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MOYSÉS LOPES SESYON

 

Comerciário, nascido em Caicó- RN, mas feito poeta em Açu.

 

 

 

De
GLOSA GLOSARUM.  Coletânea de glosas fesceninas organizada por Celso da Silveira.              Natal, RN: Clima, 1979.   91 p

 

 

 

 

MOTE

 

Pude iludir uma cega,

Dei-lhe uma foda no eu.

 

          GLOSA

 

Saindo de uma bodega

de meio lastro a queimado,

com muito jeito e agrado

pude iludir uma cega.

Rolando na beldroega,

fazendo vez de muçu,

pra furnicar me pus nu,

faz tempo mas me recordo:

 

virei a cega de bordo

dei-lhe uma foda no eu.

 

MOTE

 

Eu fiz um saco de meia

pra suspender os colhões.

 

GLOSA

 

Senti grossa a cordoveia,

quando vi, fiquei doente,

apressado, incontinente *

eu fiz um saco de meia.

Depois da bruaca cheia

suspendi por dois cordões,

senti doer os tendões

onde a mulher tem tabaco,

eu não tenho, uso o meu saco

pra suspender os colhões.

 

 

 

MOTE

 

O saco que eu sempre usava
Não cabe mais os colhões

 

          GLOSA

 

Por esta não esperava,

de tristezas estou carpido,

hoje vi, está perdido

o saco que eu sempre usava.

 

Foi uma sentença brava

pra tirá-la em grilhões,

porém alego as razões

para as quais tenho de sobra,

o saco deu uma dobra

não cabe mais os colhões.

 

MOTE

 

Se Celina me matar, *

Ninguém tenha dó de mim.

 

GLOSA

 

Não posso mais suportar,

é grande a minha paixão,

perdoo de antemão

se Celina me matar.

Se dela me aproximar

terei um prazer sem fim;

se alguém me vir assim

chupando o beicinho dela,

se eu morrer fodendo nela,

ninguém tenha dó de mim.

 

 

 

Página publicada em dezembro de 2011.


 

 

 
 
 
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