MAURO SALES – POESIA DOS BRASIS – PERNAMBUCO – RIO DE JANEIRO - www.antoniomiranda.com.br
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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MAURO SALLES

Foto: www.netpropaganda.com.br

MAURO SALLES

Mauro Bento Dias Sales (nascimento: Recife-PE, 1933)  é poeta, jornalista e publicitário. De sua amizade com Augusto Frederico Schmidt recolheu muitos ensinamentos para a sua poesia. Jornalista, fez carreira em O Globo, onde foi fotógrafo, repórter e colunista de automóveis, antes de assumir chefias e chegar à direção da Redação. Em 1965 participou da fundação da Rede Globo de Televisão, como seu primeiro Diretor de Jornalismo. Coisa de crianças, edição ilustrada, 1991 e Viagem (Reisen), edição em português e alemão, ilustrada, publicado em 1994, são alguns de seus grandes trabalhos. (Extraído de www.edicoesgalobranco.com.br


 

SALLES, MauroO Gesto.  São Paulo: Massao Ohno, 1993.  213 p.  15X23 cm.  capa dura. “Edição hors-commerce de 500 exemplares.” Ao final do livro, uma gravura de Selma Daffré em folha expandida, dobrada, assinada a lápis pela autora..  “ Mauro Salles “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

MISSA

Gestos soam falsos
no altar sem sentido
Velas não transmitem
presenças eternas
(Deus não está comigo
na Missa a que assisto)

Deus
se esconde bem
no olhar da criança
e no coração
daqueles que não rezam mais

 

O GESTO INDECIFRADO

À frente
longos caminhos aguardam
a mim que não sei
sequer as pedras que piso
— todas plenas de segredos

Á frente
a vida é uma pergunta irrespondida

E na tarde em que te encontro
                   (a duvidar do mundo
                   de Deus
                   dos homens
                   e das coisas)
 fica apenas a presença de um enigma
 e a força do gesto indecifrado


NÚPCIAS

Pelos caminhos do mundo
segui teus passos perdidos
        
         Perdidos eram teus gritos
         que vinham do mar aberto

Aberto o flanco da rocha
em que dormiste na noite

         Noite em que não nos amamos
         como no sonho da véspera

 

RIO

Redescobri
na madrugada
a poesia do bonde
onde ficamos sós
cercados  de ruídos
anúncios
e rostos desconhecidos

 

 

SALLES, Mauro.  Recomeço.  São Paulo: Massao Ohno, 1995.  77 p.  13x22,5 cm.  Capa:    Helga Mierthke. “Editado ao ensejo da posse do Autor como membro titular do PEN Clube do Brasil”.  Tiragem: 500 exs.  “ Mauro Salles “  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

Tempo

 

Prender no bojo da noite

teu olhar iniludível

 

No sopro de teus cabelos

acorrentar vendavais

 

De folhas secas fugazes

cobrir teu corpo

 

E depois ficar pensando

que o tempo não vale nada

 

 

 

Sertaneja

 

A flor do mandacaru

enfeita o rosto moreno

na paisagem do sertão

 

Poeira vermelha esconde

o verde das palmas

dos cactus

 

e os arreios sem brilho

dos cavalos

 

Não há ciganas

 

nem cangaceiros

 

lá onde a moça nuinha

 

aguarda as dobras da noite

sob o manto fiel

dos vágalumes

 

 

SALLES, MauroReisen. Übersetzung von Angel Bojadsen.   São Paulo: Massao Ohno, 1994.  76 p.  ilus. com. 21 x 23 cm    Überarbeitung: Stefani Schneider, Juliana Birnbaum Hutzler, Werner Regenthal Satz, GHN / Nuno Bittencourt.  Tiragem: 500 exemplares.  “ Mauro Salles “ Ex. bibl. Antonio Miranda

 

JANGADA

 

Passaram todas as águas

e a praia não ficou clara

 

A maré sobe ao seu limite

cobrindo os arrecifes da manhã

Espumas escondem casas de caranguejos

tocas onde corais iluminam profundezas

 

No fundo há sargaços

enrolados nas conchas

e lagostas que passeiam sobre os mariscos

 

O pescador

molha a vela da jangada

recolhe as covas da noite passada

 

E coloca no cesto de vime

ciobas, cavalas

polvos, guaiamuns

o siri-patola

e aquele peixe prateado

que lutou uma hora na ponta do anzol

 

 

 

JANGADA

 

Die Gewässer sind alle vorbei geströmt

und haben den Strand nicht gesäubert

 

Die Bbbe steigt bis zu ihrem Höchststand

die Riffe des Morgens verdeckend

Schaum verbirgt Krebshäuser

          Höhlen, wo Korallen die Tiefe beleuchten

 

Auf dem Meeresboden gibt es Seetang

der die Muscheln einrollt

und Langusten die zwischen den Seetieren spazieren gehen

 

Der Fischer

weicht das Segel seiner Jangada ein

und sammelt die Höhlen der letzte Nacht

 

Und wirft in den Weidekorb

Ciobas, Makrelen

Kraken, Guaiamuns

den Siri-Patola

und jenen silbernen Fisch

der eine Stunde lang am Angelhaken kämpfte

 

 

 

VOO 861

 

O corpo foi se fechando

— as pálpebras

os joelhos dobrados —