÇO DAS ÁGUAS
VIII
Desnuda extensão, o corpo, confinado
entre vales e montes, sedimenta]
o desejo, velho mistério a crescer
mostrando o vazio do seu percurso.
De
AS VOZES DO JURAMENTO
Florianópolis: Editora Noa Noa,1987
VI
Mediador entre o santo e o maligno,
confinado no reino intermediário,
funde o poeta os opostos, fechando
os olhos ao infinitamente molesto.
Desfaz-se a severa imagem
do conhecimento, importa apenas
esta aragem que refresca
o pleno domínio do remoto.
Ao som da harpa o duradouro acorda,
Lembrando agora o que não foi dito:
Um ramalhete de flores
colhido por mão de criança.
Certamente nenhuma palavra registra
O que de ignoto na voa ressoa.
VIII
No vestíbulo do arquétipo,
a cristalina redoma do arcano
encerra a verdade completa.
A insuficiência terrena
torna maior o homem,
o necessário se sobrepondo
à toda ciência enferma.
Sem cessar persiste o sono,
mas a direção que progride
interroga o flutuante enigma.
Na mais remota divisa
surge o espanto, este esquivo
saber criado pelo encanto.
De
CÓSMICA PROVÍNCIA
Florianópolis: Editora da UFSC,1992
TEMPO
Voa o tempo que nos faz.
Quando feitos, acabamos
para o brilho. É a luz
que, por dentro, nos refaz.
AS CONSEQUÈNCIAS DO TEMPO
Duas asas guardam o velho retrato,
um detalhe banal na moldura
que disfarça as conseqüências do tempo.
Morrer em abundância lírica
e depois há uma figura produzida
em cada modelo de indolência.
Essa duração de azar te celebra,
duplicando a perda dos teus gastos,
um alerta que chega por dentro
mostrando os custos de tão poucos ganhos.
TRAJETO DO ENIGMA
A esfinge hierática
contempla o espaço
da dança, o trajeto
circular do enigma.
O absoluto é a única
razão que proclama
a regência do mel
e da fartura agora.
Triunfa a fonte
aurífera do sol,
a fléxil natureza
firma-se no verde.
Nenhuma rosa quer
o perfume intacto,
cândido esplendor
anima a violeta.
Emblemático, o ser
embosca o grifo,
desnudando a glória
do memorável mito.
Grigos & Emblemas (1987)
VÉSPERA DAS ÁGUAS
Apenas a rosa transgride o delírio
deste céu inóspito.
As chuvas foram suspensas,
a vez, agora, é das nuvens secas.
Opaco, o coração exsuda
o ocre no lugar do verde, fumos
acinzentados vales.
A sombra tem sabor de mormaço,
névoas esterilizam o azul,
um sufoco oscila entre trapos:
outubro, véspera de ti nas águas.
Véspera do Coração (1986)
VÊNUS TARDIA
Pérfido, aquece o verão esta chama,
extrema euforia sustentada por Vênus,
fábula que aflige a carne madura.
Derrota o sol a excessiva indulgência
do coração afogado na embriaguez
que não quer saber do seu outono.
Na duração da incógnita, o enjôo do fruto.
Este é o lugar da víbora e da pomba,
risco de insulto no irrevogável impulso.
Cósmica Província (1992)
APOGEU
Há um itinerário que te afasta do sonho,
a deslumbrante certeza do próprio instante.
Sobra-te a dignidade, algo muito próximo
do grito que configura o desespero.
Os dons da vida não se ajustam à permanência,
nenhuma destreza impede que o regozijo acabe.
Aromas e Loares (1997)
TEXTOS EN ESPAÑOL
Extraídos de la
ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA
Org. Trad. de Xosé Lois García
Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 2001.
TRAYECTO DEL ENIGMA
La esfinge hierática
contempla el espacio
de la danza, el trayecto
circular del enigma.
Lo absoluto es la única
razón que proclama
la regência de la miel
y de la abundancia ahora.
Triunfa la fuente
aurífera de sol,
la flexible naturaleza
se reafirma en lo verde.
Ninguna rosa quiere
el perfume intacto,
cándido esplendor
anima la violeta.
Emblemático, el ser
esconde el enigma,
desnudando la gloria
del memorable mito.
Grigos & Emblemas (1987)
VÍSPERA DE LAS AGUAS
Apenas la rosa transgrede el delirio
de este cielo inhóspito.
Las lluvias se suspendieron
el turno, ahora, es de las nubes secas.
Opaco, el corazón exhuda
ocre en lugar de verde, humos
grises valles.
La sombra sabe a bochorno,
nieblas esterilizan el azul,
um sofoco oscila entre trapos:
octubre, víspera de ti en las aguas.
Véspera do Coração (1986)
VENUS TARDÍA
Pérfido, calienta el verano esta llama,
extrema euforia sustentada por Venus,
fábula que aflige la carne madura.
Derrota el sol la excesiva indulgencia
del corazón ahogado en la embriaguez
que no quiere saber de su otoño.
Mientras dura la incógnita, la náusea del fruto.
Este es el lugar de la víbora y de la paloma,
riesgo de insulto en el irrevocable impulso.
Cósmica Província (1992)
APOGEO
Hay un itinerário que te aparta del sueño,
la deslumbrante certeza del propio instante.
Te sobra dignidad, algo muy próximo
al grito que configura el desespero.~
Los dones de la vida no se adaptan a la permanencia,
ninguna destreza impide que el regocijo termine.
Aromas e Loares (1997)
Página publicada em janeiro de 2008. Ampliada e republicada em março de 2008 |